"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

INTENÇÃO E GESTO

Eu nunca fiz promessas de Ano Novo. Procuro, claro, traçar meus objetivos e determino o melhor caminho para alcançá-los.Todavia, eu acredito na ação e não, na intenção.

Minha vida não é exemplo para ninguém... Sou insegura, hesito bastante antes de uma decisão, paradoxalmente tenho um tanto de auto-indulgente...Contudo, quando quero mudar alguma coisa, mudo já. Nunca na segunda-feira. Nunca no ano que vem.

Quase sempre eu me calo mais do que falo, pois procuro viver sob a máxima de jamais lançar uma promessa em vão. Principalmente nas relações pessoais, persigo essa fidelidade entre palavras e sentimentos. Comprometo-me com aquilo que digo, transfiguro promessas em gestos. Ensino minha menina a ter também esse cuidado. Muitas vezes, ao ser repreendida, ela logo diz:
-Mamãe, eu juro que nunca mais faço isso.
E eu respondo: Só jure aquilo que você sabe que vai cumprir. E lembre-se que palavras não importam, o que importa é o que você faz.
Talvez no fim das contas, eu faça menos do que poderia. Até por excesso de cautela. Mas assumo as conseqüências e procuro agir de forma a que confiar em mim seja possível. Afinal, eu sei o quanto dói descobrir que a distância entre a intenção e o gesto não foi percorrida.

Embora aos tropeços, procuro seguir o princípio moral de Kant que diz:
"Age de tal maneira que trates a humanidade, na tua pessoa ou na de outrem, sempre e simultaneamente como fim e nunca apenas como meio."
Outro conceito que persigo é o da compaixão. Acho que este é um sentimento tão belo quanto o amor. Não confundir com piedade, que pressupõe um olhar de superioridade em relação ao sofrimento alheio. Ter compaixão é compartilhar o sofrimento do outro, sem julgar as razões alheias, sem preconceitos. Esse é meu grande desafio, a meta de crescimento espiritual que ainda não consegui atingir, mas busco. Não somente ver a todos como iguais, mas ser capaz de verdadeiramente colocar-se no lugar do outro. Como disse Buda: " Vosso sofrimento é o meu sofrimento, vossa felicidade é a minha felicidade".
É essa, então, minha mensagem de final de ano. O mantra da compaixão:

OM MANE PADME HUM

O Ano Novo não muda nada. Quem muda somos nós.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DANDO LAÇOS, DESATANDO NÓS


Nesse final de semana minha avó fez 90 anos. 
Ao longo do nosso tempo juntas, as memórias mais carinhosas são da sua linda voz cantando, das suas histórias antes de dormir e dos famosos bolinhos, que de tão bons são conhecidos como os "bolinhos da Tia Anastácia". E que ninguém, ninguém mesmo, é capaz de fazer igual.
Minha avó foi lindíssima na juventude e continua bonita. Surpreende a todos pela energia, pela fé e principalmente pela capacidade de comer de tudo... Mas sua memória a trai muitas vezes. Os irmãos que ela não encontrava há anos vieram para a comemoração e havia a expectativa se ela os reconheceria ou não... E ela ficou, sim, muito feliz com a presença deles, que ficaram o tempo todo ao lado dela. Parte da família se reencontrou, parte se conheceu naquele momento... E as duas mais novas bisnetas, de 4 meses, se viram pela primeira vez.
Minha avó já não é capaz de morar sozinha, precisa de ajuda para algumas tarefas cotidianas. Todavia, mantém intactas suas preferências, faz suas escolhas e até briga por elas algumas vezes!
Observando a festa, as pessoas e especialmente minha avó, refleti sobre uma questão que tem me rondado: independência x autonomia.

Para mim, a independência tem um caráter objetivo, refere-se à questões de ordem prática, que nos permitam sobreviver sem ajuda. Ter um bom salário, um lugar para morar, poder se locomover sozinha... Tudo isso e ainda mais pode nos fazer independentes. Buscar a independência é uma das condições para alcançar a liberdade.
Mas sobreviver só, não basta... O importante é VIVER. Por isso, para mim a autonomia é mais importante que a independência. Autônomo é quem cria suas próprias regras - e que tem a liberdade de recriá-las, se for o caso. Autonomia está ligada à questões subjetivas como liberdade de escolha, definição de objetivos e metas, enfim, de assumir o leme da própria vida. Em diversos momentos, pode ser que sejamos dependentes de ajuda externa, assim como as crianças, os idosos, os deficientes. Ou mesmo quando um revés nos atinge. Mas quem é autônomo tem a capacidade de escolher seus caminhos, de se reinventar. Pode escolher até mesmo não agir.
Lutar pela independência pode implicar em confronto, ao passo que a autonomia é sempre uma atitude positiva. Autonomia é liberdade. Mesmo em uma prisão, ainda se pode fazer escolhas, evoluir. Importante dizer que quem é autônomo pode não ter independência em alguns aspectos, mas não é nunca dependente, ao não se deixar prender por expectativas alheias, por convenções, por medos.
A busca excessiva pela independência pode acabar em solidão, na medida em que se acredita prescindir de outros. Enquanto ser autônomo é ser livre para escolher as companhias, sem ter medo das relações que se estabelece. É ter confiança em si e no próximo.
Quem quer ser independente a ponto de apartar-se também das relações pessoais, na verdade está abrindo mão da sua autonomia. Está deixando de decidir, de experimentar, de ousar. Está dando nós, e não criando laços. Torna-se, apenas, um sobrevivente.
Enfim, quem é independente tem controle dos aspectos práticos da própria vida, enquanto quem é autônomo tem poder sobre si mesmo. 
É isso que quero para minha filha: que ela busque - e encontre - sua independência, mas principalmente, que tenha autonomia. 
Que faça laços e não ate nós.

"Happines (is) only real when shared"

Esse texto foi uma das causas dessa minha reflexão:
Aline tem todo o tempo do mundo

Recomendo muito esse filme, baseado em uma história real:
Na Natureza Selvagem (Into the Wild)

Texto do blog "O que der e vier" que também fala sobre conceitos semelhantes e distintos (esse blog é otimo):
Sobre modéstia e humildade



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ELA DANÇA

“Eu só acreditaria em um Deus que soubesse dançar”.
(Friedrich Nietzsche)

Vou buscá-la na escola e pergunto:
- Com quem você brincou hoje?
E ela, sorrindo, feliz:
- Com ninguém, mãe, sozinha.
- Sozinha?! Mas por que sozinha?
Ainda sorrindo, responde, distraída pela joaninha que tenta pegar no chão:
- Ué, mãe! Ninguém quis brincar minha brincadeira, brinquei sozinha!

Como a resposta "sozinha" se repetiu mais algumas vezes, aproveitei a reunião de fim de ano para conferir com a professora. Que me contou, encantada, que de fato, às vezes minha menina de cachos passa o recreio só e feliz:
- Ela gosta de cantar. E dançar. Se ninguém quer dançar com ela, ela dança sozinha.

Realmente, minha filha raramente tem os dois pés no chão ao mesmo tempo! E sua presença nunca é silenciosa. Mesmo quando dorme, ela fala e ri. Porém, sabe ficar só, sem estar solitária. Adora brincar com outras crianças, mas é capaz de inventar seus próprios jogos. Ela cria sua própria canção.

Olhar para ela me faz lembrar que nem sempre teremos parceiros para dançar conosco. E que haverá sempre alternância de ritmos, de timbres. Às vezes, o volume estará tão baixo, que há que se concentrar para ouvir... Mas não é por isso que devemos desistir da dança. O importante é continuar a ouvir a música da vida.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

DANA GIOIA

Descobri um poeta. Para quem gosta tanto de poesia como eu, essa descoberta é ao mesmo tempo um júbilo e uma vergonha. Porque na verdade trata-se de um poeta americano premiado e conhecido internacionalmente, que eu encontrei lendo o blog do Marcelo Coelho. No blog há alguns poemas traduzidos para o português (dias 01/12 e 30/11).

Gioia tem uma história interessante, era um executivo, chegou a vice-presidência da General Foods, mas desistiu do mundo corporativo para escrever. Ele também é um crítico reconhecido, tradutor, especialista em literatura e ocupou o mais alto cargo no National Endowent for the Arts até o início desse ano. Além de poesia, Dana Gioia escreveu um libreto de ópera, "Nosferatu".

Eu gostei muito da musicalidade de seus poemas. Encontrei ecos de J. L. Borges, de W. B. Yeats. Não me arrisco a traduzir um poema, então peço desculpas por colocar aqui um poema no oroginal, em inglês. Para quem não lê o idioma, recomendo o link do blog do Marcelo Coelho que coloquei acima.

Summer Storm
We stood on the rented patio
While the party went on inside.
You knew the groom from college.
I was a friend of the bride.

We hugged the brownstone wall behind us
To keep our dress clothes dry
And watched the sudden summer storm
Floodlit against the sky.

The rain was like a waterfall
Of brilliant beaded light,
Cool and silent as the stars
The storm hid from the night.

To my surprise, you took my arm–
A gesture you didn't explain–
And we spoke in whispers, as if we two
Might imitate the rain.

Then suddenly the storm receded
As swiftly as it came.
The doors behind us opened up.
The hostess called your name.

I watched you merge into the group,
Aloof and yet polite.
We didn't speak another word
Except to say goodnight.

Why does that evening's memory
Return with this night's storm–
A party twenty years ago,
Its disappointments warm?

There are so many might have beens,
What ifs that won't stay buried,
Other cities, other jobs,
Strangers we might have married.

And memory insists on pining
For places it never went,
As if life would be happier
Just by being different.

Para saber mais: Dana Gioia

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

TRÊS


Outro dia, conversando com um amigo, estava fazendo listas de coisas que gosto - sempre em três: 3 palavras favoritas, 3 cheiros, 3 lugares... Ele me perguntou: por que tudo de três? Ainda não havia reparado, mas acho que três é meu número da sorte. Especialmente, o dia 3.

Minha filha nasceu num dia 3.
Foi num dia 3 que conheci uma das pessoas mais importantes da minha vida.
Curiosa, revirei antigas agendas e achei outros acontecimentos felizes nesse dia.
E hoje, dia 3, recebi uma notícia muito boa, que decidi que vai ser o começo de um novo ciclo, muito mais feliz em minha vida.

Então é isso: depois da boa notícia de hoje, o três está oficialmente nomeado o meu número da sorte!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!

(Ah, hoje, dia 03 de dezembro, é também o aniversário de uma menina linda, que conheço pouco, mas que mora no meu coração. E aniversário também de uma nova amiga, que sabe rir da vida. O que comprova que o dia 3 é mesmo especial).

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TREINO


Ela veio e disse:
- Mãe, eu já nadei bastante com bóia para treinar. Se eu tirar eu consigo nadar sozinha.

Eu, meio com medo, vigiando de perto, deixei. E não é que ela foi? Nadou sozinha, engoliu água, mas não desistiu. Desde aquela tarde, ela não colocou mais as bóias (e eu não consegui mais fechar os olhos para tomar sol...)

Eu também sou uma bóia na vida dela. Sei que chegará o dia em que ela irá mergulhar sozinha e nadar em seus próprios mares.

E então, eu serei o seu porto.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

AMOR, MÚSICA E POESIA

Começou antes de começar, em uma conversa. Eu disse que estava ouvindo uma música, falei um trecho. Depois mandei o vídeo, ele copiou. E deixou outro para mim.
E assim, ele começou a me contar por músicas o que sentia. Dizer nas entrelinhas. Cada dia um vídeo novo. Às vezes mais de um. Eu respondia da mesma forma. Nossas canções conversavam entre si. Ao invés de termos "a nossa música", tivemos toda uma trilha sonora, linda.

Às vezes, ouvir essas músicas é como cantou Herbert Vianna; "cada canção de amor abre a ferida". Mas na maioria das vezes sinto-me cúmplice das palavras e melodias, dona de um segredo bonito. Foram meus aqueles sons, aqueles sentimentos e aquela história, que agora se mistura a outras para formar o grande mar que é minha vida.

Também ganhei alguns poemas dele. Divido um deles com vocês:



Aquí te amo.
En los oscuros pinos se desenreda el viento.
Fosforece la luna sobre las aguas errantes.
Andan días iguales persiguiéndose.

Se desciñe la niebla en danzantes figuras.
Una gaviota de plata se descuelga del ocaso.
A veces una vela. Altas, altas estrellas.

O la cruz negra de un barco.
Solo.
A veces amanezco, y hasta mi alma está húmeda.
Suena, resuena el mar lejano.
Este es un puerto.
Aquí te amo.

Aquí te amo y en vano te oculta el horizonte.
Te estoy amando aún entre estas frías cosas.
A veces van mis besos en esos barcos graves,
que corren por el mar hacia donde no llegan.

Ya me veo olvidado como estas viejas anclas.
Son más tristes los muelles cuando atraca la tarde.
Se fatiga mi vida inútilmente hambrienta.
Amo lo que no tengo. Estás tú tan distante.

Mi hastío forcejea con los lentos crepúsculos.
Pero la noche llega y comienza a cantarme.
La luna hace girar su rodaje de sueño.

Me miran con tus ojos las estrellas más grandes.
Y como yo te amo, los pinos en el viento, quieren cantar tu nombre con sus hojas de alambre.


Todas as músicas, de mim para ele e dele para mim, aqui . Fiz um blog só para a nossa trilha.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

UM POEMA PARA MIM

Até chorei...
Nos comentários do meu texto anterior, ganhei um poema todo meu, feito pela linda (por dentro e por fora) Débora do 3 x 30 - Solteira, Casada, Divorciada.
Uma poesia bonita e verdadeira, convidando a viver de maneira plena e a dar espaço ao inesperado e às pequenas coisas (que são as mais importantes).
Mereceu um post!
Obrigada, Débora, por tanta gentileza! Continue assim. O-Negai Shimasu!

Menina

Poesia é o que tá lá fora
Longe do mundo das letras
O que não se diz em palavras
Um beijo roubado
Um olhar apaixonado
A gargalhada da sua menina de cachos
(Ou ela a conversar com o vento)
Um bom prato de comida
Um tombo no mar
O rir da vida

Se ainda assim
Queres um versinho
Te mando essa coisa estranha
Mas repleta de carinho

(Débora)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A RODA DA FORTUNA

Hoje estou triste porque ninguém nunca me escreveu um poema.

Começo onde termino. Uma vez li esta frase em um livro, e não a esqueci. Estou de volta ao mesmo ponto. Tenho a sensação que minha vida deu um giro de 360º. Volto a ser assombrada por dores antigas, revividas pelo que devia ser novo mas desnudou-se em um lugar já visitado.
Continuo buscando o caminho da mudança, enquanto me esforço para voltar a viver segundo os axiomas que me guiavam. Mas talvez meu conhecimento estivesse apoiado em mentiras sobre a vida e sobre mim mesma. Que sou mais frágil do que pensava ser.

(Contudo, tenho sempre comigo, dentro da carteira, uma carta de amor.)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DE EVA A GEISY

A culpa é sempre das mulheres. Como cantou Rita Hayworth em 1946 no filme Gilda, "put the blame on mame".
Mas estamos em 2009, e a moça do vestido curto foi expulsa da universidade. Em nome da "ética", "dignidade" e ""moralidade". Geisy, com seu vestido rosa, ao mesmo tempo Eva e a maçã dos tempos modernos, expulsa para proteger os outros alunos da sua sexualidade provocadora.

Segundo anúncio publicado em jornais, a direção da universidade alega que "a atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar." O mesmo argumento que estupradores, assassinos em nome da honra, apedrejadores e outros criminosos e tiranos usam há séculos para justificar atrocidades contra mulheres: "Ela provocou".
Ao alegar que o problema foi a atitude da moça, mais que sua roupa, os responsáveis pela universidade parecem se esquecer que os outros alunos, adultos, sãos, poderiam aceitar ou recusar o "oferecimento" da moça, não precisando de proteção contra a sexualidade alheia. Protegida deveria ter sido a moça contra os insultos e agressões que sofreu. De homens e mulheres, também incomodadas - ameaçadas?

Quando escolhemos uma roupa para vestir, passamos uma mensagem. Devemos, portanto, ter o cuidado de transmitir aquilo que desejamos, seja ao usar minissaia ou burca. No caso da Geyse, a atitude e as roupas estavam em sintonia. Uma moça que se acha bonita, segura do seu poder de atração, que se veste dessa forma. Eu acho que ela está certa. Quem se sente ameaçado por ela deve procurar em si as causas desse desconforto. Talvez não tenha a mesma segurança que ela em relação ao seu próprio corpo. Ou, como se viu, não saiba controlar seus impulsos.

Espero que esse não seja o fim desse caso e que os agressores e a universidade sejam punidos por tanto sexismo e preconceito. Mais ainda, espero que ao crescer minha menina não seja prisoneira do seu corpo e refém da vontade alheia.

(Quando eu tinha uns 16, 17 anos, tive um vestido bem parecido com o da Geysi. Vermelho. Fazia o maior sucesso!)

UPDATE: O Reitor da UNIBAN informou que revogou a decisão do conselho que expulsou Geisy e dará "melhor encaminhamento à decisão."

Excelente texto:


Are you decent? trecho do filme Gilda

terça-feira, 3 de novembro de 2009

COMIDA PREFERIDA: MINHOCA FRITA

Dia desses, saindo com a minha menina de cachos da escola, encontramos meu pai. Bem próximo a onde ela estuda, há um Restaurante Vegetariano com tendências boêmias. As cervejas de diversas procedências atraem um público não tão interessado em vida saudável e meu pai chegava para uma happy hour. Claro que ela correu para junto do avô e nós duas nos integramos à turma.
Sendo um restaurante que não faz pratos com produtos de origem animal, os petiscos fogem do tradicional. O dono sugeriu, pra começar, um tal "torresmo vegetariano", feito com gergelim e não-sei-mais-o-quê. Quando o aperitivo chegou à mesa, parecia, na verdade, minhocas fritas. E foi isso que dissemos, de brincadeira, à minha menina. E não é que ela não só acreditou, como comeu e adorou? Gostou tanto que foi à cozinha pedir ao "tio" mais uma porção.

Além de engraçado, achei legal esse lado gourmet destemido dela. Eu sempre a ensinei a experimentar, mas não pensei que ela fosse capaz de ir tão longe! E chegando em casa, minha filha foi logo anunciando:

- Agora minha comida preferida não é mais camarão. É minhoca frita!

Que ela continue assim, sem medo de tentar novas experiências. Pois hoje foi ela quem me lembrou que podemos ser surpreendidos com algo muito bom justamente de onde menos se espera.

E da próxima vez que a vida me oferecer algo estranho, vou arriscar experimentar....

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

PELO DIREITO DE SER DIFERENTE

Hoje eu estou indignada. Muito.

Eu ensino minha menina que devemos fazer aos outros aquilo que queremos que nos façam. Eu mesma tento a cada dia respeitar as escolhas e o espaço alheios. Sonho com um mundo mais tolerante.
E ontem uma notícia me tirou o fôlego. Uma aluna da UNIBAN foi ofendida e segundo consta, ameaçada de estupro, porque foi à faculdade vestida de minissaia e se portou de forma "provocativa". Os vídeos foram retirados da internet, mas logo outros são postados. Mostram a moça saindo escoltada pela polícia enquanto outros alunos observam, riem, tiram fotos no corredor lotado. Ninguem parece manifestar qualquer solidariedade. Aliás, nos diversos veiculos de mídia que divulgaram a notícia, chovem comentários preconceituosos, muitos dizendo que "ela provocou e mereceu".

Existem países em que as mulheres devem andar cobertas. Em outros, meninas são mutililadas para não sentirem prazer sexual. Até mesmo nos países escandinavos, que atingiram os mais altos índices de participação feminina no mercado de trabalho e na política, aumentam os casos de violência doméstica. E no mundo ocidental, a mulher se vê cada vez mais presa na armadilha da eterna juventude e beleza a todo custo. É uma coisificação da imagem feminina que me preocupa pela sua escalada crescente. E assisto com tristeza a cumplicidade feminina em aceitar esse papel tão pequeno e árido. Meninas que se vestem como mulheres, mulheres que se vestem como meninas. No entanto, embora eu ache que os caminhos do despertar do desejo são tanto mais interessantes quando mais privados e individualizados, acho que todos tem o direito de se vestirem como quiser. Ainda mais em um ambiente adulto.

Espero que minha filha cresça de forma a se manifestar contra a unanimidade burra em casos como esse. E que saiba que o legal do mundo não é que somos todos iguais. O legal é que somos todos diferentes.

Para saber mais (não deixe de clicar nos links):

http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb/2009/10/29/uniban-se-pronuncia-sobre-video-de-aluna-hostilizada/ (matéria da Época sobre o caso)

http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/06/experimentos-em-psicologia-a-unanimidade-burra-de-solomon-asch.html (A Unanimidade Burra de Solomon, da imperdível série Experimentos em Psicologia do Blog Não Posso Evitar)

http://www.bullying.com.br/ (site sobre bullying)

http://www.riocomgentileza.com.br/ (Esse é para lembrar que Gentileza gera Gentileza)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

MÃE, É DIFÍCIL ARRUMAR UM NAMORADO?

"Mãe, é difícil arrumar um namorado?"

Estivemos viajando por dois finais de semana e o mundo parece vir aos pares. Da observação do romance alheio veio o comentário da minha menina. Comentário de certa forma preocupado!

Não sei se é difícil arrumar um namorado. Aliás, interessante a escolha da palavra. "Arrumar" o outro, creio que é impossível. Melhor que já venha pronto, ou que se aceite um pouco de bagunça....

Seja como for, gostar de alguém que também goste da gente é um pouco uma questão de sorte no que se refere ao encontro inicial. A partir daí, vem o cuidado com a relação. Que deve ser recíproco. Nem sempre é fácil ajustar os quereres, os espaços. O outro será sempre o desconhecido. Importante, acho, é jamais julgar uma relação atual por uma tristeza passada. E se é o amor quem nos encontra, e não o contrário, tratar ao menos de não se esconder.

Mas o principal ensinamento que eu quero que minha menina linda tenha em mente, é que antes de ser dois, precisamos estar uno. Inteiros. E que não é preciso um namorado para ser feliz. Ninguém é metade de nada. A quem falta um pedaço, falta também amor próprio. E este deve vir antes de tudo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

BRISA


Quando eu era pequena, o Dia da Criança não era uma data muito especial. Na verdade, para mim esse sempre foi o dia de Nossa Senhora Aparecida. Lembro-me mais da alegria que era viajar para o interior, ver meus avós e primos, do que de esperar por presentes. Era um dia de estar juntos, agradecer à Mãe.

Ao meio-dia, sempre o som dos fogos de artifício. Houve uma ocasião, já adulta, em que eu estava em um Parque Temático muito bonito. No Parque havia "o maior presépio animado do mundo", uma obra-prima feita por artesões, com bonecos articulados em tamanho natural, representando três cenas: a Anunciação, o cotidiano de uma cidade ou vila na época, e o Nascimento. Tudo ao som da Ave Maria. Nessa data, houve uma apresentação especial do Presépio ao meio-dia e foi um momento muito especial, uma epifania.

O Dia da Criança também passou a ser para mim o dia de comemorar o aniversário daquela que me ensinou o amor de mãe: minha sobrinha linda, que agora já é uma moça. Quando ela era criança, eu achava que não seria capaz de amar um filho tanto quanto a amava. Depois descobri que o amor se alimenta de si mesmo e é sempre maior quanto mais se ama. Ela foi a primeira criança da nova geração da família, e por trazer a todos nós tanta beleza e alegria, foi ela o nosso presente. Agora, é uma adolescente linda e (quase sempre) serena, e fico feliz de ver minha menina junto a ela. Minha sobrinha é muito distraída, fluida, e se intitula "Brisa". E assim ela é, vivendo com suavidade, tocando delicadamente a vida de quem tem a sorte de conhecê-la. E eu agora tenho também o desejo de aprender a passar pela vida assim, numa distração das coisas, para ver se a sorte me alcança num repente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DIA DE AÇÃO DOS BLOGS

Hoje é o Dia de Ação dos Blogs. O tema desse ano é o Clima.
O Dia de Ação dos Blogs é um evento anual que une blogueiros de todo o mundo postando sobre o mesmo tema, no mesmo dia. Cada um a sua maneira, impulsionando a discussão de um assunto de importância global.


Campanha TicTacTicTac – GCCA-BR

(reprodução do site http://www.tictactictac.org.br/)


A Campanha Global de Ações pelo Clima (GCCA, na sigla em inglês) é fruto de uma aliança inédita de organizações não-governamentais, sindicatos, grupos religiosos e pessoas que tem como objetivo mobilizar a sociedade civil e a opinião pública para que os governos se posicionem e estabeleçam metas ambiciosas e justas em prol de decisões concretas para combater as causas das mudanças climáticas e amenizar seus efeitos.

O objetivo da campanha é consolidar uma série de ações em diversos países, que culminarão em uma plataforma de orientações e reivindicações a ser apresentada durante a COP-15, realizada de 7 a 19 de dezembro de 2009, em Copenhague, Dinamarca. A campanha mundial GCCA está sendo implementada com prioridade em alguns países importantes para o êxito das negociações, ou seja, para que tais países tenham posições e compromissos mais efetivos e adequados para salvar o planeta da catástrofe climática. A lista desses países inclui Brasil, Japão, Canadá e Polônia (que preside o processo de preparação da COP antes de Copenhague).
No dia 29 de agosto, a GCCA lançou mundialmente a Campanha TckTckTck, uma contagem regressiva de 100 dias para a COP-15, que envolve mobilização massiva de todos para pressionar lideranças governamentais a assumirem um acordo justo e equitativo na COP-15.
A iniciativa busca conseguir do governo brasileiro um posicionamento mais firme e ousado na Cop-15, tanto assumindo compromisso concreto, quanto ampliando sua posição de liderança positiva. Para isso, a GCCA tem como objetivo facilitar a sociedade civil a assumir uma ampla articulação e organização pública no compartilhamento e disseminação de conhecimentos, rápida colaboração e metas para tornar a campanha uma importante ferramenta de participação popular nas determinações que serão adotadas na COP-15, em dezembro de 2009.
Entre os resultados previstos pela GCCA, está a criação de um abaixo-assinado, que documente e torne visível a mobilização e as demandas reunidas na GCCA. Esse gigantesco abaixo-assinado compilará as adesões do mundo e as assinaturas serão colhidas através do site ou através de abaixo-assinado em papel pela organização da campanha em cada país-sede e consolidados pela organização internacional da iniciativa.
A plataforma mínima do abaixo-assinado é composta por:
• Garantir que o aquecimento global ficará bem abaixo dos 2oC em relação à média histórica, estabelecendo metas e mecanismos para que, antes de 2020, comecem a decrescer as emissões globais de gases do efeito-estufa.
• Reduzir as emissões dos países desenvolvidos em pelo menos 45% até 2020, frente aos níveis de 1990.
• Estabelecer objetivos mensuráveis, verificáveis e reportáveis para redução substancial das emissões de países em desenvolvimento emergentes e em rápido crescimento econômico, viabilizados por medidas apropriadas a cada país.
• Apresentar medidas concretas de mecanismos e compromissos de aportes financeiros, para apoiar países em desenvolvimento na estabilização e posterior redução de emissões, e na sua adaptação às mudanças climáticas.
• Aprovar a criação de soluções e mecanismos de REDD (Reduções de Emissões Associadas ao Desmatamento e à Degradação Florestal), justos e aplicáveis a curto prazo.
• Promover a sustentabilidade e dignidade do desenvolvimento humano e a integridade dos processos ecológicos, mediante a transformação da economia e o fortalecimento da democracia.
Para saber mais:

domingo, 11 de outubro de 2009

LITTLE BEAUTY


Ela chegou até mim e pediu:

- Mãe, escreve pra mim aquelas coisas importantes? E o nosso lema?

Então, copiou tudo caprichosamente (esqueceu algumas letras no processo) e me entregou:

- Eu fico com o seu papel e você fica com o meu. E assim eu vou ser sempre uma filha belezinha, e você uma mãe belezinha.

Filha, você é mais que belezinha. Você é a beleza em sua forma mais pura. Quisera eu ser capaz de apenas lapidá-la, porque você já nasceu pronta.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

PARATY

E então, nós fomos.
Eu, ela e meu pai.
Levei minha menina para conhecer a cidade que mais me encanta. Paraty. Gosto tanto, que tenho ciúmes do sucesso ("hype" - detesto essa palavra) que a cidade anda fazendo....Escolhi um final de semana espremido entre um Festival e um feriado, mas ainda assim, a cidade estava cheia e em obras, Mas linda como sempre.
Minha lembrança mais antiga de infância é de Paraty. Lembro-me que dormia e que a água invadiu a barraca onde estávamos. Alguém me acordou, me pegou no colo. Havia a luz da lua e de risos. Contaram-me que quando isso aconteceu, eu tinha apenas um ano de idade.
Paraty me encanta porque é bela nos detalhes. É tanta beleza por todos os lados, que arrebata. Conversei muito com minha menina, aproveitando-me das belas metáforas que a cidade oferece. Falei a ela do Caminho do Ouro, expliquei o que é uma baía (a mais bela baía do mundo!), contei sobre Amyr Klink, falei sobre âncoras e velas... Até o calçamento pé-de-moleque da cidade foi um ensinamento, porque a melhor forma de caminhar sobre ele, é pelo meio - fugir dos extremos. Além do quê, ele nos obriga a caminhar com calma, e quem anda devagar, vê a beleza do caminho.
Gostei muito de reencontrar uma querida amiga, que reconstruiu a vida com muito sucesso em Paraty. Mulher guerreira, decidida. As amizades verdadeiras não se alteram com o tempo, e conversamos acompanhadas por um bom vinho enquanto minha menina se deliciava com o melhor sorvete do mundo. E antes de dormir, ela me olhou com os olhos brilhantes e falou: "este é o dia mais feliz da minha vida!".
Já havíamos estado em Paraty, eu e minha filha, mas ela não se lembrava. Essa reapresentação das duas - a cidade e a menina - e ainda junto com meu pai, foi também, para mim, um marco. O início de uma nova etapa. Permanecerão agora no passado, como lembranças, coisas findas que eu estava trazendo comigo. Aquilo que foi bonito, ficará, como Paraty, como um lugar a ser ser visitado. Talvez eu more lá um dia. Mas hoje, devo retornar e arrumar a minha casa.
Eu amo o mar. Essa ligação com o mar, minha menininha também tem. Saímos para passear de barco e quando olhei, ela estava com os braços e boca abertos para o vento. Disse-me:
- "mãe, estou comendo esse gosto de mar!"

É assim que quero ir de encontro à vida. De braços abertos, com todos os sentidos despertos, pronta para devorar a felicidade.


Para saber mais:

http://www.paraty.com.br/

http://viajeaqui.abril.com.br/indices/edicoes/conteudo_239811.shtml

http://www.viajenaviagem.com/2007/06/paraty-por-christopher-hitchens

PARA TI

Quero ler Amyr Klink para minha filha um dia. Quero que ela leia seus livros. Mas, principalmente, quero que ela vá, e veja por si mesma.




"Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver".

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

BEING BORING

Setembro não foi um mês fácil. A inspiração para novos textos está muito melancólica. Todavia, eu acredito no lema que ensinei à minha menina de cachos: viver é muito bom!
Encerro, portanto o mês de setembro com uma música. Não é, talvez, uma obra que será eterna e sei que o pop não tem a beleza da música clássica, do jazz, da bossa nova e de tantas canções que ouço e ainda irei ouvir e compartilhar com minha pequena. Mas essa é uma das músicas que eu mais gosto, e minhas predileções por música, livros, filmes, transcendem a qualidade e acabam sendo muito pessoais. Nesse caso, ela é especial porque, primeiro, foi inspirada em uma frase dita por Zelda Fitzgerald, esposa do escritor que eu mais gosto, F. S. Fitzgerald. Outra coisa que acho importante a respeito dessa canção é que a dupla é gay. E se tem algo que quero ensinar à minha filha, é a tolerância e o respeito às diferenças individuais.
A letra da música fala da passagem do tempo, de perdas, mas também de conquistas. E fala especialmente de amizade, que é um tipo superior de amor.
Aos meus amigos, portanto!




(recomendo que procurem e assistam ao video original, que foi dirigido pelo fotográfo Bruce Weber e é belíssimo.)

Para saber mais: http://www.10yearsofbeingboring.com/

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO


Hoje é meu aniversário. Tenho em meus braços meu melhor presente. Aquela que me faz desejar o futuro.


(de presente para vocês, uma foto de nós duas)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

NAVEGAR É PRECISO

Eu tenho um livro de poesia da Cecília Meireles em que logo na primeira página está escrito: "Gostaria que pertencesse à minha filha, um dia". Embaixo, a data - do ano em que eu nasci. Acho muito bonito essa esperança da minha mãe, de que eu herdasse o livro e o gosto pela poesia. O que aconteceu.

Eu também quero deixar para a minha menina livros e o prazer da leitura. Começo pela minha edição da obra completa de Fernando Pessoa. Seus versos me acompanham há muito tempo. E há um do qual me lembrei hoje:

"viver não é preciso"

Se falta à vida a precisão da navegação, sobra, contudo, espaço para mudanças, improvisos, surpresas. Não tenho a carta náutica que dê a direção a seguir. Mas tenho a esperança a me dar um norte. E também outros versos do poeta para navegar:

"Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu".

(Existe uma discussão a respeito do sentido da frase do poema de Fernando Pessoa. Preciso de precisão ou de necessidade? A frase original em latim foi dita pelo General romano Pompeu para incitar seus marinheiros à guerra e fala que viver não é necessário. Pessoa diz que viver não é necessário, o que é necessário é criar. Mas eu acho que a obra foi além desse significado primeiro (e acho também que viver e dar um significado à vida é sim, uma necessidade). Seja como for, a ambiguidade torna o poema ainda mais bonito. Aceito críticas e comentários!)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE GRIPE SUÍNA

Minha menina de cachos e as gêmeas vieram para casa cantando uma nova música que aprenderam na escola:

"Sem abraço,
sem beijinho,
Sem aperto de mão.
Isto é apenas
Uma proteção"

Poderia ser engraçado, mas é triste...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O VERDADEIRO SEGREDO

Hoje minha menina chegou até mim trazendo nas mãos um papel rosa bem dobrado.
Disse-me para abrir que ali dentro havia um segredo.
Abri. Nada havia no papel.
Ela então falou:
- O segredo é "nada". O segredo é o amor, e ele está dentro de você.


(Quem quiser me enviar bons pensamentos, vibrações, orações, preces ou mesmo um colo, estou aceitando!)

domingo, 6 de setembro de 2009

MAS AS COISAS FINDAS...

Poema lindo, que serve para todos os tipos de amores.
De amantes, de amigos, de pais e de filhos.
Amores vividos, amores nunca findos. Amores que ficam.

MAS AS COISAS FINDAS, MUITO MAIS QUE LINDAS, ESSAS FICARÃO
Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

AMOR(A)

Tem tempo. Uns quinze anos, talvez mais. Fui passear com minha mãe na casa de parentes em uma cidade próxima. Na volta, paramos em um lugar lindo, cheio de árvores, plantas, flores. Minha relação com a natureza sempre fora de admiração e respeito - à distância. Não sei cuidar do verde, me atrapalho com quantidade de água, exposição ao sol... Amor platônico. Fico naquela contemplação muda e procuro casas alheias ou espaços públicos para satisfazer minha grande necessidade do verde. Ganhar flores também me faz feliz.

Naquele dia, fiquei encantada em conhecer um lugar onde se sabia tudo de paisagismo! Deslumbrada em conhecer estufas, viveiros. Tudo tão lindo! Na saída, ganhei uma árvore. Na verdade, uma muda de amoreira. Lembro-me bem de plantá-la. Mas o tempo foi passando e minha árvore se desenvolveu lentamente. Fui viver em outros lugares, voltei, fui de novo... Tantos caminhos. E minha amoreira sempre tímida, de poucos frutos.

Mas nesse ano, eu e minha menina vivendo juntas pelas primeira vez nessa casa, a amoreira cresceu como nunca. Encheu-se de flores. Pariu borboletas, amarelas, prateadas.
E está dando frutos, muitos frutos. Doces, que atraem pássaros e deixam marcas quando caem. Minha menina colhe amoras comigo. Lindas, a menina e a árvore. Olho e sei que antigos ensinamentos são muitas vezes sábios.
Mesmo quando a espera nos parece longa, aquilo que fazemos com amor rende bons frutos.
Para saber mais:

domingo, 23 de agosto de 2009

A FILHA QUE EU SEMPRE QUIS TER

Só quem tem (ou teve) criança em casa pode verdadeiramente compreender o verso:
"Hoje eu quero a paz de crianças dormindo"
Porque criança é um nunca cessar de atenção, ruídos, sustos e alegrias. Minha menina de cachos está o tempo todo se movimentando. Até televisão ela assiste ora de cabeça pra baixo, ora pulando, ora correndo...Acho que vem do contraste o absoluto encanto que sinto ao vê-la dormir tão serena.
Quando dormimos juntas, ela gosta que eu segure o seu pezinho. E quando ela está acordada e pensa que eu estou dormindo, me faz carinhos no rosto e cabelos, assim como eu faço para que ela durma. Se ela pensa que acorda antes de mim, beija meu rosto com muito carinho, cheia de cuidados para não me despertar.
Ela dorme. E eu posso sentir o seu cheirinho de criança feliz. Observar seus traços perfeitos (para quem nunca viu, acredite: minha filha é linda!). Nestes momentos de quietude, existem em mim paz e felicidade. Mas nada me causa mais júbilo do que as noites em que sou acordada por suas gargalhadas. Ela ri em seus sonhos, e eu sei então que devo estar no caminho certo...
(Sempre choro ao ouvir essa música:)


domingo, 16 de agosto de 2009

ÂNCORA E VELA

Segue um belo, muito belo, poema. Pedi e obtive autorização do autor para publicá-lo aqui no blog. E vou sempre me lembrar da noite linda em que li esse poema pela primeira vez.

Eu prefiro as velas. Um porto. E um farol.

E você?

ÂNCORA E VELA
Roberto Marinho Guimarães

Há quem seja
Na vida da gente
Âncora
Ou vela.

Optamos pela âncora à vela
Na maioria das vezes.

Âncora sugere segurança.
Vela, desafio.

Âncora detém
Na linha d’água
Morta a esperança

Vela mantém
No paradoxo da incerteza
O amadurecimento da alma,
A satisfação de viver e
Não permitir que, ao largo, a vida passe.

domingo, 9 de agosto de 2009

AUSÊNCIA

Entre meus livros - e filmes - preferidos, está "Fim de Caso" (The end of the affair), de Graham Greene. É uma obra muito bonita e também triste e eu gosto da maneira como Greene aborda a questão religiosa. Há no livro uma frase que me veio à mente nos últimos dias:
" People can love each other without seeing each other, can't they? (...)" ou "As pessoas podem amar sem se ver, não é?(...)"

Deixando de lado o livro e o filme (recomendo ambos), ando às voltas com esta questão. Sim, é possível amar sem ver, mas de pertinho é bem melhor! As pequenas alegrias do convívio diário trazem aos relacionamentos uma cumplicidade que a distância não permite. Gostaria que meus amores estivessem todos perto o batante para que um telefonema fosse o suficiente para alcançar e chegar. Quem se ama, queremos ao alcance dos olhos, da mão, de todos os cinco sentidos, enfim! E a saudade? Ah, como dói a saudade!

Desta vez foram duas semanas. Longe da minha menina. Nos falamos todos os dias pelo telefone. Eu a vi pela webcam e não pude arrumar seu cabelinho desalinhado. Algumas vezes, ela chorou (e eu também).
Sua vozinha me contava coisas que eu não vivi ao lado dela e foi uma delícia escutar a sua versão dos fatos mais importantes do cotidiano. Não sei qual foi o noticiário local nesses dias, mas soube quais foram as brincadeiras mais divertidas, os amigos que apareceram em casa e como a gatinha e a cachorra passaram seus dias. Também soube que ela foi dormir com meu pai e gostou do sabor da pasta de dentes.
A ela também não contei dos lugares em que estive, do filme a que assisti, dos dias de sol iluminando lugares lindos. Não contei da lua cheia brilhando sobre o mar. Mas contei, a cada dia, um detalhe da surpresa que ela iria ganhar quando eu chegasse. Brincamos de adivinhar, fizemos cócegas uma na outra à distância e contamos "1, 2, 3 e já!" para desligarmos juntas o telefone.
Fui feliz nesses dias, apesar da falta que ela me fez. E já sinto saudades do que agora está longe.
O vazio tem ocupado muito espaço em minha vida ultimamente.

terça-feira, 14 de julho de 2009

PLURAL

Pessoas são como paisagens. Existem em todas as formas.

Eu gosto de heterogeneidade. Acho que tudo o que é diferente de nós, acrescenta. Quando vivíamos na Ilha, eu me preocupava porque minha filha convivia com pessoas muito semelhantes a ela em tudo. Minha menina agora conhece pessoas de todas as cores, religões, classes sociais. Conhece, convive e gosta. Este é um dos motivos, aliás, pelos quais prefiro as pequenas cidades às grandes. Paradoxalmente, nas grandes cidades, as pessoas tendem a conviver em guetos, sem se misturarem. E o medo do diferente tem levado ao isolamento dos condomínos fechados, à vida estéril e ilusória de crescer protegido de realidades distintas. No interior, ainda existe a possibilidade do convívio com o outro que não se assemelha a mim. Eu gosto de praças, gosto das regiões centrais, gosto das praias onde todos se encontram e estranhos podem se tornar amigos. Quem teme o diferente, é porque não se acostumou a conviver com ele. O que recebemos de novo, nos acrescenta e nos impulsiona.
Igual é mais do mesmo. E eu quero ir sempre além.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

AMPULHETA

A infância é um ponto de exclamação. Crescer é tornar-se para sempre uma interrogação.

Só se sabe tudo quando se é criança. Melhor ter medo da escuridão do que tê-lo do futuro! Tenho saudades de quando os dias eram longos e a vida, infinita...

Ao longo da nossa história, o importante é saber escolher, direito inalienável. Somos sempre inacabados. Empenhemo-nos, portanto, na tarefa de viver e fazer escolhas, cuidando para saber reconhecer aquilo que é essencial. É no caminho, na estrada, onde iremos encontrar (ou não) a felicidade.

Neste momento, só tenho de meu os sentimentos. Não possuir nada me torna livre, e paradoxalmente, me limita. Estou procurando, ainda, alcançar o meu lugar. Será que um dia paro de procurar, e encontro? Estou certa que não. Viver é sempre uma nova pergunta.

terça-feira, 7 de julho de 2009

"AS COISAS LINDAS SÃO MAIS LINDAS QUANDO VOCÊ ESTÁ"


Neste final de semana fui a um casamento.
A cara dos noivos, como tem que ser. Muito bonito, e também inusitado. Teve até votos de "sexo sem pudores" e um beijo gay no meio da pista de dança, já tarde da noite. Algumas pessoas ficaram chocadas, outras surpresas, outras, ainda, acharam tudo muito normal.

É muito bonito quando família e amigos se reúnem para desejar felicidades a um casal. Tenho a certeza que tantas vibrações positivas acabam, sim, acrescentando ao menos um pouquinho a mais de alegria à vida do novo par. A maior responsabilidade é deles, mas tanta gente junta querendo o bem algum resultado positivo há de dar...Eu fiquei contente por estar lá, entre tanta gente querida, partilhando comida, bebida, música e risos.

No fim da festa, minhas sobrinhas gêmeas de seis anos conversavam. A loira diz:

- Sabia que os números são infinitos? Infinito é coisa que nunca acaba, como o amor.

A morena, assertiva:

- Ah, não! Como o amor, não! O amor, às vezes acaba...

Minha menininha de cachos não se ligou muito na cerimônia ou ponderou sobre o amor. Quando perguntei sobre o que ela mais gostou, respondeu prontamente: da piscina e de brincar! E me perguntou se poderá levar a cestinha com as alianças quando eu me casar, visto que ela foi dama de honra em outra ocasião e gostou bastante! Como deve ser aos cinco anos de idade, não está ainda interessada em romances.

Mas eu sou mais complicada que minha menina. Menos romântica que minha sobrinha loira, tendo a concordar com a morena. E me peguei, mais uma vez, pensando nas belas palavras de São Paulo sobre o amor, lidas pela irmã da noiva na cerimônia:

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

Devia ser simples, o amor... Mas não é! Não é fácil, nem perfeito e nem sempre feliz. Mas é bom, ah, se é! O amor é sempre o todo, inteiro. Pleno ao se bastar em si mesmo. Porque não se deve amar esperando retribuição, embora, contraditoriamente, eu não acredite em amor não correspondido. Relacionar-se é sempre uma troca.
Amar verdadeiramente é mais raro do que deveria ser. Mas por isso mesmo, merece todo o cuidado e vale sempre a pena ser vivido plenamente.
"Tarefa pra gente grande, tanto quanto pode ser o coração de quem ama".



quarta-feira, 1 de julho de 2009

SERENDIPITY

Na minha vida, existem momentos que se aproximam daquilo que na língua inglesa se chama "serendipity", quando algo valioso que não está sendo procurado é descoberto. Quando ocorrem, sinto-me absolutamente feliz.

Esta experiência de felicidade total me aconteceu muitas vezes, mas é sempre inesperada. De repente, me dou conta que sou plenamente feliz. Nada me poderia ser acrescentado. Descubro subitamente coisas preciosas que estavam veladas. Percebo que minhas escolhas me trouxeram àquele instante e não importa o que me aconteça, é a minha maneira de reagir que vai determinar como isso me afeta.

Tenho a capacidade de reconhecer estes instantes quando acontecem e o cuidado de guardá-los na memória para sempre. Embora efêmeros, posso sempre recorrer às minhas lembranças para ter a certeza de que, logo ali, a felicidade total vai me encontrar novamente.

Procuro ensinar minha menina a reconhecer e a reter estes acontecimentos. Nas vezes em que estes presentes da vida acontecem quando estamos juntas, digo a ela para sentir a felicidade completa daquele momento. Em seguida, observar tudo ao redor: quem está lá, as cores, os sons, os cheiros. E então, fechar os olhos e guardar tudo, pra sempre. E o mais importante: agradecer a Deus.

Mas, pensando melhor, acho que as crianças sabem melhor do que ninguém o que é serendipity. Porque elas têm sempre este olhar de espanto para a vida, que lhes permite ver como novidade o cotidiano que as cerca. Por isso, estão sempre fazendo descobertas. Eu sei que, ao longo das lições da vida, perdi algo do meu assombro ao olhar o mundo. Mas tenho os olhos da minha filha para me lembrar de continuar a enxergar o encanto nunca findo da alegria que é viver.

terça-feira, 30 de junho de 2009

THE BEST IS YET TO COME

A música é antiga, mas eu tenho uma alma velha...
E Frank Sinatra é uma de minhas lembranças mais antigas de infância.

The best is yet to come - eu acredito!

(Aliás, são essas as palavras gravadas no túmulo de Sinatra).


"Out of the tree of life, I just picked me a plum
You came along and everything started to hum
Still its a real good bet, the best is yet to come
The best is yet to come, and baby wont it be fine
You think you've seen the sun, but you aint seen it shine"


terça-feira, 23 de junho de 2009

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO



Este blog está fazendo um ano.
As mudanças correram mais que o tempo.

Muita coisa se perdeu pelo caminho, mas aquilo que conquistamos não nos será jamais tirado: nossa liberdade mútua.
Aos trancos e barrancos, com muito choro (dela e meu), superando medos e acreditando sempre, estamos agora mais unidas, mas também, independentes. Especialmente eu dela. Meu amor é agora mais maduro e, quero crer, a conduz melhor pelos caminhos da vida.

Nunca fiz promessas de Ano Novo. Aquilo que decido, realizo agora (ou tento). Mas aproveito a ocasião para quebrar o paradigma... Desta vez, tenho alguns desejos para o ano que virá. Quero mais estabilidade, pra mim e pra minha menina. De temperamento, principalmente, porque sou muito passional! Pretendo conquistar mais serenidade. Recriar a cada dia a alegria da vida, tendo porém, o conforto de saber que o amanhã não trará muitos sobressaltos. Quero a felicidade calma e a "sorte de um amor tranquilo". Não estou, porém, me furtando às aventuras e surpresas! Afinal, foram o inesperado e novo que me trouxeram o melhor deste ano que passou.

Eu e minha menina passamos por muita coisa, e de tudo ficou a lição: "lar é onde seu coração está".

sexta-feira, 19 de junho de 2009

EXPECTATIVAS


Nunca quis alguém pra suprir minhas expectativas. Estava em busca do encanto de descobrir necessidades que nem eu soubesse que tenho.
Não espero nada. Quero ser surpreendida. Olhar para ele e reconhecer não a mim, mas o outro. Amar as diferenças. Para construir juntos um plano de vida que se amolde ao novo de cada dia.
Sendo dois, mantendo a nossa individualidade, o que nos une é o que temos de único.
Juntos, estamos em equilíbrio
Pois é no outro que vou encontrar aquilo que não existe em mim.

MÁSCARAS

Olhando a foto de minha filha e seus colegas de classe, o que me encanta são as diferenças. Cabelos de todas as cores e tipos. Diferentes tons de pele e de formas de corpo. Cada criança diferente da outra, reconhecível em sua individualidade. Por que crescemos e queremos nos tornar iguais? Os esterótipos de beleza são vazios porque lhes falta o encanto do único.

Em casa, são três crianças quase da mesma idade. Todas lindas. Uma, loira de olhos azuis. Rosada e lânguida. Outra (gêmea dessa!), tem os cabelos e olhos pretos, a estrutura sólida. Minha menina tem os cabelos e olhos castanhos e é atlética e cheia de energia. Todas são e se reconhecem lindas. No entanto, já começam a perceber a uniformidade entediante do mundo dos adultos, a pressão pelo ser igual através do consumo. Minha atenção é toda no sentido de evitar que minha filha linda e única cresça buscando padrões impostos por quem não sabe nada daquilo que a faz especial.

Mas não quero proteger minha criança somente da máscara exterior dos padrões de beleza. Quero que ela cresça segura de suas opiniões, de seus valores, e aprenda a se mostrar ao mundo de cara limpa. Saiba se expressar com verdade e ter orgulho de quem é e de seu caminho. E mais ainda, aprenda a reconhecer e descartar as máscaras alheias.

(Esse post foi inspirado pelo texto abaixo, escrito por um homem muito talentoso, verdadeiro e especial naquilo que tem de único:

Nunca gostei e sempre tive medo de palhaço e de Papai Noel. Mais tarde, descobri que sentia o mesmo em relação a Carnaval. No período cruel da afirmação, da ditadura da adolescência, sofri o desconforto dos estereótipos. Hoje, aliviado, vejo que tinha razão: na verdade, não gosto mesmo é de máscaras, menos ainda, de quem se esconde por trás delas! )

sexta-feira, 5 de junho de 2009

HERANÇA

Meus defeitos são maiores e mais numerosos que minhas virtudes. Por isso, desejo que minha menina seja (muito) melhor do que eu.

Mas há algo que eu gostaria que ela herdasse de mim: a capacidade de acreditar, sempre! Sou incuravelmente otimista. Amo a vida em seus pequenos detalhes, e uma borboleta que passa é capaz de desviar minha atenção do mais insolúvel dos problemas. Eu jamais pensei "ah, eu era feliz e não sabia"... Porque cada instante me é precioso e procuro não desperdiçar a oportunidade de dizer a quem me é querido: eu amo você!

Sim, eu sou intensa e sofro infinitamente...por breves instantes. Jamais uma tristeza ocupa todos os meus pensamentos. Vejo oportunidades nos problemas e acredito em milagres. Tenho fé, sempre!

Lembre-se assim de mim, filha! Sorrindo, e acreditando. E não confie em que lhe disser que amar faz sofrer. Ame, ame sempre, e muito. Amigos, família, seu trabalho, um parceiro. Deus. A vida!
Não há limites para quem não se impõe limites!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tão longe, tão perto

Faz bem pouco tempo, eu sabia exatamente quantas horas eu havia passado longe da minha filha em seus quase cinco anos de vida.
Faz bem pouco tempo, eu havia dormido longe dela apenas uma vez. Faz bem pouco tempo, eu sabia o que havia acontecido em cada minuto do seu dia. Faz bem pouco tempo, ela era a única razão da minha felicidade.
Faz bem pouco tempo, porque havia colocado sobre os ombros pequenos da minha menina toda a minha vida, eu não era uma boa mãe.

Agora, há dias em que só nos vemos à noite. Eu já viajei sem ela, e foi muito bom. Ela dorme longe de mim às vezes, e gosta. Ela se troca sozinha. Já não sei mais tudo sobre ela. Hoje, ela é a melhor parte da minha vida, e eu da dela. Mas eu sei que ela não é um pedaço meu.
E por isso, agora nós duas podemos ser inteiras.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Pipas no céu de abril

Céu azul.
Deitada na rede, observo, à luz da luminosidade de abril, minha menina na piscina.
Ela e as gêmeas brincam, no mundo à parte que as crianças felizes sabem construir. De vez em quando, ela me olha e sorri.

A localização privilegiada da chácara onde estamos permite ver ao longe a Basílica Nacional. A Mãe nos observa e cuida de nós à distância, assim como eu faço com minha filha. Amar é isso: cuidado, mas com liberdade.

No alto, bailam pipas coloridas. E penso que é assim minha relação com minha criança: quero impulsioná-la para que ela voe cada vez mais alto. Livre, feliz. Mas ainda ligada à mim. Por um fio delicado, sutil, quase invisível. Mas que saberá guiá-la e orientá-la vida afora.

O Amor. Simples assim.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

De pai para filha

Segue lindo texto que fui autorizada a postar no blog. Palavras de um pai para sua filha.
O autor me é muito, muito querido...

"TEMPO

Logo, logo, você se ocupará de um conceito que, no momento, não lhe despertará atenção: o da relatividade. Uma nova dimensão será acrescentada àquelas que você percebe naturalmente e nem se dá conta: o tempo! Chegará o momento em que vai perceber que é inútil medi-lo, quantificá-lo, qualificá-lo, exceto para aprender a lidar com ele conceitualmente.

TEMPO NUNCA É DEMAIS, POUCO OU BASTANTE. TAMBÉM NÃO É PASSADO, PRESENTE OU FUTURO. TEMPO É! Isso mesmo: É!, sempre É! Assim, o meu tempo não se confunde com o seu que também não se confunde com o de ninguém, mesmo que coexistam. Nesse contexto quero dizer que SER SIGNIFICA ENTENDER O TEMPO. Portanto, não adie seus sonhos, planos e projetos por causa do abstrato e falso conceito de que o tempo possa ser fracionado e NÃO SEJA MENOS DO QUE O TEMPO LHE PERMITE SER.

Sinto imensamente a sua falta. Gostaria de tê-la por uns instantes para aquietar meu coração, confortar o meu espírito e "lembrar" que fui merecedor de um PRESENTE que me desperta para outra dimensão - esta sim! - de difícil compreensão racional, lógica. Olho para você e vejo um MILAGRE, como quem vê uma nuvem ou uma rocha e não se surpreende. Esse é o lado perfeito da fé: crer e prescindir de indagação."

segunda-feira, 16 de março de 2009

Quando não estamos juntas

Não só os momentos que vivo com minha menina constroem a nossa história. Aqueles em que estamos separadas também.

Adoro nossos momentos antes de dormir, quando ela me conta sobre o seu dia na escola, sobre suas brincadeiras e descobertas.
E eu também gosto de contar para ela sobre os momentos bons que eu tenho quando não estamos juntas.
Quero lhe contar sobre como é bonita a luz do sol sendo filtrada pelas folhas das árvores. Contar sobre a paisagem que vejo pela janela. Dizer o quanto gosto de viajar ouvindo música, e quais são as músicas que gosto.
Como é bom ter amigos de verdade e poder contar com eles.
Bom jogar conversa fora e dar risada.
Bom trabalhar e ver o resultado.
Bom ser livre.
Mas o melhor da minha vida, neste momento, é voltar para casa e encontrar minha filha!

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