"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TREINO


Ela veio e disse:
- Mãe, eu já nadei bastante com bóia para treinar. Se eu tirar eu consigo nadar sozinha.

Eu, meio com medo, vigiando de perto, deixei. E não é que ela foi? Nadou sozinha, engoliu água, mas não desistiu. Desde aquela tarde, ela não colocou mais as bóias (e eu não consegui mais fechar os olhos para tomar sol...)

Eu também sou uma bóia na vida dela. Sei que chegará o dia em que ela irá mergulhar sozinha e nadar em seus próprios mares.

E então, eu serei o seu porto.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

AMOR, MÚSICA E POESIA

Começou antes de começar, em uma conversa. Eu disse que estava ouvindo uma música, falei um trecho. Depois mandei o vídeo, ele copiou. E deixou outro para mim.
E assim, ele começou a me contar por músicas o que sentia. Dizer nas entrelinhas. Cada dia um vídeo novo. Às vezes mais de um. Eu respondia da mesma forma. Nossas canções conversavam entre si. Ao invés de termos "a nossa música", tivemos toda uma trilha sonora, linda.

Às vezes, ouvir essas músicas é como cantou Herbert Vianna; "cada canção de amor abre a ferida". Mas na maioria das vezes sinto-me cúmplice das palavras e melodias, dona de um segredo bonito. Foram meus aqueles sons, aqueles sentimentos e aquela história, que agora se mistura a outras para formar o grande mar que é minha vida.

Também ganhei alguns poemas dele. Divido um deles com vocês:



Aquí te amo.
En los oscuros pinos se desenreda el viento.
Fosforece la luna sobre las aguas errantes.
Andan días iguales persiguiéndose.

Se desciñe la niebla en danzantes figuras.
Una gaviota de plata se descuelga del ocaso.
A veces una vela. Altas, altas estrellas.

O la cruz negra de un barco.
Solo.
A veces amanezco, y hasta mi alma está húmeda.
Suena, resuena el mar lejano.
Este es un puerto.
Aquí te amo.

Aquí te amo y en vano te oculta el horizonte.
Te estoy amando aún entre estas frías cosas.
A veces van mis besos en esos barcos graves,
que corren por el mar hacia donde no llegan.

Ya me veo olvidado como estas viejas anclas.
Son más tristes los muelles cuando atraca la tarde.
Se fatiga mi vida inútilmente hambrienta.
Amo lo que no tengo. Estás tú tan distante.

Mi hastío forcejea con los lentos crepúsculos.
Pero la noche llega y comienza a cantarme.
La luna hace girar su rodaje de sueño.

Me miran con tus ojos las estrellas más grandes.
Y como yo te amo, los pinos en el viento, quieren cantar tu nombre con sus hojas de alambre.


Todas as músicas, de mim para ele e dele para mim, aqui . Fiz um blog só para a nossa trilha.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

UM POEMA PARA MIM

Até chorei...
Nos comentários do meu texto anterior, ganhei um poema todo meu, feito pela linda (por dentro e por fora) Débora do 3 x 30 - Solteira, Casada, Divorciada.
Uma poesia bonita e verdadeira, convidando a viver de maneira plena e a dar espaço ao inesperado e às pequenas coisas (que são as mais importantes).
Mereceu um post!
Obrigada, Débora, por tanta gentileza! Continue assim. O-Negai Shimasu!

Menina

Poesia é o que tá lá fora
Longe do mundo das letras
O que não se diz em palavras
Um beijo roubado
Um olhar apaixonado
A gargalhada da sua menina de cachos
(Ou ela a conversar com o vento)
Um bom prato de comida
Um tombo no mar
O rir da vida

Se ainda assim
Queres um versinho
Te mando essa coisa estranha
Mas repleta de carinho

(Débora)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A RODA DA FORTUNA

Hoje estou triste porque ninguém nunca me escreveu um poema.

Começo onde termino. Uma vez li esta frase em um livro, e não a esqueci. Estou de volta ao mesmo ponto. Tenho a sensação que minha vida deu um giro de 360º. Volto a ser assombrada por dores antigas, revividas pelo que devia ser novo mas desnudou-se em um lugar já visitado.
Continuo buscando o caminho da mudança, enquanto me esforço para voltar a viver segundo os axiomas que me guiavam. Mas talvez meu conhecimento estivesse apoiado em mentiras sobre a vida e sobre mim mesma. Que sou mais frágil do que pensava ser.

(Contudo, tenho sempre comigo, dentro da carteira, uma carta de amor.)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DE EVA A GEISY

A culpa é sempre das mulheres. Como cantou Rita Hayworth em 1946 no filme Gilda, "put the blame on mame".
Mas estamos em 2009, e a moça do vestido curto foi expulsa da universidade. Em nome da "ética", "dignidade" e ""moralidade". Geisy, com seu vestido rosa, ao mesmo tempo Eva e a maçã dos tempos modernos, expulsa para proteger os outros alunos da sua sexualidade provocadora.

Segundo anúncio publicado em jornais, a direção da universidade alega que "a atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar." O mesmo argumento que estupradores, assassinos em nome da honra, apedrejadores e outros criminosos e tiranos usam há séculos para justificar atrocidades contra mulheres: "Ela provocou".
Ao alegar que o problema foi a atitude da moça, mais que sua roupa, os responsáveis pela universidade parecem se esquecer que os outros alunos, adultos, sãos, poderiam aceitar ou recusar o "oferecimento" da moça, não precisando de proteção contra a sexualidade alheia. Protegida deveria ter sido a moça contra os insultos e agressões que sofreu. De homens e mulheres, também incomodadas - ameaçadas?

Quando escolhemos uma roupa para vestir, passamos uma mensagem. Devemos, portanto, ter o cuidado de transmitir aquilo que desejamos, seja ao usar minissaia ou burca. No caso da Geyse, a atitude e as roupas estavam em sintonia. Uma moça que se acha bonita, segura do seu poder de atração, que se veste dessa forma. Eu acho que ela está certa. Quem se sente ameaçado por ela deve procurar em si as causas desse desconforto. Talvez não tenha a mesma segurança que ela em relação ao seu próprio corpo. Ou, como se viu, não saiba controlar seus impulsos.

Espero que esse não seja o fim desse caso e que os agressores e a universidade sejam punidos por tanto sexismo e preconceito. Mais ainda, espero que ao crescer minha menina não seja prisoneira do seu corpo e refém da vontade alheia.

(Quando eu tinha uns 16, 17 anos, tive um vestido bem parecido com o da Geysi. Vermelho. Fazia o maior sucesso!)

UPDATE: O Reitor da UNIBAN informou que revogou a decisão do conselho que expulsou Geisy e dará "melhor encaminhamento à decisão."

Excelente texto:


Are you decent? trecho do filme Gilda

terça-feira, 3 de novembro de 2009

COMIDA PREFERIDA: MINHOCA FRITA

Dia desses, saindo com a minha menina de cachos da escola, encontramos meu pai. Bem próximo a onde ela estuda, há um Restaurante Vegetariano com tendências boêmias. As cervejas de diversas procedências atraem um público não tão interessado em vida saudável e meu pai chegava para uma happy hour. Claro que ela correu para junto do avô e nós duas nos integramos à turma.
Sendo um restaurante que não faz pratos com produtos de origem animal, os petiscos fogem do tradicional. O dono sugeriu, pra começar, um tal "torresmo vegetariano", feito com gergelim e não-sei-mais-o-quê. Quando o aperitivo chegou à mesa, parecia, na verdade, minhocas fritas. E foi isso que dissemos, de brincadeira, à minha menina. E não é que ela não só acreditou, como comeu e adorou? Gostou tanto que foi à cozinha pedir ao "tio" mais uma porção.

Além de engraçado, achei legal esse lado gourmet destemido dela. Eu sempre a ensinei a experimentar, mas não pensei que ela fosse capaz de ir tão longe! E chegando em casa, minha filha foi logo anunciando:

- Agora minha comida preferida não é mais camarão. É minhoca frita!

Que ela continue assim, sem medo de tentar novas experiências. Pois hoje foi ela quem me lembrou que podemos ser surpreendidos com algo muito bom justamente de onde menos se espera.

E da próxima vez que a vida me oferecer algo estranho, vou arriscar experimentar....

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