Atrás de mim, um homem filma tudo. Aliás, filmou sem parar a viagem inteira. Infelizmente, acho que ninguém irá aguentar ver o filme todo, longuíssimo...Chato!
Minha menina pula de banco em banco, ora conosco, ora com a teacher, ora com os amigos... Um conjunto regional entra e toca algumas músicas. Mas logo o balanço suave e o barulhinho ritmado começam a fazer efeito. Ela, que dorme no carro em qualquer passeio que dure mais que alguns minutos, começa a se encostar, os olhinhos lutam para ficarem abertos. Ela fala:
- Quanto mato, né, mamae?
E dorme.
Realmente, pela janela passam lindas paisagens verdes, meio encobertas pela neblina. Nem parece final de setembro! Está um dia típico de inverno e ao passarmos lentamente pela cidadezinha no mais alto da serra, parece que o trem nos levou para o passado, em outro país... Tudo está envolvido pela névoa branca, não há carros nas ruas e as poucas pessoas que passam estão com pesadas roupas de inverno. Enquanto o trem passa apitando, todas acenam e sorriem. Das casas, saem crianças com bochechas rosadas de frio, que pulam dando tchau!
O trem deixa a cidade e continua sua viagem por entre a natureza. Passamos por pontes e túneis.
Minha menina dorme...
Perto do meio-dia, chegamos à nossa parada para o almoço. Meio desorientada, minha filha acorda, olha em volta, sorri...