"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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quinta-feira, 31 de março de 2011

A DANÇA

"Este é o dia mais feliz da minha vida!"
Já ouvi isso muitos vezes. Acompanhada por gargalhadas, pulos e palmas, essas declarações me mostram que minha menina é feliz.

Estávamos estudando quando começou a chover. Dessa vez, era uma tempestade. Raios, trovões e recorde de chuva. O barulho das pedrinhas me alertou, e eu a chamei para ver a novidade. Na varanda, nem precisamos chegar até o portão, o gelo empurrado pelo vento caía aos montes perto de nós. Ela recolheu um, outro, encantada com a primeira vez em que pegou granizo com as mãos. Entrei por uns minutos, e logo ouvi sons diferentes: era ela, que atraída pelas águas, pulava nas poças. Olhou-me entre desafiadora e tímida. Não pude resistir, e a incentivei a continuar. 

E ela, dançando, estendeu sua infância até me encontrar.


Este é o dia mais feliz da minha vida.


domingo, 15 de agosto de 2010

NA RODA DA VIDA



Ano passado, foi a apresentação de balé. Roupas delicadas, ambiente refinado. Minha menina gostou de colocar roupinha de "boneca", de se maquiar. Gostou dos preparativos. Na apresentação, era importante que todas estivessem iguais, fazendo os mesmos movimentos. Platéia lotada de famílias orgulhosas. Um espetáculo para os que assistiam.

Esse ano, batizado na capoeira. Em poucos minutos, estava pronta. Calça e camiseta brancas, largas, confortáveis. O batizado foi na Academia. Música ao vivo, cantada por todos, tradicional. Muitos alunos, muitos professores, alguns mestres. Mas pouca platéia. Na roda, alegria de quem se apresentava. Um aluno e um mestre, iguais naquele momento do jogo. Dialogando em seus movimentos, um tentando surpreender o outro. Quando alguém faz algo inesperado, é aplaudido. Em volta, outros alunos e mestres não perdiam um movimento. A música marcando o ritmo, todos cantando. Um espetáculo para os que participaram.



Fico feliz que minha filha prefira aquilo que faz seus olhos brilharem mais do que os de quem assiste. Pois também na vida temos a escolha de sermos originais ou iguais. Fazer o espetáculo para a platéia, ou para nós e nossos parceiros. Olho no olho. Porém, sem nunca se esquecer, como se diz na capoeira: "quem está de fora, está vendo".


"Que Deus ilumine teus passos e te proteja na grande roda da vida!"
(Escrito no certificado de batismo dela)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

CAPOEIRA

Ela fazia balé. Um dia, cheguei para buscá-la e lá estava minha menina, toda descabelada, meia rasgada, sapatilhas sujas:

- Filha! O que é isso! Nem parece uma bailarina! Desse jeito, vou lhe tirar do balé e colocar na capoeira!

Ela, muito, muito feliz:

- Hoje, mãe?

E foi assim que o mundo perdeu uma bailarina e ganhou uma capoeirista.

O local onde ela faz as aulas é uma Academia muito antiga e tradicional na cidade. Um local bonito, mas meio mal conservado. O Mestre ensina não só a Capoeira, mas fala de história, de tradições, ensina música e instrumentos musicais da Capoeira. Esporte e cultura, de tal forma que uma hora e meia de aula freqüentemente se transformam em duas. É a coisa mais linda do mundo ver a alegria genuína dela ao treinar os golpes e jogar na roda. Concentrada, harmoniosa e bonita.

Na Academia é feito também um trabalho de inclusão social, de forma que no horário que ela freqüenta, a maioria dos alunos é bolsista. Gosto de ver que em todas as ocasiões em que minha filha se depara com o teoricamente diferente, ela aceita com naturalidade.

Ela sempre me lembra que não se trata de aceitar o diferente, mas ver a todos como iguais.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ELA DANÇA

“Eu só acreditaria em um Deus que soubesse dançar”.
(Friedrich Nietzsche)

Vou buscá-la na escola e pergunto:
- Com quem você brincou hoje?
E ela, sorrindo, feliz:
- Com ninguém, mãe, sozinha.
- Sozinha?! Mas por que sozinha?
Ainda sorrindo, responde, distraída pela joaninha que tenta pegar no chão:
- Ué, mãe! Ninguém quis brincar minha brincadeira, brinquei sozinha!

Como a resposta "sozinha" se repetiu mais algumas vezes, aproveitei a reunião de fim de ano para conferir com a professora. Que me contou, encantada, que de fato, às vezes minha menina de cachos passa o recreio só e feliz:
- Ela gosta de cantar. E dançar. Se ninguém quer dançar com ela, ela dança sozinha.

Realmente, minha filha raramente tem os dois pés no chão ao mesmo tempo! E sua presença nunca é silenciosa. Mesmo quando dorme, ela fala e ri. Porém, sabe ficar só, sem estar solitária. Adora brincar com outras crianças, mas é capaz de inventar seus próprios jogos. Ela cria sua própria canção.

Olhar para ela me faz lembrar que nem sempre teremos parceiros para dançar conosco. E que haverá sempre alternância de ritmos, de timbres. Às vezes, o volume estará tão baixo, que há que se concentrar para ouvir... Mas não é por isso que devemos desistir da dança. O importante é continuar a ouvir a música da vida.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

BEING BORING

Setembro não foi um mês fácil. A inspiração para novos textos está muito melancólica. Todavia, eu acredito no lema que ensinei à minha menina de cachos: viver é muito bom!
Encerro, portanto o mês de setembro com uma música. Não é, talvez, uma obra que será eterna e sei que o pop não tem a beleza da música clássica, do jazz, da bossa nova e de tantas canções que ouço e ainda irei ouvir e compartilhar com minha pequena. Mas essa é uma das músicas que eu mais gosto, e minhas predileções por música, livros, filmes, transcendem a qualidade e acabam sendo muito pessoais. Nesse caso, ela é especial porque, primeiro, foi inspirada em uma frase dita por Zelda Fitzgerald, esposa do escritor que eu mais gosto, F. S. Fitzgerald. Outra coisa que acho importante a respeito dessa canção é que a dupla é gay. E se tem algo que quero ensinar à minha filha, é a tolerância e o respeito às diferenças individuais.
A letra da música fala da passagem do tempo, de perdas, mas também de conquistas. E fala especialmente de amizade, que é um tipo superior de amor.
Aos meus amigos, portanto!




(recomendo que procurem e assistam ao video original, que foi dirigido pelo fotográfo Bruce Weber e é belíssimo.)

Para saber mais: http://www.10yearsofbeingboring.com/

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Rainha da Festa

Dia desses fomos a uma festa de formatura. Minha menina foi a dona da noite!
Era um jantar, todos sentados. No centro do salão, havia um pequeno palco, onde colocaram um telão com imagens da formanda e música. E não é que minha pequena artista passou a noite dançando no tal palco? Fofa!! Giros, passos de balé, coreografias... Arrasou!
Mais tarde um DJ tocou em outro espaço, e mais uma vez foi ela quem inaugurou a pista, dançando no ritmo das luzes.
Estava tão linda, que acho que o fotógrafo contratado tirou mais fotos dela que da homenageada da noite.
Muito bom ter uma filha tão autoconfiante! E melhor ainda ver o quanto ela quer se mostrar para NÓS, os pais. Porque dançar, para ela, só tinha graça se nós dois ficássemos olhando. Éramos a única platéia que interessava a ela.

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