"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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terça-feira, 15 de maio de 2012

AO QUE VIRÁ

Sim, bem sei que deveria escrever palavras minhas.
Mas não, agora o que quero é registrar meu desejo de que você, filha, acredite sempre. E, acreditando, seja capaz de construir, para si e para outros, um mundo melhor.

Você pode. Você deve. Ser feliz, e contribuir para a felicidade de todos.



Fernando Birri explica utopia:
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."


Eduardo Galeano, "O direito ao delírio".
"Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.
As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar.
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal se delirarmos por um momentinho?
Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível.
O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão.
A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.
As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar.
Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.
Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza.
E a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se quebrada.
A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão.
As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.
As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá crianças ricas.
A educação não será um privilégio de quem possa pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto, costas com costas.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória.
A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro."

terça-feira, 30 de março de 2010

PERTENCIMENTOS

Ontem eu a ouvi rezar:
"Papai do céu, protege minha mamãe que anda um pouco triste..."

Em seguida, pensando que eu dormia, repetiu em mim os mesmos carinhos que faço nela. Nesse acalanto, adormeci. Pensando no abraço que um dia me fez sentir em casa.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

DREAMCATCHER

Minha menininha está doente.
Nada grave, mas o suficiente. O suficiente para que eu queira que a dor dela seja minha. Para que eu a abrace com força, como se assim, pudesse roubar a febre que lhe furta os pulos e saltos.
Como me assusta a fragilidade dela. E esse medo me despoja um pouco de ternura, sou incisiva ao dar os remédios, ao fazê-la comer o mínimo, ao mantê-la sob o chuveiro para combater a febre. 

E depois a abraço tanto, tanto... Eu ainda mais frágil do que ela. E deitamos assim, juntas, lendo uma história com monstros imaginários, que não me causam sobressaltos como a possibilidade dessa doença boba não ir embora. E então ela dorme, mas eu não. Tenho nos braços o que é mais importante, e velo por ela. Sou a guardiã dos seus sonhos, para manter afastados os pesadelos. E só quando a vejo sorrir, o mundo volta ao seu lugar.

Para ler quando se está doente: Coraline - Neil Gaiman 
Para assistir, também: Coraline - Henry Selick

P.S. Dreamcatcher é um artefato dos índios Ojibwa (norte-americanos e canadenses). É um "filtro de sonhos", que mantém os pesadelos afastados

domingo, 23 de agosto de 2009

A FILHA QUE EU SEMPRE QUIS TER

Só quem tem (ou teve) criança em casa pode verdadeiramente compreender o verso:
"Hoje eu quero a paz de crianças dormindo"
Porque criança é um nunca cessar de atenção, ruídos, sustos e alegrias. Minha menina de cachos está o tempo todo se movimentando. Até televisão ela assiste ora de cabeça pra baixo, ora pulando, ora correndo...Acho que vem do contraste o absoluto encanto que sinto ao vê-la dormir tão serena.
Quando dormimos juntas, ela gosta que eu segure o seu pezinho. E quando ela está acordada e pensa que eu estou dormindo, me faz carinhos no rosto e cabelos, assim como eu faço para que ela durma. Se ela pensa que acorda antes de mim, beija meu rosto com muito carinho, cheia de cuidados para não me despertar.
Ela dorme. E eu posso sentir o seu cheirinho de criança feliz. Observar seus traços perfeitos (para quem nunca viu, acredite: minha filha é linda!). Nestes momentos de quietude, existem em mim paz e felicidade. Mas nada me causa mais júbilo do que as noites em que sou acordada por suas gargalhadas. Ela ri em seus sonhos, e eu sei então que devo estar no caminho certo...
(Sempre choro ao ouvir essa música:)


terça-feira, 16 de setembro de 2008

De cabelos e sonhos

Ainda não cortei os cabelos da minha menina.

Como ela nasceu carequinha, e tem só quatro anos, não são tão longos assim... E ainda guardam nas pontas a lembrança dos cachos dourados.

Ela está na fase de gostar muito de histórias de princesas e quer que os cabelos cresçam mais para ser "igual a Rapunzel". Mas eu quero diferente para você, minha filha! Quero que você tenha uma vida real, e não de contos de fadas.

Quero você uma mulher forte, independente e livre. Que seus horizontes sejam muito maiores do que uma torre. Que você mesma tenha a capacidade de resolver seus problemas, sem precisar de magia ou de um salvador. Que você encontre, um dia, um companheiro que siga ao seu lado, não à sua frente.

E acima de tudo, que você seja feliz todos os dias, e não apenas no final.


(este post foi inspirado por uma troca de e-mails com alguém que admiro muito)


Update: Cortei eu mesma os cabelos da minha menina pela primeira vez dia 09/10/2008. Quatro dedos de cabelo se foram. Bastante, para um serzinho de pouco mais de 1,15 m. E ela pela primeira vez sofreu a frustação, comum a todas as mulheres, de ninguém notar o novo corte!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Quando te vi, amei-te já muito antes

Eu queria muito ser mãe.
Mas parecia que não era para ser.
Porém, um dia eu sonhei com uma criança, linda, com cabelos claros cacheados. Vestida com um macacão jeans com detalhes coloridos.
No sonho, uma voz me disse:
- Este é o seu nenê.
Dias depois, descobri que estava grávida.
E quando minha menina tinha dois anos, era a imagem da criança do meu sonho.

"Quando te vi amei-te já muito antes
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há cousa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro. "
(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Eu te desejo...

Meu maior sonho para ela, é que seja melhor do que eu. Muito. Em todos os sentidos.

(e que um dia, tenha uma filha igual a ela, para fazê-la feliz como eu sou.)

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