"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."

quinta-feira, 29 de abril de 2010

EYJAFJALLAJOEKULL

Sou sempre a mesma e sou muitas. Vivo na sombra e reflito a luz que me ilumina. Reajo conforme aqueles que encontro e mostro o melhor ou o pior de mim. Já amei alguém que me fez menos e via sempre muros ao meu redor, mas eu mesma desenhei o  meu portão da liberdade. Também amei alguém que me despertou o melhor e acreditei que eu não tinha limites, porque meu reflexo nos olhos dele era sempre doce. Foi quando mais gostei de mim.

No entanto, visitei sozinha os lugares mais escuros. Estava só e assustada e não quis ficar muito tempo ali. No mapa de mim mesma, esse é o canto que se esconde e me assombra.

Os espaços de maior beleza e sol descobri ao lado de minha menina, com ela sou aquela que toca, abraça e aperta, enxergo música nas cores, descubro sabores nas palavras, sinto perfume nos toques, ouço poesia nos cheiros, percorro a textura dos sabores do riso dela. Com minha filha não tenho arestas. Ela me encanta sempre e no entanto, desaponto-me comigo por ser menos do que gostaria.

Tenho tantos esconderijos que ainda não terminei de me percorrer. São estradas, rios e mares que correm por entre o que escondo e mostro. Eu não tenho fim. Meu duplo sou eu mesma.


"Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der" Carl Gustav Jung

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O OUTRO LADO

Trago comigo paisagens internas. 

A cidade em que passei boa parte da minha infância é dividida pela linha do trem e pelo rio que a corta. É também cercada de serras. Para chegar ao mar, é preciso atravessá-las.
Assim também minha vida pode ser dividida em linhas imaginárias que cruzei. Algumas vezes voltei, outras não. Lembro-me do dia em que a ponte mais bonita e antiga da cidade partiu-se ao meio e caiu. Eu também tive esse momento em que não foi mais possível voltar atrás porque não havia mais o caminho. Aquela que fui já não estava lá.

Agora, há montanhas dentro de mim. Não sei o que se oculta do outro lado, e ainda não decidi se quero cruzá-las e avistar o horizonte sem fim, ou me conformar com o lado de cá, seguro e sem surpresas. Há um certo cansaço em se reinventar constantemente, mas a conformidade sempre me pareceu uma espécie de derrota.

Porém, não sou montanha, sou oceano. E a vida me navega.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

LIÇÃO DE CASA

A professora me falou que há dias em que minha menina não quer fazer nada na escola, fica distraída, não acompanha a turma. Não é sempre, mas me preocupa. Hoje, em uma conversa, pedi para que ela me prometesse que não ia mais acontecer:

- Mãe, não vou prometer isso. Não sei se vou cumprir. E você me ensinou que a gente só promete aquilo que sabe que vai fazer.

Não sei não... Mas acho que as lições mais importantes, ela está aprendendo direitinho.


(update: ela acaba de escrever a primeira frase sem ajuda, agora, às 20h40 do dia 16/04/2010: "Ana eu te amo de paixão". Adivinhem se chorei?...)

sábado, 10 de abril de 2010

MEDO DO ESCURO?


Esse texto não é meu, mas foi escrito para mim. Achei tão bonito que resolvi compartilhar:

("é tão escuro e fundo dentro de mim, estou me afogando...")
Cartas postas, que vença o melhor!
Seria a vida um jogo de azar, seria um jogo? Seríamos obrigados a jogá-lo? Afinal, quem deu as cartas, quem é o dono da banca? Que jogo é esse em que nunca sabemos se ganhamos ou não?
A metáfora é boa, mas, a premissa vazia. Não é a vida um jogo, tampouco somos jogadores (embora nos esforcemos para sê-lo), especialmente, se considerarmos que o adversário mais perigoso não esta à nossa frente, está no “escuro e fundo”  que há em nós.
A Filosofia ensina que o maior desafio não é descobrir a causa das coisas, nem mesmo a causa da coisa não causada, mas, enfrentar o risco do necessário mergulho no “escuro e fundo” de nossas almas (aqui entendida filosoficamente como anima).
A possibilidade de afogamento é real, presente e, lamentavelmente, freqüente, não obstante o número de afogados que sequer suspeita de ter somente passado pela vida, sem experimentá-la.
Sinto a expectativa de quem lê e espera resposta fácil a esse imanente problema humano. Não a tenho! Tenho, somente, coragem de, cotidianamente, ir sempre e cada vez mais fundo nesse mergulho em busca de mim. A cada instante me surpreendo, me assusto, sinto medo, euforia, às vezes, e me inquieto cada vez mais.
De tudo, dores, boas surpresas, surpresas, afirmo, com orgulho e medo que dragões existem, mas, subjugá-los é a justa recompensa de quem se arrisca. 
Sejam, portanto, o medo, a curiosidade, o desejo ou a coragem, o trampolim para esse mergulho necessário, caso queiramos ser mais do que existir.

domingo, 4 de abril de 2010

PÁSCOA

A chuva caia em pingos isolados, que no chão uniam-se em grandes poças. Estávamos dentro de casa e eu a convidei: "vamos?"  
Eu e ela, juntas sob a chuva de Páscoa. E um arco-íris no céu. 
Há outras águas, das lágrimas que caíram e dos mares que nos esperam. Tudo passa e tudo muda. Mas há as exceções, aquilo que permanece imutável. O amor.
O tempo, hoje, é de acreditar.

sábado, 3 de abril de 2010

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