"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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segunda-feira, 13 de maio de 2013

ABISMOS


A gente pensa que o amor não tem fim, mas ele acaba. 
Meus amores se transmudaram em ternura ou indiferença, mas foram todos finitos. 
Indago-me se eu me transbordo tanto que esgoto o amor. Tenho sempre essa curiosidade, esses anseios. Eu me preencho do outro a tal ponto que muitas vezes senti alívio na hora de me despedir, de sair para trabalhar, de voltar para casa. Gosto sempre de ter meus espaços, meu tempo sozinha, sufoca-me um amor que não me deixe nunca. Toda a minha vida é feita de desvios, de exílios voluntários.
Ou seja talvez uma espera pelo que está por vir. Mas se o caminho é muito reto, eu saio da estrada...
Quero sempre um pouco de abandono.

Imagem daqui

terça-feira, 9 de abril de 2013

SEMENTE

Quando comecei a escrever o blog, ela era uma menininha só com dentes de leite.
Hoje eu a levei à médica, porque apareceu um carocinho e dores no peito. Não era nada. Ou é tudo. Ela cresceu, simples assim.
Telarca, me disse a doutora. Minha menina segue saudável e firme no caminho de crescer e ser a mulher forte e independente que eu desejo que ela seja. Segue no caminho de ser o que ELA vai querer ser.
E enquanto eu, em segredo, já sinto saudades da criança que está ainda à minha frente, ela se olha no espelho, linda, ansiosa, confiante.
- Mas filha, por que você está tão feliz?
- Mãe, agora eu tenho certeza que vou ser igual à você!
E eu choro.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

TATUAGEM

Palimpsesto.
Quando criança, eu gostava de ler dicionários, e fiquei fascinada por essa palavra. Era o que eu queria ser. Capaz de apagar antigas histórias e escrever novas, e nada restaria além da sombra do passado. 
Mas em mim, tudo fica tatuado. Permanece. 
Sou toda feita de marcas e memórias eternas.


Imagem daqui

terça-feira, 15 de maio de 2012

AO QUE VIRÁ

Sim, bem sei que deveria escrever palavras minhas.
Mas não, agora o que quero é registrar meu desejo de que você, filha, acredite sempre. E, acreditando, seja capaz de construir, para si e para outros, um mundo melhor.

Você pode. Você deve. Ser feliz, e contribuir para a felicidade de todos.



Fernando Birri explica utopia:
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."


Eduardo Galeano, "O direito ao delírio".
"Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.
As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar.
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal se delirarmos por um momentinho?
Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível.
O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão.
A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.
As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar.
Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.
Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza.
E a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se quebrada.
A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão.
As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.
As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá crianças ricas.
A educação não será um privilégio de quem possa pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto, costas com costas.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória.
A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro."

sexta-feira, 30 de março de 2012

POESIA

Mãe, sabe qual o número que é uma borboleta?
O 13! Uma borboleta de lado!


Desenho de Antonio Peixoto

domingo, 5 de fevereiro de 2012

"A ÚNICA RIQUEZA É VER"

Foi aniversário dela. De presente, dei a ela uma viagem. Aliás, essa é uma combinação nossa que já dura alguns anos.
O que é efêmero, permanece. Assim creio.
Serão dela, para sempre, o mar sem fim, o sol, as ondas,os golfinhos, a chuva, a emoção da tirolesa. Vai perdurar a noite em que mostrei a ela o Cruzeiro do Sul e as Três Marias, só nós duas, o céu e o oceano. Ela vai continuar sendo Michael Jackson, andando de bonde e na corda bamba. Estaremos juntas, e com  os amigos. Sendo felizes.
Assim foi, assim é. Tudo maior do que os olhos vêem, do tamanho que a vista e o amor alcançam.
Um tempo que ela já definiu melhor do que eu:
"Mãe, por que tem dia que são muitos?"

(Mais de nós aqui: Blog da Vovó...mas não só )




domingo, 4 de dezembro de 2011

TEMPO DE DELICADEZAS

Estamos sendo cuidadas.

O conforto chega em telefonemas para o hospital, de madrugada. Em ajuda para a apresentação de ginástica. Em assumir problemas deixados por outro, e ocupar espaços importantes no coração de uma criança. Cuidado chega em chocolates, bonecas, e no gesto de cobrir quem adormeceu de cansaço. O cuidado se faz presente na distância e também se descortina lado a lado, no abraço. No olhar. Carinho que me encanta.

E porque  um tanto do fardo me é tirado, aumenta o espaço para que eu também cuide. Há mais espaço em mim para o melhor e mais belo. Também posso guardar melhor minha menina, pois estou mais tranquila e serena.  

O cuidado diz "eu amo você" sem palavras. Com carinho, com atenção, com discrição. Porque que ama cuida, inclusive, contra a inveja alheia.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

MAIS DO MESMO

A cidade onde moro é cortada por um rio. Todos os dias, para ir e voltar do trabalho, atravesso uma ponte sobre ele. É um rio de águas escuras, barrentas. Ainda assim, dia a dia me encanto com seus pássaros, suas margens, as mudanças causadas pela luz do sol. 
Ao por do sol, ele é sempre belo. Não resisto: faço, ao celular, fotos quase diárias do rio que imita o céu. As fotos, confesso, são ruins e pouco diferem entre si. Que me importa? Esse ritual tolo revela muito de mim. Aquilo que me encanta é belo, e nunca me cansa. Provoca sempre a sensação de primeira vez. Arrebata-me! Encontro sempre o novo no que amo, e desafia-me que seja sempre igual e nunca o mesmo.

Gosto de descobrir o desconhecido que já conheço.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

APRENDIZ


Quando amei pela primeira vez, eu fiquei maravilhada! Encontrara a plenitude. Então, vieram as dificuldades, e pensei: "se o primeiro amor é assim, imagine os próximos!" E abri mão desse amor, segui em frente sem olhar para trás. Não sabia que amar é raro. Não sabia como é precioso se reconhecer no outro. Tive outras paixões, alguns acertos, erros e por fim, um relacionamento destrutivo. E passaram-se após o primeiro amor tantos anos quanto os que vivi antes de senti-lo para que eu amasse inteiramente outra vez. 

Agora conheço minhas marés e minhas profundezas. 
Entendi que a leveza está em ligar-se voluntariamente a alguém. Liberdade é escolher com quem se quer ficar junto, deixando a porta sempre aberta, pois liberdade cresce com mais liberdade. Também aprendi que a realidade é melhor que a fantasia. Importante é que a vida e o amor sejam vividos, consumados, esgotados. E quero acreditar que é possível desfrutar felicidades. Ser feliz! Eis algo novo e excitante para descobrir junto! Já fiz o caminho inverso: estar próximo nos momentos difíceis. Felicidade é a próxima aventura.

Aprendi a crer no infinito, e entendi que o futuro muda a cada instante. Já não tenho medo do que virá. Aceito, sem temor, o destino de amar e amar e amar. Entrego-me à emoção avassaladora, mas sem perder o controle da minha vida. Amo. Amo-me.

Amar não precisa ser fácil, mas tem que valer a pena.

Hokusai, A grande onda de Kanagawa

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

DICOTOMIA


Além da tristeza, tragédias me dão o sentimento de urgência.
E se não couber tanto amor? E se não houver tempo para tanta vida? 

Nesse momento, calma e paciência se fazem necessárias. É a pausa. Mas então vem esse susto, que traz consigo a vontade insatisfeita de abraços e pertencimentos. Estreito minha menina nos braços, e meu coração se alarga de esperas. 

O mar que existe dentro de mim se derrama.

(Enquanto isso, o céu se alegra ao receber Gabriela entre seus anjos mais belos.)

http://www.youtube.com/watch?v=XU6UdVI9B7I

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ALCANCE

Existem intransponíveis solidões a dois. Há também as ausências acompanhadas. A distância pode ser mais, ou menos, que quilômetros a serem percorridos. Quanto a mim, trago sempre comigo aqueles que amo, porém, por vezes, mais é necessário. É preciso que os olhos encontrem o que o coração já sabe. Minhas mãos ficam mudas sem o abraço que é minha casa. 

É certo: existe o caminho a ser seguido, com a calma e paciência necessárias, e há, bem sei, alegrias à espreita. Não prescindo dos detalhes preciosos de nossa construção. Todavia, há ocasiões em que a poesia não basta:
Quero o simples e concreto ato de esticar o gesto, até lhe alcançar.


"Somos sempre levados para o caminho que desejamos percorrer." (textos judaicos)

http://www.youtube.com/watch?v=9WAc1aZO_58

terça-feira, 30 de agosto de 2011

AMAR

Viemos pelo céu, acima das nuvens. A chegada nos reservou uma surpresa, uma moça que se fez ainda mais linda. E ele estava lá... Tudo mudou, e nada mudou, na nossa longa história curta. Como no caminho que fizemos todos juntos, para um almoço de entrelinhas: nos perdemos, mas encontramos nosso rumo para casa. 

A menina chamou o mar, e ele veio.

Foi nessa noite, sem lua. Alguns dos encantos da praia escondidos entre vento e nuvens, minha menina, tal qual uma tartaruguinha, encontrou seu lugar, invocando o mar. E eu soube, definitivamente, quem sou. Tinha que ser à beira-mar, porque sou oceano sem fim.

Eu chamei o amor, e ele veio. 

‎" Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu" (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CORAÇÕES ALEATÓRIOS

Não sei como começou. Acho que vem de antes do início. Quando ela nasceu, veio com uma marquinha em formato de coração nas costas. Quase inacreditável a perfeição. Ainda está lá, mas mal se vê agora.


Talvez venha daí o hábito que ela tem de procurar corações escondidos. Eles estão em todos os lugares: em um buraco, uma pedra, uma rachadura de calçada, uma mancha... Ela me tornou sua parceira nessa busca, de forma que treinei meu olhar para encontrá-los. O bom é que eles quase sempre permanecem onde estão, e às vezes mudamos nosso caminho para passar pelos nosso preferidos. Temos especial afeto por um buraco na parede que divide uma oficina mecânica de um salão paroquial. Como uma janela entre dois mundos. Gosto de fotografá-los, aleatórios, isolados, imperfeitos, até ganharem significado pelos nossos olhares cúmplices.

Há poesia. Há amor. Há beleza. Sempre.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

NAUFRÁGIOS

Sou oceano e escondo naufrágios dentro de mim.

O brilho do sol na superfície confunde aqueles que não sabem me navegar. Somente os corajosos mergulham. Entram na minha escuridão, tão desorientados quanto eu. Mas lá, entre destroços de mim mesma, existem também tesouros, de brilho opaco, cansados de esperar, acomodados em sua ignorância.

Sou oceano. E vivo de presságios e medos marinheiros.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

SORTE!

Sou uma mulher de sorte.

Mesmo quando tudo dá errado, a vida vira de cabeça para baixo e parece que nunca mais vai voltar ao lugar. Quando estou cansada, cansada, cansada. O dinheiro falta, a compreensão me escapa e é pesado demais dar mais um passo. Só mais um.
Quer saber? Não importa. Porque eu tenho a menininha mais incrível, a filha mais linda. Exatamente como eu desejei e pedi. Que sempre me faz sorrir, que me abraça, e me inunda de felicidade.

É por você, filha, que eu sou a mulher mais sortuda do mundo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

MUDANÇA DE ESTAÇÃO

Muito frio. Véspera de feriado santo. Eu e você, abraçadas e cobertas, contando piadas e rindo.
Você diz:
- A vida é muito boa!

O amor me aquece.

domingo, 29 de maio de 2011

REFLEXÃO

Com seus brinquedos, ela constrói um mundo. E é nela que eu me descubro.

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