"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

PARA FICAR LINDO

Ontem ela foi à capoeira com meus primos. Ao chegar em casa, veio feliz me contar:
"Mãe, olhei agora no céu e vi direitinho o trenó do Papai Noel e as renas! O Natal está mesmo chegando".

Ver coisas assim é só para quem é especial, mas ouvi-las também é um presente. Minha menina fala coisas lindas, surpreendentes. Às vezes registro essa sabedoria no tiwtter e no facebook, mas as redes sociais são efêmeras...  Para perpetuar  aquilo que mais me tocou nesse ano, segue uma coletânea do melhor de 2010:

♥ Primeira frase que minha filha escreveu sozinha: "Mãe eu te amo” ... e ela completou "de paixão".
♥ Levando minha filha pra escola, ela vira pra mim e diz: "mãe, a vida é boa, não é?"
♥ "Mãe, já sei o que eu vou fazer quando crescer! Construir uma máquina do tempo pra ir te conhecer quando criança”.
♥ Eu estava ouvindo "Todo amor que houver nessa vida" e ela me disse: "nossa, mãe, mas você não pode querer tudo pra você, todo mundo quer amor!"
♥ Ela começou a me contar as preferências culinárias dela e foi ordenando: primeira, segunda, terceira, quarta, quinta, sexta e “sábada”.
♥ Dia desses me contou, com cara de nojo, que lhe ofereceram doce de "palmilha"...
♥ Eu para ela: "Você me ama?" Ela: "Amo!" Eu: "E nunca vai me deixar?" Ela: "Ah, isso eu já não sei...”
♥ Minha filha para mim: "mãe, que cheiro lindo!".
♥ "Mãe, sabe por que eu demoro a escovar os dentes? Porque eu converso com a escova.”
♥ Minha filha me perguntou de manhã como seria meu dia. Ao ouvir a resposta, disse: "Nossa, mãe, como você é corrente!"
♥ Essa foi no dia do concurso de Miss Universo. Ela me falou, inconformada: "mas, mãe, você não vai participar?”
♥ "Quando fazemos o bem, Papai do céu nos dá uma recompensa. Mas não é em coisa, como algumas pessoas acham. Ele nos joga amor."
♥ Contei algo, e ela: "mãe, já formei um vidinho do youtube na minha cabeça”.
♥ Após observar atentamente meu ritual de banho, óleo, creme, perfume: "nossa, mãe, pensava que você tinha nascido macia e cheirosa”.
‎♥ "Mãe, por que precisa falar tutu de feijão se não existe tutu de outra coisa? Não dá pra falar só tutu pra economizar falada?”
♥ Minha preferida (e que fez feliz, por instantes, alguém doce que partiu): ela me pediu para pintá-la de verde, arrumar uma latinha e levá-la à Praça para que ela possa imitar um SAPO e ganhar um dinheirinho.

♥ "Para ficar lindo, tem que prestar atenção nos detalhes. Se não, fica só bonito." 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

VOCÊ, HOJE

Você tem seis anos. 
É uma menininha alta, magrinha e atlética. Seus cachos não existem mais, seus cabelos são castanhos, lisos e você está quase sempre despenteada. Você é linda, e diariamente me surpreendo ao olhar para você e saber que tenho participação nisso.
Sua principal característica é o movimento. Você nunca está parada, tampouco quieta. Sua chegada é sempre anunciada pelo som dos seus pulos, da sua fala, do seu riso. Você ri enquanto dorme. Sem você por perto, tudo é quieto demais.
Você não gosta de usar roupas, nem sapatos, nem de se cobrir. Adora o ar livre, água e sente falta do mar, como eu. Aprendeu a nadar sem aulas, trocou o balé pela capoeira e ainda não aprendeu a plantar bananeira. É incrivelmente flexível e gosta de exibir essa habilidade.
Gosta da escola, mas não é a melhor aluna. Destaca-se pela criatividade, pela beleza dos desenhos, pelo capricho e cuidado nos detalhes. Você ainda sente falta da sua escola antiga e dos amigos de lá. Dorme todas as noites com dois brinquedos preferidos que chama pelo nome de pessoas queridas que moram longe, um bebê e um ursinho. Adora suas primas gêmeas, relaciona-se bem com os amigos na escola, mas me encanta sua capacidade de brincar sozinha no mundo imaginário que constrói tão facilmente. Muitas vezes você procura o isolamento e a liberdade da sua imaginação. Você inventa brinquedos incríveis e me deu um bebê feito de beringela. Fez um gato feito de máscara de carnaval, uma fronha e fita crepe, levou para a professora uma boneca de garrafa pet com cabelos de renda. Tudo isso, criou sozinha.
Você é esquecida, desastrada, confiante. Acorda tarde e gosta que eu lhe faça cócegas. Você cuida da nossa gata com responsabilidade, sem esquecer da ração e da água dela, todos os dias. Tem medo de barata e não tem medo do escuro. Você gosta de gente, e nunca me perguntou porque algumas pessoas são diferentes. Você ama sua avó e faz com ela coisas que não fazemos juntas, e eu adoro isso.
Você me pede que leia para você antes de dormir e nós duas adoramos o Neil Gaiman. Depois da leitura, você reza para o Anjo da Guarda e nunca esquece de pedir proteção para as pessoas que são importantes para você. Eu me enterneço ao ouvi-la, todas as noites. Você é uma menininha feliz.
Você é tantas coisas, que é quase tudo.

O mundo é mais interessante com você por perto. Você é o melhor de mim. 


Update: Hoje, 05 de novembro, você aprendeu a plantar bananeira!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

CONFORTO

Eu, chorando no quarto, não tive tempo de enxugar as lágrimas quando ela entrou. 


Um pouco mais tarde, ela sentiu fortes dores na barriga, e eu, como sempre, a abracei para para "pegar" a doença para mim:

- Não, mamãe, hoje você não precisa pegar. Hoje você já tem o seu dodói. Vamos deitar juntas, que uma faz carinho na outra. Vai passar, vai passar...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"HAPPINESS ONLY REAL WHEN SHARED"

Estávamos caminhando pela rua, eu e ela. Dia lindo e luminoso de setembro. Ela, mal tocando os pés no chão, me pergunta:
-"Mãe, porque que quanto a gente está feliz o coração parece que quer sair fora da gente e encontrar outro coração? E dá vontade de correr?"
Eu disse a ela:
- "Porque a felicidade não cabe só em nós".
E a peguei pela mão e saímos correndo, nós duas.

É isso, a felicidade. Um encontro de corações.




(O título desse post é uma frase do filme Into the Wild. Em português, Na Natureza Selvagem. Recomendo.)

terça-feira, 6 de julho de 2010

UNPLUGGED


Arrumando as malas para viajar para as montanhas de Minas com minha filha e minha mãe, separei livro, notebook, internet portátil. Mas na hora de fechar as malas, deixei tudo isso de lado. Eu precisava de um tempo assim, de olhar para dentro de mim e para fora, para a vida real. Dias inteiros de olhos nos olhos e não nas letras, sem refúgios escapistas. E lá fomos nós, logo após a derrota do Brasil para a Holanda.
Foram 3 dias maravilhosos em Gonçalves/MG. Dias de ser mãe e de ser filha. Em uma cidadezinha  de morros e cercada de montanhas, bem como gosto. Mais importante, estivemos rodeadas de novos amigos. Fomos a um casamento único, daqueles de dar lágrimas nos olhos. Ainda mais especial porque a celebrante foi a minha mãe, escolhida pelos noivos, encantadora em suas palavras. E tudo estava lindo, pensado e feito com carinho. Eu há tempos queria conhecer o Kitanda Brasil, um restaurante que tem a alma da sua dona e os sabores da terra cultivada com amor. Eu, como sempre, logo comecei a fotografar tudo, desde os preparativos e... Minha máquina fotográfica pifou. Mistério das Minas Gerais...Muita energia, talvez... Ainda tentei usar o celular, mas não é que a bateria acabou após algumas fotos? Foi mesmo uma viagem para ficar eternizada lá onde ficam as coisas boas, na lembrança, e não escondida na memória do computador.
Minha menina foi um encanto. Ela cada vez me surpreende mais com sua sabedoria. Pensei tolamente que seria uma ótima oportunidade para conversar com ela sobre diferenças, já que havia muita coisa inusitada, pessoas diferentes. Porém, é ela quem sempre me ensina que somos todos iguais. Ela sequer estranhou o cardápio. Ao contrário, enquanto algumas crianças escapavam da festa para comer PF na praça, ela me pediu pra voltar para almoçar o menu degustação no dia seguinte. E lá fomos nós, cometer a quase heresia de comer com pressa o que é feito para ser apreciado devagar... Contudo, inesquecível. O Kitanda já está entre meus lugares preferidos de todo o mundo.

Voltei pra casa para enfrentar uma segunda-feira difícil, fortalecida pela minha pequena gourmet, que não se cansa de me mostrar que a vida é para ser saboreada. Com calma.



Reparou que tudo esse coador individual? Coisas do Kitanda...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

Eu gostava muito de carnaval quando criança, especialmente porque saíamos de São Paulo para a casa dos meus avós. Gostava das fantasias e especialmente do ritual de fantasiar-se, de como minha mãe cuidava de mim e de minha irmã, nos maquiava. Mas no salão do clube eu ficava sempre um tanto tímida, eu gostava de dançar, de brincar, porém não de me exibir.

Minha menina é tão diferente de mim! Este ano ela aproveitou o carnaval como nunca! Minha família reuniu-se em uma chácara na zona rural da cidade, que ela adora. Mas ela pediu para ficar e ir brincar o carnaval. E como ela se divertiu! Fez amigos, dançou, jogou confetes. E me surpreendeu logo no primeiro dia, quando viu a banda tocando e pediu pra subir no palco. Eu, meio descrente, disse:

- Se tiver como, pode ir.

E não é que ela descobriu como subir, e foi? Dançou lá em cima sozinha, depois com várias adolescentes, mas só ela de criança. E nos outros 2 dias de carnaval, fez a mesma coisa, subiu ao palco para pular sozinha com os músicos. Na terça-feira, finalmente, várias outras crianças se animaram e subiram também, e ela ficou toda contente.

Achei tão bonita essa auto-confiança dela. Espero que seja sempre assim, que ela acredite que pode fazer, e mais ainda, que pode se mostrar como é na frente de outras pessoas, porque será aprovada. E olha que, pra ser sincera, ela não leva o menor jeito pro samba...

Esse carnaval dediquei quase exclusivamente a ela, tivemos muitos momentos juntas, muitas conversas só de nós duas. Paradoxalmente é triste não ter com quem dividir esses momentos. É uma delícia observar o quanto ela cresceu, como aprendeu tanto e me ensina mais ainda. Fantasiada, maquiada ou de máscara, ela é sempre a mesma, preserva sua essência e age com verdade e espontaneidade. Esse carnaval me mostrou, através da alegria de minha menina, que as máscaras que devemos temer são as que se ocultam e não, as que se mostram.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O SENTIDO DAS COISAS

O tempo passou... E ela fez seis anos. Quando se tem um filho, valem todos os clichês, todas as frases feitas. Porque histórias de amor são sempre semelhantes e universais, só a tristeza é particular.
Estou nesse momento assim. Coletiva e única. Tenho refletido muito, buscado respostas. Sou eu quem está pequena, hoje. E quando seguro minha menina em meus braços, é ela quem me sustenta.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

PEDRA PRECIOSA

Estávamos na chácara, ela pintando pedras com minha mãe. Alguns minutos gastos estudando cada uma delas, para descobrir a figura que se oculta no aparente nada.

- Tem que prestar atenção para encontrar o desenho de cada uma, mãe! 

E surgiram animais, casas, frutas, pessoas...

Eu ando assim, também. Procurando ver as formas belas que estão ocultas nas pedras da vida. E é minha filha quem tem colorido essa história.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ELA DANÇA

“Eu só acreditaria em um Deus que soubesse dançar”.
(Friedrich Nietzsche)

Vou buscá-la na escola e pergunto:
- Com quem você brincou hoje?
E ela, sorrindo, feliz:
- Com ninguém, mãe, sozinha.
- Sozinha?! Mas por que sozinha?
Ainda sorrindo, responde, distraída pela joaninha que tenta pegar no chão:
- Ué, mãe! Ninguém quis brincar minha brincadeira, brinquei sozinha!

Como a resposta "sozinha" se repetiu mais algumas vezes, aproveitei a reunião de fim de ano para conferir com a professora. Que me contou, encantada, que de fato, às vezes minha menina de cachos passa o recreio só e feliz:
- Ela gosta de cantar. E dançar. Se ninguém quer dançar com ela, ela dança sozinha.

Realmente, minha filha raramente tem os dois pés no chão ao mesmo tempo! E sua presença nunca é silenciosa. Mesmo quando dorme, ela fala e ri. Porém, sabe ficar só, sem estar solitária. Adora brincar com outras crianças, mas é capaz de inventar seus próprios jogos. Ela cria sua própria canção.

Olhar para ela me faz lembrar que nem sempre teremos parceiros para dançar conosco. E que haverá sempre alternância de ritmos, de timbres. Às vezes, o volume estará tão baixo, que há que se concentrar para ouvir... Mas não é por isso que devemos desistir da dança. O importante é continuar a ouvir a música da vida.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TREINO


Ela veio e disse:
- Mãe, eu já nadei bastante com bóia para treinar. Se eu tirar eu consigo nadar sozinha.

Eu, meio com medo, vigiando de perto, deixei. E não é que ela foi? Nadou sozinha, engoliu água, mas não desistiu. Desde aquela tarde, ela não colocou mais as bóias (e eu não consegui mais fechar os olhos para tomar sol...)

Eu também sou uma bóia na vida dela. Sei que chegará o dia em que ela irá mergulhar sozinha e nadar em seus próprios mares.

E então, eu serei o seu porto.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

UM POEMA PARA MIM

Até chorei...
Nos comentários do meu texto anterior, ganhei um poema todo meu, feito pela linda (por dentro e por fora) Débora do 3 x 30 - Solteira, Casada, Divorciada.
Uma poesia bonita e verdadeira, convidando a viver de maneira plena e a dar espaço ao inesperado e às pequenas coisas (que são as mais importantes).
Mereceu um post!
Obrigada, Débora, por tanta gentileza! Continue assim. O-Negai Shimasu!

Menina

Poesia é o que tá lá fora
Longe do mundo das letras
O que não se diz em palavras
Um beijo roubado
Um olhar apaixonado
A gargalhada da sua menina de cachos
(Ou ela a conversar com o vento)
Um bom prato de comida
Um tombo no mar
O rir da vida

Se ainda assim
Queres um versinho
Te mando essa coisa estranha
Mas repleta de carinho

(Débora)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

MÁSCARAS

Olhando a foto de minha filha e seus colegas de classe, o que me encanta são as diferenças. Cabelos de todas as cores e tipos. Diferentes tons de pele e de formas de corpo. Cada criança diferente da outra, reconhecível em sua individualidade. Por que crescemos e queremos nos tornar iguais? Os esterótipos de beleza são vazios porque lhes falta o encanto do único.

Em casa, são três crianças quase da mesma idade. Todas lindas. Uma, loira de olhos azuis. Rosada e lânguida. Outra (gêmea dessa!), tem os cabelos e olhos pretos, a estrutura sólida. Minha menina tem os cabelos e olhos castanhos e é atlética e cheia de energia. Todas são e se reconhecem lindas. No entanto, já começam a perceber a uniformidade entediante do mundo dos adultos, a pressão pelo ser igual através do consumo. Minha atenção é toda no sentido de evitar que minha filha linda e única cresça buscando padrões impostos por quem não sabe nada daquilo que a faz especial.

Mas não quero proteger minha criança somente da máscara exterior dos padrões de beleza. Quero que ela cresça segura de suas opiniões, de seus valores, e aprenda a se mostrar ao mundo de cara limpa. Saiba se expressar com verdade e ter orgulho de quem é e de seu caminho. E mais ainda, aprenda a reconhecer e descartar as máscaras alheias.

(Esse post foi inspirado pelo texto abaixo, escrito por um homem muito talentoso, verdadeiro e especial naquilo que tem de único:

Nunca gostei e sempre tive medo de palhaço e de Papai Noel. Mais tarde, descobri que sentia o mesmo em relação a Carnaval. No período cruel da afirmação, da ditadura da adolescência, sofri o desconforto dos estereótipos. Hoje, aliviado, vejo que tinha razão: na verdade, não gosto mesmo é de máscaras, menos ainda, de quem se esconde por trás delas! )

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Grávida!

Quando penso em minha gravidez, lembro-me de ser absolutamente feliz.

E no entanto, foi uma época bem difícil. Fui a todos as consultas e ultrasons sozinha. Somente uma vez minha mãe, que estava me visitando, me acompanhou. O pai da minha menina já tem outros filhos e não queria mais. Hoje ela é muito, muito amada. Mas aquele foi um tempo de poucas conversas e muitos silêncios. Contudo eu nunca me senti triste ou só, e apareço radiante de alegria em todas as fotos.

Pouco mais de um mês antes de ela nascer, viajei para a cidade do meu coração. Só nós duas. Lembro-me do calor, de dormir e de ser feliz. Exibia orgulhosa minha barriga pela cidade. Um amigo da família, fotógrafo, me encontrou um dia com meu pai no final da gravidez e gostou tanto, que me presentou com fotos que agora mostram a mim e a todos como eu estava bonita. Felicidade embeleza...

O pai da minha filha não veio para o nascimento, e ela chegou só para mim. Fui eu quem a registrei. Ficamos 28 dias por aqui. Voltamos agora, nós duas novamente.
Não está sendo fácil, mas lembrando nossa história, talvez já estivesse escrito que era para ser assim.

Eu e ela, ela e eu. Aqui, nesta cidade. Superando as dificuldades para fazer valer o nosso lema:

"Viver é muito bom!"

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Horizontes

Existe um verso de Fernando Pessoa que é muito citado em sentido figurado.
Este verso faz parte de um poema com o qual me identifico, porém em seu sentido literal...

Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nasci em São Paulo, mas meu coração vai morar para sempre na cidade do interior onde passei boa parte da minha vida. Que não é tão pequena assim, mas tem uma zona rural onde os mais velhos usam chapéu de palha, onde se cozinha à lenha. A paçoca é feita no pilão e logo ali, atrás da Serra, fica Minas Gerais.
Eu preciso ver montanhas ao longe para ser feliz. Por mim passa o Caminho do Ouro, e o mar é antes de tudo um cheiro, que sobe pela mata úmida da Serra do Mar e deságua em Paraty.

Como serão os horizontes da minha menina? Criada no litoral, à beira de um mar que não tem cheiro. Longe de avós, tios, tias, primos...Brincando no playground e não no quintal. Com pai que trás na bagagem a lembrança dos pampas sem fim.

Acho que minha filha vai ser o que eu nunca consegui: cidadã do mundo!
Quanto a mim...
Eu tenho a alma caipira. Gosto das cidades pequenas e dos grandes quintais.


Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"

DA MINHA ALDEIA vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Eu que fiz!

Vai ter festa junina na escolinha neste fim de semana.
Vi vestidinhos lindos caríssimos na lojas, e vestidos baratinhos bem feinhos...
Resolvi customizar eu mesma um vestido para minha menina.
Comprei um metro de chita, peguei algumas fitas que tinha em casa. O vestido e o chapéu do ano passado e mais um aventalzinho que ela já tinha. Com a chita, fiz corações, bandeirinhas, babados e enfeitei o vestido e o chápeu.
Ela, quando viu, disse:

- Mamãe, quando eu crescer, vou fazer um vestido lindo assim para você e para a minha filha!

Fiquei orgulhosa. Eu que fiz. O vestido e a menina...

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