"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DE EVA A GEISY

A culpa é sempre das mulheres. Como cantou Rita Hayworth em 1946 no filme Gilda, "put the blame on mame".
Mas estamos em 2009, e a moça do vestido curto foi expulsa da universidade. Em nome da "ética", "dignidade" e ""moralidade". Geisy, com seu vestido rosa, ao mesmo tempo Eva e a maçã dos tempos modernos, expulsa para proteger os outros alunos da sua sexualidade provocadora.

Segundo anúncio publicado em jornais, a direção da universidade alega que "a atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar." O mesmo argumento que estupradores, assassinos em nome da honra, apedrejadores e outros criminosos e tiranos usam há séculos para justificar atrocidades contra mulheres: "Ela provocou".
Ao alegar que o problema foi a atitude da moça, mais que sua roupa, os responsáveis pela universidade parecem se esquecer que os outros alunos, adultos, sãos, poderiam aceitar ou recusar o "oferecimento" da moça, não precisando de proteção contra a sexualidade alheia. Protegida deveria ter sido a moça contra os insultos e agressões que sofreu. De homens e mulheres, também incomodadas - ameaçadas?

Quando escolhemos uma roupa para vestir, passamos uma mensagem. Devemos, portanto, ter o cuidado de transmitir aquilo que desejamos, seja ao usar minissaia ou burca. No caso da Geyse, a atitude e as roupas estavam em sintonia. Uma moça que se acha bonita, segura do seu poder de atração, que se veste dessa forma. Eu acho que ela está certa. Quem se sente ameaçado por ela deve procurar em si as causas desse desconforto. Talvez não tenha a mesma segurança que ela em relação ao seu próprio corpo. Ou, como se viu, não saiba controlar seus impulsos.

Espero que esse não seja o fim desse caso e que os agressores e a universidade sejam punidos por tanto sexismo e preconceito. Mais ainda, espero que ao crescer minha menina não seja prisoneira do seu corpo e refém da vontade alheia.

(Quando eu tinha uns 16, 17 anos, tive um vestido bem parecido com o da Geysi. Vermelho. Fazia o maior sucesso!)

UPDATE: O Reitor da UNIBAN informou que revogou a decisão do conselho que expulsou Geisy e dará "melhor encaminhamento à decisão."

Excelente texto:


Are you decent? trecho do filme Gilda

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

PELO DIREITO DE SER DIFERENTE

Hoje eu estou indignada. Muito.

Eu ensino minha menina que devemos fazer aos outros aquilo que queremos que nos façam. Eu mesma tento a cada dia respeitar as escolhas e o espaço alheios. Sonho com um mundo mais tolerante.
E ontem uma notícia me tirou o fôlego. Uma aluna da UNIBAN foi ofendida e segundo consta, ameaçada de estupro, porque foi à faculdade vestida de minissaia e se portou de forma "provocativa". Os vídeos foram retirados da internet, mas logo outros são postados. Mostram a moça saindo escoltada pela polícia enquanto outros alunos observam, riem, tiram fotos no corredor lotado. Ninguem parece manifestar qualquer solidariedade. Aliás, nos diversos veiculos de mídia que divulgaram a notícia, chovem comentários preconceituosos, muitos dizendo que "ela provocou e mereceu".

Existem países em que as mulheres devem andar cobertas. Em outros, meninas são mutililadas para não sentirem prazer sexual. Até mesmo nos países escandinavos, que atingiram os mais altos índices de participação feminina no mercado de trabalho e na política, aumentam os casos de violência doméstica. E no mundo ocidental, a mulher se vê cada vez mais presa na armadilha da eterna juventude e beleza a todo custo. É uma coisificação da imagem feminina que me preocupa pela sua escalada crescente. E assisto com tristeza a cumplicidade feminina em aceitar esse papel tão pequeno e árido. Meninas que se vestem como mulheres, mulheres que se vestem como meninas. No entanto, embora eu ache que os caminhos do despertar do desejo são tanto mais interessantes quando mais privados e individualizados, acho que todos tem o direito de se vestirem como quiser. Ainda mais em um ambiente adulto.

Espero que minha filha cresça de forma a se manifestar contra a unanimidade burra em casos como esse. E que saiba que o legal do mundo não é que somos todos iguais. O legal é que somos todos diferentes.

Para saber mais (não deixe de clicar nos links):

http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb/2009/10/29/uniban-se-pronuncia-sobre-video-de-aluna-hostilizada/ (matéria da Época sobre o caso)

http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/06/experimentos-em-psicologia-a-unanimidade-burra-de-solomon-asch.html (A Unanimidade Burra de Solomon, da imperdível série Experimentos em Psicologia do Blog Não Posso Evitar)

http://www.bullying.com.br/ (site sobre bullying)

http://www.riocomgentileza.com.br/ (Esse é para lembrar que Gentileza gera Gentileza)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Qual a sua idade?

Observei um fenômeno curioso neste último domingo, dia de eleições. As mulheres mais velhas vestidas como adolescentes e as adolescentes vestidas como mulheres mais velhas. Parece que todo mundo quer ter 25 anos, a não ser quem tem 25 anos!

Não sei se isto se repete Brasil afora, mas me incomodou bastante. Cada fase da vida tem seus encantos. Em cada idade nos cabem privilégios. Eu fui feliz quando criança, quando adolescente, quando adulta jovem. Eternizo estes bons momentos na memória e não no meu guarda-roupas!

Felizmente minha filha estuda em uma escola que não é adepta de modismos. Não sei se por ter mais meninos que meninas.

A vaidade da minha menina ainda é bastante lúdica, como convém a uma criança de 4 anos. Ela gosta de roupas coloridas (de preferência rosa, argh!!), de fantasias, de enfeites brilhantes. Eu ainda estou no comando das compras e escolha de roupas. Aliás, evito levá-la comigo às compras, tento não incentivar o consumismo. Evito particularmente peças que exibam a marca com destaque, como uma certa "rata". Também não compro para ela roupas de "adulto em miniatura".

Existem na minha família certas peças de roupa que vão passando de uma criança a outra. A mais antiga delas é um casaco de lã, que foi meu quando eu tinha uns 4, 5 anos e depois foi usado por grande parte da família, irmãos e primos. Claro, graças ao fato de eu quando criança morar em uma região de clima quente e invernos amenos! Ver minha menina de cachos com este casaco me lembra que o tempo não pára, mas se perpetua. A criança que fui está viva na minha filha.

E se as lágrimas saberão seu caminho através das rugas que irão surgir, também os risos deixarão marcas permanentes. No rosto e no coração.


(Minhas marcas brasileiras preferidas de roupas para crianças:







Infelizmente, onde moro não vende... Sonho de consumo, especialmente a green fairy: http://www.kidorable.com.br/ )
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Oi?

Duas mães conversando na porta da antiga escola da minha filha, hoje. Indignadas:

- Nossa, já está na hora dela mudar, só pensa em trabalhar!

- É, ela não pára, não pára!

- Tem que aprender a ver televisão, novela, ler a "Caras".

- É, para ter assunto.

Ainda bem que mudei minha filha de escola!

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