"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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terça-feira, 15 de maio de 2012

AO QUE VIRÁ

Sim, bem sei que deveria escrever palavras minhas.
Mas não, agora o que quero é registrar meu desejo de que você, filha, acredite sempre. E, acreditando, seja capaz de construir, para si e para outros, um mundo melhor.

Você pode. Você deve. Ser feliz, e contribuir para a felicidade de todos.



Fernando Birri explica utopia:
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."


Eduardo Galeano, "O direito ao delírio".
"Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.
As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar.
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal se delirarmos por um momentinho?
Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível.
O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão.
A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.
As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar.
Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.
Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza.
E a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se quebrada.
A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão.
As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.
As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá crianças ricas.
A educação não será um privilégio de quem possa pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto, costas com costas.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória.
A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro."

domingo, 4 de dezembro de 2011

TEMPO DE DELICADEZAS

Estamos sendo cuidadas.

O conforto chega em telefonemas para o hospital, de madrugada. Em ajuda para a apresentação de ginástica. Em assumir problemas deixados por outro, e ocupar espaços importantes no coração de uma criança. Cuidado chega em chocolates, bonecas, e no gesto de cobrir quem adormeceu de cansaço. O cuidado se faz presente na distância e também se descortina lado a lado, no abraço. No olhar. Carinho que me encanta.

E porque  um tanto do fardo me é tirado, aumenta o espaço para que eu também cuide. Há mais espaço em mim para o melhor e mais belo. Também posso guardar melhor minha menina, pois estou mais tranquila e serena.  

O cuidado diz "eu amo você" sem palavras. Com carinho, com atenção, com discrição. Porque que ama cuida, inclusive, contra a inveja alheia.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ALMA PEREGRINA


A impermanência é um dos princípios budistas que diz que tudo cessa. A vida é um ciclo constante de transformações. Tenho pensado na passagem do tempo e na impermanência.

A cada dia fico mais sensível a essas tantas mudanças. Observo minha filha crescer e admiro sua caminhada para tornar-se cada vez mais independente. Há alegria e também dor quando a vejo desprender-se de mim sempre um pouco mais, ao encontro do dia em que nossa relação será uma escolha e não uma necessidade. Eu a estimulo nesse caminho, apresento opções, algumas vezes abro mão de sairmos juntas para que ela possa estar com outras pessoas e construir novas relações. No entanto, nosso ritual ao acordar e ao dormir é dizer uma a outra, muitas e muitas vezes: "Minha filhinha". "Minha mãmãe". "Minha filhinha". "Minha mamãe". "Minha filhinha". "Minha mamãe"...

Observo também a passagem do tempo em mim. Como Cecília Meireles, às vezes busco minha face no espelho, sem reconhecê-la. São principalmente meus olhos que estranho, olhos de outrem, olhos de dor. Sinto saudades de mim mesma, nesses momentos. Da menina que acreditava. E penso no que ainda quero, naquilo que me falta. E sei que a resposta está em versos de Yeats:

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true;
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face.

Eis o meu desejo: alguém que enxergue minha alma peregrina, que não se cansa da busca, porém sabe que o caminho em si já é uma resposta. Alguém que escolha ficar quando chegar o momento de partir.

O que pára o tempo é o amor



(Para saber mais: Mandala e mandalas de areia)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

LIÇÃO DE CASA

A professora me falou que há dias em que minha menina não quer fazer nada na escola, fica distraída, não acompanha a turma. Não é sempre, mas me preocupa. Hoje, em uma conversa, pedi para que ela me prometesse que não ia mais acontecer:

- Mãe, não vou prometer isso. Não sei se vou cumprir. E você me ensinou que a gente só promete aquilo que sabe que vai fazer.

Não sei não... Mas acho que as lições mais importantes, ela está aprendendo direitinho.


(update: ela acaba de escrever a primeira frase sem ajuda, agora, às 20h40 do dia 16/04/2010: "Ana eu te amo de paixão". Adivinhem se chorei?...)

segunda-feira, 22 de março de 2010

TROPEÇO

Era uma tarefa de matemática, a ser feita "com a ajuda de um adulto":
"Um passarinho voava livremente pelo céu, quando tropeçou e caiu. Isso é possível?"

Ela disse que não. Que quem voa, ou nada, não tropeça. "Essa foi fácil, pensei". Mas não foi. Ela não quis escrever isso no dever de casa. Queria, porque queria, contar uma história sobre como o passarinho livre tropeçou na nuvem. E caiu. Eu não deixei, e depois de muita conversa, a convenci a optar pela primeira resposta.

Porém, ela tem razão. É assim a vida. Foge às regras, desafia a lógica e às vezes nos faz tropeçar quando voamos livres.

Mas tem nada, não, filha! Você é uma literata, e sem saber, entendeu Machado de Assis:

"É melhor cair das nuvens do que do terceiro andar."

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TREINO


Ela veio e disse:
- Mãe, eu já nadei bastante com bóia para treinar. Se eu tirar eu consigo nadar sozinha.

Eu, meio com medo, vigiando de perto, deixei. E não é que ela foi? Nadou sozinha, engoliu água, mas não desistiu. Desde aquela tarde, ela não colocou mais as bóias (e eu não consegui mais fechar os olhos para tomar sol...)

Eu também sou uma bóia na vida dela. Sei que chegará o dia em que ela irá mergulhar sozinha e nadar em seus próprios mares.

E então, eu serei o seu porto.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DE EVA A GEISY

A culpa é sempre das mulheres. Como cantou Rita Hayworth em 1946 no filme Gilda, "put the blame on mame".
Mas estamos em 2009, e a moça do vestido curto foi expulsa da universidade. Em nome da "ética", "dignidade" e ""moralidade". Geisy, com seu vestido rosa, ao mesmo tempo Eva e a maçã dos tempos modernos, expulsa para proteger os outros alunos da sua sexualidade provocadora.

Segundo anúncio publicado em jornais, a direção da universidade alega que "a atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar." O mesmo argumento que estupradores, assassinos em nome da honra, apedrejadores e outros criminosos e tiranos usam há séculos para justificar atrocidades contra mulheres: "Ela provocou".
Ao alegar que o problema foi a atitude da moça, mais que sua roupa, os responsáveis pela universidade parecem se esquecer que os outros alunos, adultos, sãos, poderiam aceitar ou recusar o "oferecimento" da moça, não precisando de proteção contra a sexualidade alheia. Protegida deveria ter sido a moça contra os insultos e agressões que sofreu. De homens e mulheres, também incomodadas - ameaçadas?

Quando escolhemos uma roupa para vestir, passamos uma mensagem. Devemos, portanto, ter o cuidado de transmitir aquilo que desejamos, seja ao usar minissaia ou burca. No caso da Geyse, a atitude e as roupas estavam em sintonia. Uma moça que se acha bonita, segura do seu poder de atração, que se veste dessa forma. Eu acho que ela está certa. Quem se sente ameaçado por ela deve procurar em si as causas desse desconforto. Talvez não tenha a mesma segurança que ela em relação ao seu próprio corpo. Ou, como se viu, não saiba controlar seus impulsos.

Espero que esse não seja o fim desse caso e que os agressores e a universidade sejam punidos por tanto sexismo e preconceito. Mais ainda, espero que ao crescer minha menina não seja prisoneira do seu corpo e refém da vontade alheia.

(Quando eu tinha uns 16, 17 anos, tive um vestido bem parecido com o da Geysi. Vermelho. Fazia o maior sucesso!)

UPDATE: O Reitor da UNIBAN informou que revogou a decisão do conselho que expulsou Geisy e dará "melhor encaminhamento à decisão."

Excelente texto:


Are you decent? trecho do filme Gilda

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

PELO DIREITO DE SER DIFERENTE

Hoje eu estou indignada. Muito.

Eu ensino minha menina que devemos fazer aos outros aquilo que queremos que nos façam. Eu mesma tento a cada dia respeitar as escolhas e o espaço alheios. Sonho com um mundo mais tolerante.
E ontem uma notícia me tirou o fôlego. Uma aluna da UNIBAN foi ofendida e segundo consta, ameaçada de estupro, porque foi à faculdade vestida de minissaia e se portou de forma "provocativa". Os vídeos foram retirados da internet, mas logo outros são postados. Mostram a moça saindo escoltada pela polícia enquanto outros alunos observam, riem, tiram fotos no corredor lotado. Ninguem parece manifestar qualquer solidariedade. Aliás, nos diversos veiculos de mídia que divulgaram a notícia, chovem comentários preconceituosos, muitos dizendo que "ela provocou e mereceu".

Existem países em que as mulheres devem andar cobertas. Em outros, meninas são mutililadas para não sentirem prazer sexual. Até mesmo nos países escandinavos, que atingiram os mais altos índices de participação feminina no mercado de trabalho e na política, aumentam os casos de violência doméstica. E no mundo ocidental, a mulher se vê cada vez mais presa na armadilha da eterna juventude e beleza a todo custo. É uma coisificação da imagem feminina que me preocupa pela sua escalada crescente. E assisto com tristeza a cumplicidade feminina em aceitar esse papel tão pequeno e árido. Meninas que se vestem como mulheres, mulheres que se vestem como meninas. No entanto, embora eu ache que os caminhos do despertar do desejo são tanto mais interessantes quando mais privados e individualizados, acho que todos tem o direito de se vestirem como quiser. Ainda mais em um ambiente adulto.

Espero que minha filha cresça de forma a se manifestar contra a unanimidade burra em casos como esse. E que saiba que o legal do mundo não é que somos todos iguais. O legal é que somos todos diferentes.

Para saber mais (não deixe de clicar nos links):

http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb/2009/10/29/uniban-se-pronuncia-sobre-video-de-aluna-hostilizada/ (matéria da Época sobre o caso)

http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/06/experimentos-em-psicologia-a-unanimidade-burra-de-solomon-asch.html (A Unanimidade Burra de Solomon, da imperdível série Experimentos em Psicologia do Blog Não Posso Evitar)

http://www.bullying.com.br/ (site sobre bullying)

http://www.riocomgentileza.com.br/ (Esse é para lembrar que Gentileza gera Gentileza)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE GRIPE SUÍNA

Minha menina de cachos e as gêmeas vieram para casa cantando uma nova música que aprenderam na escola:

"Sem abraço,
sem beijinho,
Sem aperto de mão.
Isto é apenas
Uma proteção"

Poderia ser engraçado, mas é triste...

terça-feira, 14 de julho de 2009

PLURAL

Pessoas são como paisagens. Existem em todas as formas.

Eu gosto de heterogeneidade. Acho que tudo o que é diferente de nós, acrescenta. Quando vivíamos na Ilha, eu me preocupava porque minha filha convivia com pessoas muito semelhantes a ela em tudo. Minha menina agora conhece pessoas de todas as cores, religões, classes sociais. Conhece, convive e gosta. Este é um dos motivos, aliás, pelos quais prefiro as pequenas cidades às grandes. Paradoxalmente, nas grandes cidades, as pessoas tendem a conviver em guetos, sem se misturarem. E o medo do diferente tem levado ao isolamento dos condomínos fechados, à vida estéril e ilusória de crescer protegido de realidades distintas. No interior, ainda existe a possibilidade do convívio com o outro que não se assemelha a mim. Eu gosto de praças, gosto das regiões centrais, gosto das praias onde todos se encontram e estranhos podem se tornar amigos. Quem teme o diferente, é porque não se acostumou a conviver com ele. O que recebemos de novo, nos acrescenta e nos impulsiona.
Igual é mais do mesmo. E eu quero ir sempre além.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

HERANÇA

Meus defeitos são maiores e mais numerosos que minhas virtudes. Por isso, desejo que minha menina seja (muito) melhor do que eu.

Mas há algo que eu gostaria que ela herdasse de mim: a capacidade de acreditar, sempre! Sou incuravelmente otimista. Amo a vida em seus pequenos detalhes, e uma borboleta que passa é capaz de desviar minha atenção do mais insolúvel dos problemas. Eu jamais pensei "ah, eu era feliz e não sabia"... Porque cada instante me é precioso e procuro não desperdiçar a oportunidade de dizer a quem me é querido: eu amo você!

Sim, eu sou intensa e sofro infinitamente...por breves instantes. Jamais uma tristeza ocupa todos os meus pensamentos. Vejo oportunidades nos problemas e acredito em milagres. Tenho fé, sempre!

Lembre-se assim de mim, filha! Sorrindo, e acreditando. E não confie em que lhe disser que amar faz sofrer. Ame, ame sempre, e muito. Amigos, família, seu trabalho, um parceiro. Deus. A vida!
Não há limites para quem não se impõe limites!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tão longe, tão perto

Faz bem pouco tempo, eu sabia exatamente quantas horas eu havia passado longe da minha filha em seus quase cinco anos de vida.
Faz bem pouco tempo, eu havia dormido longe dela apenas uma vez. Faz bem pouco tempo, eu sabia o que havia acontecido em cada minuto do seu dia. Faz bem pouco tempo, ela era a única razão da minha felicidade.
Faz bem pouco tempo, porque havia colocado sobre os ombros pequenos da minha menina toda a minha vida, eu não era uma boa mãe.

Agora, há dias em que só nos vemos à noite. Eu já viajei sem ela, e foi muito bom. Ela dorme longe de mim às vezes, e gosta. Ela se troca sozinha. Já não sei mais tudo sobre ela. Hoje, ela é a melhor parte da minha vida, e eu da dela. Mas eu sei que ela não é um pedaço meu.
E por isso, agora nós duas podemos ser inteiras.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Pipas no céu de abril

Céu azul.
Deitada na rede, observo, à luz da luminosidade de abril, minha menina na piscina.
Ela e as gêmeas brincam, no mundo à parte que as crianças felizes sabem construir. De vez em quando, ela me olha e sorri.

A localização privilegiada da chácara onde estamos permite ver ao longe a Basílica Nacional. A Mãe nos observa e cuida de nós à distância, assim como eu faço com minha filha. Amar é isso: cuidado, mas com liberdade.

No alto, bailam pipas coloridas. E penso que é assim minha relação com minha criança: quero impulsioná-la para que ela voe cada vez mais alto. Livre, feliz. Mas ainda ligada à mim. Por um fio delicado, sutil, quase invisível. Mas que saberá guiá-la e orientá-la vida afora.

O Amor. Simples assim.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Aprendendo

Procurei bastante, e encontrei uma nova escola para minha menina.
É a primeira escola em que ela estudou, quando ainda tinha cachos.
Estamos refazendo nosso caminho, andando por lugares onde já fomos felizes.
Encontrando novamente a alegria.
Eu e ela, aprendendo juntas.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Feliz futuro!

Não gosto de postar textos prontos, tenho prazer em escrever.
Mas o texto abaixo é tão bonito, e traduz aquilo que eu tento transmitir a minha menina todos os dias. Achei na internet como sendo de Gandhi.
Então fica sendo o primeiro texto do blog em 2009.

Feliz futuro, para minha filha e para todos!

“Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida. A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem. Daria a capacidade de escolher novos rumos, novos caminhos. Deixaria, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável. Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. Além da ação o cultivo à amizade. E, quando tudo mais faltasse, deixaria um segredo: O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída”.

Viver é muito bom!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Farol

Viajamos na noite estrelada.
Aqui e ali, vê-se a terra ferida. Placas na estrada exibem nomes que evocam a recente tragédia das chuvas.
A viagem é longa, mais que o normal. E aos poucos, minha menina e eu vamos nos aproximando de nossa nova vida.
Estão sendo dias que para ela parecem férias. Mas de vez em quando vejo uma sombra em seu olhar. Ela ainda está confusa e no telefone pede para o pai vir visitá-la no "dia da família", como chamávamos os finais de semana.
Eu e ela tentamos nos adaptar a uma nova rotina, tão diferente. Eu quero manter nossos hábitos e mostrar a ela que os nossos princípios devem ser válidos em qualquer lugar e situação. Não esta sendo fácil, porém.
Na noite estrelada, porém escura, é o rosto sereno da minha menina de cachos que ilumina o meu caminho.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Não é adeus, apenas até logo

Sexta-feira foi o último dia da minha menina na escola. Com a separação, nós duas vamos nos mudar para outra cidade.

Gosto bastante desta escola, que não é perfeita, mas tem o que para mim é mais importante: valores similares aos meus. A alimentação é saudável. As turmas são pequenas, o que eu acho que ajuda a evitar o bullying. A direção da escola tem o grande talento de saber escolher as professoras. De forma que no tempo que passou na escola, minha menina teve três ótimas educadoras que são também excelentes pessoas.


Na Semana da Criança, cada sala apresentou para as outras uma peça. Minha menina foi a Menina dos Cachos Dourados (da história dos Três Ursos). Ela adorou ficar no palco a maior parte do tempo! E gostou mais ainda porque naquele dia ela voltou a ter cachos, graças ao baby liss. E foi não só para mim, mas para todos, minha menina de cachos mais uma vez.

Assim como minha filha se tornou amiga dos colegas de classe, eu também fiquei amiga dos pais. E nosso novo caminho começa um pouco vazio, sem eles.


Em seu último dia, ela foi vestida de Tinkerbell(Sininho). É sua personagem favorita no momento. Gentilmente, a mãe de um dos amiguinhos mandou um bolo, que ela e os colegas confeitaram juntos. Ela também ganhou alguns presentes e um cartão. E fez um lindo book of the year, com o desenho da professora e dos colegas, que ilustram este post. Interessante que ela desenhou também a amiguinha que deixou a escola em junho.

Para ela, foi um pouco de festa. E no último momento, descendo as escadas, quem chorou fui eu...


Para saber mais:


http://www.dltk-teach.com/rhymes/goldilocks_story.htm

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Degustando a vida

Minha menina não gosta de batatas fritas. Nem de salsicha.
E eu tenho muita inveja dela!

Desde pequenina que eu procurei ensinar a ela hábitos alimentares saudáveis e também o prazer de comer. Hoje ela faz suas próprias escolhas e não tem medo de experimentar sabores novos. Embora quase sempre desista de continuar comendo na primeira vez...

Já aconteceu de irmos ao supermercado e as pessoas ficarem me olhando com cara estranha enquanto ela insistia em voz alta para eu comprar couve-flor e eu negava (se não, tem couve-flor todo dia em casa!). Mas na maior parte das vezes ele é uma menininha muito feliz e saudável, que gosta de arroz, feijão, salada de tomate e alface e uma carninha (ou frango, ou peixe). E couve-flor, claro!

Na escola dela o lanche é igual para todos - eu acho ótimo! E tem também o "fruit time", com três tipos de frutas todos os dias. Nem preciso dizer que ela é a "Maria Frutinha"... Hoje mesmo ela ficou toda feliz porque encontramos morangos orgânicos para comprar. Aliás, morangos só consumo orgânico. Ela já aprendeu isto e às vezes me embaraça perguntando para as pessoas que oferecem a fruta ou receitas com ela perguntando "é orgânico?". Diante da negativa, ela diz "então não quero".

Eu adoro comer fora e sou fã número um de cafés. Gosto de observar as pessoas. Minha filha é minha melhor companheira nestas horas. Por isto, desde bem pequena, ela sabe que a regra é:
Ficar na cadeira. Não pode levantar.
Simples assim. E funcionou e funciona. Ela se interessa pelo que come, participa da refeição, conversa. Se entretém com um brinquedo, ou desenhando. Assim, é convidada por todos para todos os lugares, e conhecida por ser uma criança educada (sem deixar de ser alegre e feliz).
Mas claro que sempre que possível, procuro escolher lugares com espaço para crianças. Aqui na Ilha ha dois lugares imperdíveis:

Café Kiwi
http://cafedasquatro.blogspot.com/2008/09/kiwi-o-caf.html
Além das receitas com ingredientes orgânicos, decoração charmosa e da simpatia do staff, ainda tem um lousa e muitos lápis e papéis para as crianças. Amo!

Pizzaria Lorenzos
http://www.pizzarialorenzos.com.br/
Para mim este é o melhor endereço "secreto" daqui. Tudo é encantador, da entrada com uma ponte e que passa no meio de pedras, à surpresa de ver o proprietário cantando um tango. A vista é linda e o salão foi feito pensando em todo mundo: desde os casais (reserve a mesa 13), a grupo de amigos e famílias (mesas 1 e 2). Mas o que mais encanta minha filha e outras crianças não é nada disto. Nem mesmo o excelente espaço com livros e brinquedos. O grande charme do local é que as crianças podem fazer sua própria pizza, desde a massa à cobertura. Imperdível! (E sim, a pizza é uma delícia, e os preços, justos!)


Para saber mais - algumas outras experiências gastronômicas que recomendo:
http://www.slowfoodbrasil.com/
http://www.restaurantepitangueiras.com.br/
http://www.deliciasportuguesas.com.br/
http://www.tocadourso.com.br/
http://www.ostradamus.com.br/

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Para sempre

Ontem estávamos voltando da escola e ela inventou uma música. Em inglês! Cantou por boa parte do caminho. Eu dizendo que estava lindo! Quando parou, disse:
- Mãe, você sempre vai lembrar desta música?
Vou sim, filha. Da música. Das nossas idas e vindas a pé da escola, quase meia hora andando, bastante para suas perninhas tão pequenas. Mas tão bom nossas conversas, as paradas fixas no caminho, sua mãozinha na minha.
Para sempre vou lembrar de quando minha menina tinha 4 anos e íamos juntas para a escola. Vou lembrar de como é bom voltar para casa no verão prolongando o caminho, dia ainda, e parar para tomar café e comer pão de queijo. O biscoitinho do café vai ser sempre seu!
Vou lembrar de quando os dias ficam mais curtos e a noite vai caindo enquanto voltamos para casa e olhamos o céu para ver a cor da nuvens, se tem estrelas e qual a forma da Lua. Nossa preferida é o "sorriso do gato da Alice".
Vou lembrar que o Chef Remy e a Timkerbell nos esperam sempre no alto da palmeira, depois do sinal. E depois vão voando com a gente até a escola, ou até em casa.
Vou lembrar que eu sempre pergunto "já disse que te amo hoje?" e você sorri e diz que sim e me dá um beijo "grudinho de bico".
Vou lembrar de como é difícil subir aquela ladeira. De como é bom pisar nos "crocts" que caem das árvores no outono. Vou lembrar daquele senhor que vende cachorrinhos de brinquedo na porta do hospital.
Vou lembrar que reformaram seu "lugarzinho de brincar", porque virou um Banco.
Vou lembrar que você sempre pedia para eu comprar algodão doce, e quando eu comprei você gostou "só da máscara".
Vou lembrar que você gosta tanto de ir para a escola que quando viramos a esquina você sempre corre para chegar logo.
Vou lembrar sempre da sua carinha linda e sorridente descendo as escadas quando eu vou te buscar.
Vou lembrar sempre de você me contando "what for snack time" na volta. E de como você gosta dos dias de muito vento, ou de chuva (e eu não).
Vou lembrar de seus amiguinhos, das suas professoras, de todos na escola.
Espero que você se lembre também. Porque você é muito, muito feliz.
E eu desejo que você continue assim.
Para sempre.

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