"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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domingo, 14 de agosto de 2011

NAUFRÁGIOS

Sou oceano e escondo naufrágios dentro de mim.

O brilho do sol na superfície confunde aqueles que não sabem me navegar. Somente os corajosos mergulham. Entram na minha escuridão, tão desorientados quanto eu. Mas lá, entre destroços de mim mesma, existem também tesouros, de brilho opaco, cansados de esperar, acomodados em sua ignorância.

Sou oceano. E vivo de presságios e medos marinheiros.

sexta-feira, 18 de março de 2011

INTIMIDADE

O silêncio confortável é o maior grau de intimidade que se pode ter com alguém. Quando se chega a esse ponto, de se entender sem palavras, de permitir ao outro ser dono dos seus pensamentos, se alcançou o amor tranquilo.
Um blog também pode ser feito de silêncios, acho. Já estamos juntos há algum tempo, e já sabem que eu me calo, mas volto. Está tudo bem à minha volta. Saúde, emprego, vida que segue. Mas dentro de mim é o oceano, sempre. Que às vezes se derrama, outras se recolhe.
Não estou longe, estou aqui. Estou aqui, mas estou longe.

Lado a lado, em silêncio, prosseguimos nossa conversa.


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

FOCO

O Marcelo Pereira de Carvalho, meu amigo talentoso, esteve viajando pela Nova Zelândia e tirou fotos incríveis. Entre tantas, uma me chamou a atenção pela escolha técnica que ele fez. Uma paisagem maravilhosa, lago azul, montanhas, picos nevados... E ele decidiu-se por destacar singelas flores amarelas. Escolheu o primeiro plano. 

Lake Hawea, Nova Zelândia, por Marcelo Pereira de Carvalho

No meio de tantas imagens lindas, essa voltou à minha mente várias vezes. Bela metáfora da vida. Escolhas. Foco. Podemos decidir fixar nosso olhar no horizonte distante, visualizar o futuro que não chegou. Ou podemos prestar atenção na beleza por vezes oculta do momento presente.
Tenho entendido que quem se entrega a devaneios não vive, que se deixar levar é uma forma de escolha, passiva, que nos rouba a autonomia. A espera do por vir não pode se estender indefinidamente. Os desejos convergentes se ajustam, é no ponto de fuga que aprofundamos a verdade.
Paradoxal que pareça, é o olhar para o agora, o cuidado na escolha de hoje, que vão nos aproximar do horizonte. As flores perecem, mas as montanhas continuarão ali, a espera de serem conquistadas. 

Sim, há essa dor, esse aperto no peito. O espanto dos olhos que não mais reconhecem o mundo. Há o vazio, o cansaço. A espera. À espera. Mas há, também, a recusa. Destino de outsider, não se conformar. Senhora dos meus labirintos, recuo e avanço, capaz, ainda, de me surpreender... E sigo a passos tortos, sem nada mais buscar, confiando ser encontrada.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ISSO NUNCA ME ACONTECEU ANTES

Isso nunca me aconteceu antes!
São essas experiências únicas, que fazem meu coração bater mais forte, as que costumam me acompanhar por mais tempo. Aquilo que parece diferente de tudo o mais, o que chega com a força do inevitável e a surpresa contraditória do predestinado. Costumo apegar-me a esses sentimentos como coisas extraordinárias, raras. Descarto-me do banal e agarro-me às minhas pequenas epifanias.

Mas... será mesmo assim? Observo minha filha encantar-se com cada instante. Toda experiência, mesmo repetida, é nova para ela. O trajeto para a escola, as brincadeiras, seus filmes preferidos. Outra vez e outra vez, o cotidiano a encanta. Não precisa buscar novidades, é o seu olhar que traz o mundo sempre renovado, a cada dia.

Então, me dou conta. Cada instante é único. Posso me descartar desse apego ao passado que me parece tão encantador, porém, está já distante. Posso encantar-me com o que já conheço, com o que está à minha frente. Há que se saber olhar. Isso nunca me aconteceu antes...

Minha menina me ensina outra lição. E quase sem perceber, dobro a esquina.


quinta-feira, 24 de junho de 2010

ANIVERSÁRIO DE DOIS ANOS DO BLOG

Hoje esse blog está fazendo dois anos. A primeira constatação que faço é que passaram rápido. A segunda, que coube muita coisa nesse tempo.

Esse blog é cria do Blog Nós Duas, da jornalista Priscila Sérvulo, que não existe mais. Pena! Como, porém,  o blog ainda está no ar, recomendo a leitura para quem não o conhece. 
Eu passava por um período bastante solitário e complicado, que culminou na minha separação. Como escreveu Jorge Luis Borges, parecia-me que “[...] todas as coisas nos acontecem precisamente, precisamente agora. Séculos de séculos e apenas no presente ocorrem os fatos; inumeráveis homens no ar, na terra e mar, e tudo o que realmente sucede, sucede a mim…”  Ler o blog da Priscila me fez lembrar que existem problemas muito maiores que os meus. E também me estimulou a escrever como uma forma de ter uma voz própria, porque andava muito calada e solitária naquele período (bom, acho que tendo a ser sempre calada e solitária quanto às minhas dores. Sou do tipo que gosto de compartilhar somente alegrias).
Comecei falando para mim mesma e para minha filha do futuro e nunca imaginei que teria leitores, menos ainda que faria amigos por aqui. Esse blog é semi-anônimo e são poucas as pessoas que sabem quem eu sou, o nome da minha menina e as histórias por trás das entrelinhas. Ainda assim, me sinto acolhida. Isso é muito bom!
Algumas vezes me espantam os comentários sobre meus textos, especialmente quando me elogiam pela aparente serenidade... Sou descompensada, passional, impulsiva, chorona... Compenso um pouco disso com auto-conhecimento e resiliência, que me levam através dos caminhos tortuosos da minha vida.

Sabem? Eu queria mesmo era uma vida simples, calma e tranqüila. Não foi possível, ainda... Contudo, me consolo tendo histórias para contar! Histórias e memórias que estou registrando aqui, para a minha menina de cachos, torcendo para que sua própria existência seja mais, melhor e maior.






sexta-feira, 11 de junho de 2010

ESQUINAS

Quando eu era criança, não existia celular e as pessoas de seis anos podiam andar por aí sem a companhia de adultos e sem hora para voltar. Minha brincadeira preferida chamava-se "quarteirão maluco". Era um sair caminhando a esmo pelas ruas, até ter a sensação de estar perdida. Então, dobrava-se uma esquina e o mundo que eu conhecia estava ali, de volta.

Nesses dias doídos de agora, lembrei-me que a vida, ela também, está cheia de esquinas. Logo ali, eu sei, vou alcançar o gesto e o jeito que me traga a felicidade de volta. Vou deixar de pensar que a vida é o que acontece do outro lado e vou eu mesma, impaciente, pegá-la com as mãos e lambuzar-me de alegria.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O OUTRO LADO

Trago comigo paisagens internas. 

A cidade em que passei boa parte da minha infância é dividida pela linha do trem e pelo rio que a corta. É também cercada de serras. Para chegar ao mar, é preciso atravessá-las.
Assim também minha vida pode ser dividida em linhas imaginárias que cruzei. Algumas vezes voltei, outras não. Lembro-me do dia em que a ponte mais bonita e antiga da cidade partiu-se ao meio e caiu. Eu também tive esse momento em que não foi mais possível voltar atrás porque não havia mais o caminho. Aquela que fui já não estava lá.

Agora, há montanhas dentro de mim. Não sei o que se oculta do outro lado, e ainda não decidi se quero cruzá-las e avistar o horizonte sem fim, ou me conformar com o lado de cá, seguro e sem surpresas. Há um certo cansaço em se reinventar constantemente, mas a conformidade sempre me pareceu uma espécie de derrota.

Porém, não sou montanha, sou oceano. E a vida me navega.

domingo, 4 de abril de 2010

PÁSCOA

A chuva caia em pingos isolados, que no chão uniam-se em grandes poças. Estávamos dentro de casa e eu a convidei: "vamos?"  
Eu e ela, juntas sob a chuva de Páscoa. E um arco-íris no céu. 
Há outras águas, das lágrimas que caíram e dos mares que nos esperam. Tudo passa e tudo muda. Mas há as exceções, aquilo que permanece imutável. O amor.
O tempo, hoje, é de acreditar.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

PALAVRAS

Não me lembro de um tempo em que não sabia ler. Palavras me acompanham desde sempre. Um livro que ainda não li é sempre um prazer a ser descoberto. É esse meu vício. Nada de chocolates para mim: livros, sempre livros. Criança ainda, perdia-me nas festas procurando onde estavam os livros, e escondia-me para ler. Ainda me lembro do primeiro livro de "gente grande" que li, aos nove anos (e me encanta até hoje): "Música ao Longe", de Érico Veríssimo. Minha filha quase chamou-se Clarissa.

Esse encanto pelas palavras levou-me, talvez, ao equívoco de atribuir a palavras bonitas iguais sentimentos. Esquecendo-me que na vida, assim como na literatura, é possível inventar o belo. Tenho agora que descobrir a beleza dos gestos e o encanto do silêncio.

"Words are never as precise as touch" (Dana Gioia)


O Alexandre Serpa acertou em cheio ao lembrar-se dessa música no seu comentário:




Enjoy The Silence
Composição: Martin L.Gore

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can't you understand
Oh my little girl
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very
Unnecessary
They can only do harm
Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very
Unnecessary
They can only do harm
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very
Unnecessary
They can only do harm
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very
Unnecessary
They can only do harm
Enjoy the silence...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

AGRIDOCE

Hoje ela me disse:

- As coisas boas adoçam a vida.

Então, que seja doce (como disse Caio Fernando Abreu).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O SENTIDO DAS COISAS

O tempo passou... E ela fez seis anos. Quando se tem um filho, valem todos os clichês, todas as frases feitas. Porque histórias de amor são sempre semelhantes e universais, só a tristeza é particular.
Estou nesse momento assim. Coletiva e única. Tenho refletido muito, buscado respostas. Sou eu quem está pequena, hoje. E quando seguro minha menina em meus braços, é ela quem me sustenta.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

PEDRA PRECIOSA

Estávamos na chácara, ela pintando pedras com minha mãe. Alguns minutos gastos estudando cada uma delas, para descobrir a figura que se oculta no aparente nada.

- Tem que prestar atenção para encontrar o desenho de cada uma, mãe! 

E surgiram animais, casas, frutas, pessoas...

Eu ando assim, também. Procurando ver as formas belas que estão ocultas nas pedras da vida. E é minha filha quem tem colorido essa história.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

MINHA JANELA PARA O FUTURO


Em todos os lugares em que trabalhei, dei um jeito de ficar próxima a janelas. Gosto de observar as mudanças de luz, as nuances que tornam o que é igual sempre novo. E mais do que tudo, preciso de amplitude, enxergar a possibilidade de ir além. Por isso não gosto de shoppings e suas luzes artificiais, iguais em todas as partes do mundo.


Ontem trouxe minha menina para o trabalho. Ela dormiu nas cadeiras em frente à minha mesa, sob a janela. Foi a mais bela paisagem que já tive. Observá-la expande meus horizontes e me dá a certeza de que vale a pena seguir.



segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DANDO LAÇOS, DESATANDO NÓS


Nesse final de semana minha avó fez 90 anos. 
Ao longo do nosso tempo juntas, as memórias mais carinhosas são da sua linda voz cantando, das suas histórias antes de dormir e dos famosos bolinhos, que de tão bons são conhecidos como os "bolinhos da Tia Anastácia". E que ninguém, ninguém mesmo, é capaz de fazer igual.
Minha avó foi lindíssima na juventude e continua bonita. Surpreende a todos pela energia, pela fé e principalmente pela capacidade de comer de tudo... Mas sua memória a trai muitas vezes. Os irmãos que ela não encontrava há anos vieram para a comemoração e havia a expectativa se ela os reconheceria ou não... E ela ficou, sim, muito feliz com a presença deles, que ficaram o tempo todo ao lado dela. Parte da família se reencontrou, parte se conheceu naquele momento... E as duas mais novas bisnetas, de 4 meses, se viram pela primeira vez.
Minha avó já não é capaz de morar sozinha, precisa de ajuda para algumas tarefas cotidianas. Todavia, mantém intactas suas preferências, faz suas escolhas e até briga por elas algumas vezes!
Observando a festa, as pessoas e especialmente minha avó, refleti sobre uma questão que tem me rondado: independência x autonomia.

Para mim, a independência tem um caráter objetivo, refere-se à questões de ordem prática, que nos permitam sobreviver sem ajuda. Ter um bom salário, um lugar para morar, poder se locomover sozinha... Tudo isso e ainda mais pode nos fazer independentes. Buscar a independência é uma das condições para alcançar a liberdade.
Mas sobreviver só, não basta... O importante é VIVER. Por isso, para mim a autonomia é mais importante que a independência. Autônomo é quem cria suas próprias regras - e que tem a liberdade de recriá-las, se for o caso. Autonomia está ligada à questões subjetivas como liberdade de escolha, definição de objetivos e metas, enfim, de assumir o leme da própria vida. Em diversos momentos, pode ser que sejamos dependentes de ajuda externa, assim como as crianças, os idosos, os deficientes. Ou mesmo quando um revés nos atinge. Mas quem é autônomo tem a capacidade de escolher seus caminhos, de se reinventar. Pode escolher até mesmo não agir.
Lutar pela independência pode implicar em confronto, ao passo que a autonomia é sempre uma atitude positiva. Autonomia é liberdade. Mesmo em uma prisão, ainda se pode fazer escolhas, evoluir. Importante dizer que quem é autônomo pode não ter independência em alguns aspectos, mas não é nunca dependente, ao não se deixar prender por expectativas alheias, por convenções, por medos.
A busca excessiva pela independência pode acabar em solidão, na medida em que se acredita prescindir de outros. Enquanto ser autônomo é ser livre para escolher as companhias, sem ter medo das relações que se estabelece. É ter confiança em si e no próximo.
Quem quer ser independente a ponto de apartar-se também das relações pessoais, na verdade está abrindo mão da sua autonomia. Está deixando de decidir, de experimentar, de ousar. Está dando nós, e não criando laços. Torna-se, apenas, um sobrevivente.
Enfim, quem é independente tem controle dos aspectos práticos da própria vida, enquanto quem é autônomo tem poder sobre si mesmo. 
É isso que quero para minha filha: que ela busque - e encontre - sua independência, mas principalmente, que tenha autonomia. 
Que faça laços e não ate nós.

"Happines (is) only real when shared"

Esse texto foi uma das causas dessa minha reflexão:
Aline tem todo o tempo do mundo

Recomendo muito esse filme, baseado em uma história real:
Na Natureza Selvagem (Into the Wild)

Texto do blog "O que der e vier" que também fala sobre conceitos semelhantes e distintos (esse blog é otimo):
Sobre modéstia e humildade



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DE EVA A GEISY

A culpa é sempre das mulheres. Como cantou Rita Hayworth em 1946 no filme Gilda, "put the blame on mame".
Mas estamos em 2009, e a moça do vestido curto foi expulsa da universidade. Em nome da "ética", "dignidade" e ""moralidade". Geisy, com seu vestido rosa, ao mesmo tempo Eva e a maçã dos tempos modernos, expulsa para proteger os outros alunos da sua sexualidade provocadora.

Segundo anúncio publicado em jornais, a direção da universidade alega que "a atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar." O mesmo argumento que estupradores, assassinos em nome da honra, apedrejadores e outros criminosos e tiranos usam há séculos para justificar atrocidades contra mulheres: "Ela provocou".
Ao alegar que o problema foi a atitude da moça, mais que sua roupa, os responsáveis pela universidade parecem se esquecer que os outros alunos, adultos, sãos, poderiam aceitar ou recusar o "oferecimento" da moça, não precisando de proteção contra a sexualidade alheia. Protegida deveria ter sido a moça contra os insultos e agressões que sofreu. De homens e mulheres, também incomodadas - ameaçadas?

Quando escolhemos uma roupa para vestir, passamos uma mensagem. Devemos, portanto, ter o cuidado de transmitir aquilo que desejamos, seja ao usar minissaia ou burca. No caso da Geyse, a atitude e as roupas estavam em sintonia. Uma moça que se acha bonita, segura do seu poder de atração, que se veste dessa forma. Eu acho que ela está certa. Quem se sente ameaçado por ela deve procurar em si as causas desse desconforto. Talvez não tenha a mesma segurança que ela em relação ao seu próprio corpo. Ou, como se viu, não saiba controlar seus impulsos.

Espero que esse não seja o fim desse caso e que os agressores e a universidade sejam punidos por tanto sexismo e preconceito. Mais ainda, espero que ao crescer minha menina não seja prisoneira do seu corpo e refém da vontade alheia.

(Quando eu tinha uns 16, 17 anos, tive um vestido bem parecido com o da Geysi. Vermelho. Fazia o maior sucesso!)

UPDATE: O Reitor da UNIBAN informou que revogou a decisão do conselho que expulsou Geisy e dará "melhor encaminhamento à decisão."

Excelente texto:


Are you decent? trecho do filme Gilda

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

PELO DIREITO DE SER DIFERENTE

Hoje eu estou indignada. Muito.

Eu ensino minha menina que devemos fazer aos outros aquilo que queremos que nos façam. Eu mesma tento a cada dia respeitar as escolhas e o espaço alheios. Sonho com um mundo mais tolerante.
E ontem uma notícia me tirou o fôlego. Uma aluna da UNIBAN foi ofendida e segundo consta, ameaçada de estupro, porque foi à faculdade vestida de minissaia e se portou de forma "provocativa". Os vídeos foram retirados da internet, mas logo outros são postados. Mostram a moça saindo escoltada pela polícia enquanto outros alunos observam, riem, tiram fotos no corredor lotado. Ninguem parece manifestar qualquer solidariedade. Aliás, nos diversos veiculos de mídia que divulgaram a notícia, chovem comentários preconceituosos, muitos dizendo que "ela provocou e mereceu".

Existem países em que as mulheres devem andar cobertas. Em outros, meninas são mutililadas para não sentirem prazer sexual. Até mesmo nos países escandinavos, que atingiram os mais altos índices de participação feminina no mercado de trabalho e na política, aumentam os casos de violência doméstica. E no mundo ocidental, a mulher se vê cada vez mais presa na armadilha da eterna juventude e beleza a todo custo. É uma coisificação da imagem feminina que me preocupa pela sua escalada crescente. E assisto com tristeza a cumplicidade feminina em aceitar esse papel tão pequeno e árido. Meninas que se vestem como mulheres, mulheres que se vestem como meninas. No entanto, embora eu ache que os caminhos do despertar do desejo são tanto mais interessantes quando mais privados e individualizados, acho que todos tem o direito de se vestirem como quiser. Ainda mais em um ambiente adulto.

Espero que minha filha cresça de forma a se manifestar contra a unanimidade burra em casos como esse. E que saiba que o legal do mundo não é que somos todos iguais. O legal é que somos todos diferentes.

Para saber mais (não deixe de clicar nos links):

http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb/2009/10/29/uniban-se-pronuncia-sobre-video-de-aluna-hostilizada/ (matéria da Época sobre o caso)

http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/06/experimentos-em-psicologia-a-unanimidade-burra-de-solomon-asch.html (A Unanimidade Burra de Solomon, da imperdível série Experimentos em Psicologia do Blog Não Posso Evitar)

http://www.bullying.com.br/ (site sobre bullying)

http://www.riocomgentileza.com.br/ (Esse é para lembrar que Gentileza gera Gentileza)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

MÃE, É DIFÍCIL ARRUMAR UM NAMORADO?

"Mãe, é difícil arrumar um namorado?"

Estivemos viajando por dois finais de semana e o mundo parece vir aos pares. Da observação do romance alheio veio o comentário da minha menina. Comentário de certa forma preocupado!

Não sei se é difícil arrumar um namorado. Aliás, interessante a escolha da palavra. "Arrumar" o outro, creio que é impossível. Melhor que já venha pronto, ou que se aceite um pouco de bagunça....

Seja como for, gostar de alguém que também goste da gente é um pouco uma questão de sorte no que se refere ao encontro inicial. A partir daí, vem o cuidado com a relação. Que deve ser recíproco. Nem sempre é fácil ajustar os quereres, os espaços. O outro será sempre o desconhecido. Importante, acho, é jamais julgar uma relação atual por uma tristeza passada. E se é o amor quem nos encontra, e não o contrário, tratar ao menos de não se esconder.

Mas o principal ensinamento que eu quero que minha menina linda tenha em mente, é que antes de ser dois, precisamos estar uno. Inteiros. E que não é preciso um namorado para ser feliz. Ninguém é metade de nada. A quem falta um pedaço, falta também amor próprio. E este deve vir antes de tudo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

BRISA


Quando eu era pequena, o Dia da Criança não era uma data muito especial. Na verdade, para mim esse sempre foi o dia de Nossa Senhora Aparecida. Lembro-me mais da alegria que era viajar para o interior, ver meus avós e primos, do que de esperar por presentes. Era um dia de estar juntos, agradecer à Mãe.

Ao meio-dia, sempre o som dos fogos de artifício. Houve uma ocasião, já adulta, em que eu estava em um Parque Temático muito bonito. No Parque havia "o maior presépio animado do mundo", uma obra-prima feita por artesões, com bonecos articulados em tamanho natural, representando três cenas: a Anunciação, o cotidiano de uma cidade ou vila na época, e o Nascimento. Tudo ao som da Ave Maria. Nessa data, houve uma apresentação especial do Presépio ao meio-dia e foi um momento muito especial, uma epifania.

O Dia da Criança também passou a ser para mim o dia de comemorar o aniversário daquela que me ensinou o amor de mãe: minha sobrinha linda, que agora já é uma moça. Quando ela era criança, eu achava que não seria capaz de amar um filho tanto quanto a amava. Depois descobri que o amor se alimenta de si mesmo e é sempre maior quanto mais se ama. Ela foi a primeira criança da nova geração da família, e por trazer a todos nós tanta beleza e alegria, foi ela o nosso presente. Agora, é uma adolescente linda e (quase sempre) serena, e fico feliz de ver minha menina junto a ela. Minha sobrinha é muito distraída, fluida, e se intitula "Brisa". E assim ela é, vivendo com suavidade, tocando delicadamente a vida de quem tem a sorte de conhecê-la. E eu agora tenho também o desejo de aprender a passar pela vida assim, numa distração das coisas, para ver se a sorte me alcança num repente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO


Hoje é meu aniversário. Tenho em meus braços meu melhor presente. Aquela que me faz desejar o futuro.


(de presente para vocês, uma foto de nós duas)

terça-feira, 23 de junho de 2009

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO



Este blog está fazendo um ano.
As mudanças correram mais que o tempo.

Muita coisa se perdeu pelo caminho, mas aquilo que conquistamos não nos será jamais tirado: nossa liberdade mútua.
Aos trancos e barrancos, com muito choro (dela e meu), superando medos e acreditando sempre, estamos agora mais unidas, mas também, independentes. Especialmente eu dela. Meu amor é agora mais maduro e, quero crer, a conduz melhor pelos caminhos da vida.

Nunca fiz promessas de Ano Novo. Aquilo que decido, realizo agora (ou tento). Mas aproveito a ocasião para quebrar o paradigma... Desta vez, tenho alguns desejos para o ano que virá. Quero mais estabilidade, pra mim e pra minha menina. De temperamento, principalmente, porque sou muito passional! Pretendo conquistar mais serenidade. Recriar a cada dia a alegria da vida, tendo porém, o conforto de saber que o amanhã não trará muitos sobressaltos. Quero a felicidade calma e a "sorte de um amor tranquilo". Não estou, porém, me furtando às aventuras e surpresas! Afinal, foram o inesperado e novo que me trouxeram o melhor deste ano que passou.

Eu e minha menina passamos por muita coisa, e de tudo ficou a lição: "lar é onde seu coração está".

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