A impermanência é um dos princípios budistas que diz que tudo cessa. A vida é um ciclo constante de transformações. Tenho pensado na passagem do tempo e na impermanência.
A cada dia fico mais sensível a essas tantas mudanças. Observo minha filha crescer e admiro sua caminhada para tornar-se cada vez mais independente. Há alegria e também dor quando a vejo desprender-se de mim sempre um pouco mais, ao encontro do dia em que nossa relação será uma escolha e não uma necessidade. Eu a estimulo nesse caminho, apresento opções, algumas vezes abro mão de sairmos juntas para que ela possa estar com outras pessoas e construir novas relações. No entanto, nosso ritual ao acordar e ao dormir é dizer uma a outra, muitas e muitas vezes: "Minha filhinha". "Minha mãmãe". "Minha filhinha". "Minha mamãe". "Minha filhinha". "Minha mamãe"...
Observo também a passagem do tempo em mim. Como Cecília Meireles, às vezes busco minha face no espelho, sem reconhecê-la. São principalmente meus olhos que estranho, olhos de outrem, olhos de dor. Sinto saudades de mim mesma, nesses momentos. Da menina que acreditava. E penso no que ainda quero, naquilo que me falta. E sei que a resposta está em versos de Yeats:
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true;
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face.
Eis o meu desejo: alguém que enxergue minha alma peregrina, que não se cansa da busca, porém sabe que o caminho em si já é uma resposta. Alguém que escolha ficar quando chegar o momento de partir.
O que pára o tempo é o amor
(Para saber mais: Mandala e mandalas de areia)