"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."

segunda-feira, 12 de junho de 2017

SE ESTA RUA FOSSE MINHA

Passei parte da minha infância nesta rua. Foi onde aprendi sobre respeito às diferenças, solidariedade, amizade, igualdade. Uma vez contamos: 36 crianças se reuniam para brincar aqui. Idades e origens diferentes. Havia filhos de famílias tradicionais, filhos de imigrantes, havia um menino de rua... E éramos todos crianças juntos.
Aqui eu fiz aula de catecismo ouvindo Padre Zezinho com a Dona Otília e aprendi sobre espiritismo com a Dona Eta. Tentei aprender piano com Dona Eta Maria e gostei desde sempre das serestas do Seu Meirelles. Guardei na memória o sabor do bolo de coco de fita dos aniversários da Flávia Helena e as saudades da Moniquinha. Trago sempre comigo a amizade e o saber da família Mendes, a beleza das meninas Meirellles, a luz sobre os móveis do solar Rangel de Camargo, a amizade dos irmãos Patricia, Marcelo e Juliana, das irmãs Flávia e Ana Paula e de tantos outros...Troquei segredos aos gritos com o Benê por cima do muro. Aprendi a falar "Eiffel" com a Fernanda e a Lucinha. Não aprendi a sambar como as meninas Graglia. Vi um tanto de crianças nascer, a mais especial, meu irmão.
Nesta rua aprendi a empinar pipa, andar de patins, jogar vôlei... Aprendi a liberdade.

Nesta rua eu quis crescer, sem saber que ali ficaria para sempre minha infância.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

ABISMOS


A gente pensa que o amor não tem fim, mas ele acaba. 
Meus amores se transmudaram em ternura ou indiferença, mas foram todos finitos. 
Indago-me se eu me transbordo tanto que esgoto o amor. Tenho sempre essa curiosidade, esses anseios. Eu me preencho do outro a tal ponto que muitas vezes senti alívio na hora de me despedir, de sair para trabalhar, de voltar para casa. Gosto sempre de ter meus espaços, meu tempo sozinha, sufoca-me um amor que não me deixe nunca. Toda a minha vida é feita de desvios, de exílios voluntários.
Ou seja talvez uma espera pelo que está por vir. Mas se o caminho é muito reto, eu saio da estrada...
Quero sempre um pouco de abandono.

Imagem daqui

sexta-feira, 19 de abril de 2013

SFOGARSI


É quando se vêm à tona que surge o risco de se afogar. 

Sorvo o ar e me invade a vida. Havia luz à superfície e, por um breve instante, fui tentada pelo pressentimento da cumplicidade duradora. Mas ouvi o alerta e recuo, me entregando toda. Sei da fascinação do mistério, contudo, pressinto o perigo e esgoto-me toda em um dia.

Escondo-me novamente nas palavras. Aqueles que são oceano nunca deixam de sentir o gosto de sal.   


terça-feira, 9 de abril de 2013

SEMENTE

Quando comecei a escrever o blog, ela era uma menininha só com dentes de leite.
Hoje eu a levei à médica, porque apareceu um carocinho e dores no peito. Não era nada. Ou é tudo. Ela cresceu, simples assim.
Telarca, me disse a doutora. Minha menina segue saudável e firme no caminho de crescer e ser a mulher forte e independente que eu desejo que ela seja. Segue no caminho de ser o que ELA vai querer ser.
E enquanto eu, em segredo, já sinto saudades da criança que está ainda à minha frente, ela se olha no espelho, linda, ansiosa, confiante.
- Mas filha, por que você está tão feliz?
- Mãe, agora eu tenho certeza que vou ser igual à você!
E eu choro.


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