"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

BRISA


Quando eu era pequena, o Dia da Criança não era uma data muito especial. Na verdade, para mim esse sempre foi o dia de Nossa Senhora Aparecida. Lembro-me mais da alegria que era viajar para o interior, ver meus avós e primos, do que de esperar por presentes. Era um dia de estar juntos, agradecer à Mãe.

Ao meio-dia, sempre o som dos fogos de artifício. Houve uma ocasião, já adulta, em que eu estava em um Parque Temático muito bonito. No Parque havia "o maior presépio animado do mundo", uma obra-prima feita por artesões, com bonecos articulados em tamanho natural, representando três cenas: a Anunciação, o cotidiano de uma cidade ou vila na época, e o Nascimento. Tudo ao som da Ave Maria. Nessa data, houve uma apresentação especial do Presépio ao meio-dia e foi um momento muito especial, uma epifania.

O Dia da Criança também passou a ser para mim o dia de comemorar o aniversário daquela que me ensinou o amor de mãe: minha sobrinha linda, que agora já é uma moça. Quando ela era criança, eu achava que não seria capaz de amar um filho tanto quanto a amava. Depois descobri que o amor se alimenta de si mesmo e é sempre maior quanto mais se ama. Ela foi a primeira criança da nova geração da família, e por trazer a todos nós tanta beleza e alegria, foi ela o nosso presente. Agora, é uma adolescente linda e (quase sempre) serena, e fico feliz de ver minha menina junto a ela. Minha sobrinha é muito distraída, fluida, e se intitula "Brisa". E assim ela é, vivendo com suavidade, tocando delicadamente a vida de quem tem a sorte de conhecê-la. E eu agora tenho também o desejo de aprender a passar pela vida assim, numa distração das coisas, para ver se a sorte me alcança num repente.

5 comentários:

Heloísa disse...

Nina,
Quando meus filhos eram pequenos, também não existia essa movimentação toda em torno do dia da criança. É o tipo da data que deu para perceber bem a orquestração comercial.
Agora, quanto a você ser alcançada pela sorte, vou torcer bastante. Mas acho que, para isso, não dá para ficar muito distraída em relação às "coisas", como você diz. Requer atenção. A não ser que você esteja se referindo a distração no sentido de leveza. Daí, sim. Nada como ser leve.
Beijo.

Nina disse...

Oi, Helô!

Sim, querida! Estou falando exatamente disso... De ser mais leve, menos preocupada. Esperar o tempo da colheita. Dar um pouco de espaço para o inesperado e ter olhos infantis, que permitam ser surpreendida. Sempre cuidando do que merece nossa atenção, e lembrando que "the best things is life aren´t things".

beijo!

Danny disse...

Realmente também não me lembro de ter Dia das Crianças com presentes na minha infância, mas agora adoro presentar a minha pequena.
Quando minha afilhada nasceu eu a amava tanto que tinha certeza que era amor de mãe, ela é sobrinha do Rogério e a primeira criança na familia, era tudo na nossa vida, mas hoje apesar de continuar amando sei que não era amor de mãe.
Criança na familia é tudo de bom né. Amo!
Bjs e bom final de semana!

Patrícia Angélica disse...

Os valores de nosso tempo eram outros, né? Comemorava-se A Padroeira do Brasil, tinha fogos, missas, festas... Hoje fala-se mais no comércio. Adoro dar presentes a minha filha, mas tento sempre explicá-la o significado das datas. O mesmo acontece no Natal que é dado mais ênfase ao Papai Noel do que à Jesus.

Quando nos tornamos mães descobrimos o quanto somos capazes de amar e cada amor é único!

Beijos e parabéns à sua Brisa!!!

Nina disse...

Danny,

Sim! Família tem que ter criança por perto, trazendo alegria e esperança, né?

beijo


Patrícia,

Eu também explico sempre à minha menina o significado da data e a importância de estarmos reunidos. Não trocar valores por valor, né?

beijo

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