"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."

domingo, 21 de setembro de 2008

Viagem de trem - 1

Falei para minha menina que íamos passear em algo que ela nunca tinha "andado" antes. Pensando que ela iria acertar na hora e ficar muito feliz:
- Já sei, mãe! Vamos passear de helicóptero!
- Não, querida, de trem!
- Ah....

Pois é, o suspense acabou tirando um pouco da graça da surpresa. Eu não imaginei que avião e helicóptero fossem categorias diferentes...

Mas fomos ao nosso passeio de trem, e foi tão bom! Eu tenho as melhores lembranças desses passeios, na infância íamos sempre de Pindamonhangaba até Campos do Jordão. E ainda tive a sorte de fazer alguns passeios entre cidades em linhas regulares, que funcionavam paralelas aos ônibus e infelizmente se acabaram...
Foi tudo novidade para minha menina! Começou com a professora querida dormindo em casa, o que resultou em grande prestígio entre os amigos na escola. A teacher foi conosco, e como íamos sair cedo e ela mora longe, foi a solução mais prática. E também emocionante para minha filha! Deixamos a chave para ela na portaria (tivemos um compromisso) e um lindo desenho feito pela minha filha na porta do apartamento, antecipando a alegria do dia seguinte.
Quando chegamos em casa, a professora já dormia. Minha menininha olhava a porta do quarto com grandes olhos esperançosos... Mas soube esperar, e antes do sol nascer do dia seguinte, foi acordar nossa companheira de viagem. Que parecia tão feliz quanto ela!
A viagem foi longa até a cidade de destino. O sol nasceu lindo no horizonte sobre o mar, mas logo começou a chover fraco. Na subida da serra, as flores e as árvores mostravam-se ainda mais verdes e lindas e em certos momentos a neblina que descia me lembrava como eu gostava de procurar anjos quando dirigíamos nas nuvens.
Chegamos cedo. A velha estação ferroviária só nossa. Parecia triste, com tantos trens abandonados. Mas a Maria Fumaça do nosso passeio reluzia!
Minha menina, que dormiu a viagem inteira, estava com fome. Eu, ela, o pai e a professora fomos a pé até o centro da cidadezinha, lojas ainda abrindo, tomar café da manhã na padaria. Autorizada a pedir o que quisesse, escolheu uma rosca imensa, coberta de creme amarelinho. Não conseguiu chegar até o fim, mas o que não coube na barriguinha encheu por muito tempo seus olhos de felicidade!
De volta à estação, quanta gente! De todas as idades, de todos os lugares, em busca da delícia efêmera de um passeio de trem. Entre tantos, nos encontramos com o amiguinho de escola, uma prima e seus pais, como combinado. Ela e o amigo não se cansaram de mostrar tudo a teacher, orgulhosos da inversão de papéis.
O apito avisa: é hora de partir.
Os vagões mostram a idade, mas também beleza. Somos todos crianças nesta hora, unidos pela expectativa da partida.
Lentamente, o trem deixa a estação.
(continua no próximo post)

3 comentários:

vida cotidiana disse...

Amei o post, que lindo parecia que eu estava lá, que lindas lembranças e que bom compartilha-las conosco.
bjs

Michele Rosa disse...

Amei este cantinho, já sou fã... Aguarde minhas visitas sempre!

Bjocas da Michele

Nina disse...

Obrigada, Michele!

Volte sim!

beijos!

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