"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."

domingo, 9 de agosto de 2009

AUSÊNCIA

Entre meus livros - e filmes - preferidos, está "Fim de Caso" (The end of the affair), de Graham Greene. É uma obra muito bonita e também triste e eu gosto da maneira como Greene aborda a questão religiosa. Há no livro uma frase que me veio à mente nos últimos dias:
" People can love each other without seeing each other, can't they? (...)" ou "As pessoas podem amar sem se ver, não é?(...)"

Deixando de lado o livro e o filme (recomendo ambos), ando às voltas com esta questão. Sim, é possível amar sem ver, mas de pertinho é bem melhor! As pequenas alegrias do convívio diário trazem aos relacionamentos uma cumplicidade que a distância não permite. Gostaria que meus amores estivessem todos perto o batante para que um telefonema fosse o suficiente para alcançar e chegar. Quem se ama, queremos ao alcance dos olhos, da mão, de todos os cinco sentidos, enfim! E a saudade? Ah, como dói a saudade!

Desta vez foram duas semanas. Longe da minha menina. Nos falamos todos os dias pelo telefone. Eu a vi pela webcam e não pude arrumar seu cabelinho desalinhado. Algumas vezes, ela chorou (e eu também).
Sua vozinha me contava coisas que eu não vivi ao lado dela e foi uma delícia escutar a sua versão dos fatos mais importantes do cotidiano. Não sei qual foi o noticiário local nesses dias, mas soube quais foram as brincadeiras mais divertidas, os amigos que apareceram em casa e como a gatinha e a cachorra passaram seus dias. Também soube que ela foi dormir com meu pai e gostou do sabor da pasta de dentes.
A ela também não contei dos lugares em que estive, do filme a que assisti, dos dias de sol iluminando lugares lindos. Não contei da lua cheia brilhando sobre o mar. Mas contei, a cada dia, um detalhe da surpresa que ela iria ganhar quando eu chegasse. Brincamos de adivinhar, fizemos cócegas uma na outra à distância e contamos "1, 2, 3 e já!" para desligarmos juntas o telefone.
Fui feliz nesses dias, apesar da falta que ela me fez. E já sinto saudades do que agora está longe.
O vazio tem ocupado muito espaço em minha vida ultimamente.

10 comentários:

RMG disse...

Quanta densidade há nesse vazio palpável, quanta felicidade nele se revela, a despeito da aparente incoerência da situação.

Há vazios de ausência, há vazios de plenitude.

Os últimos são inegavelmente férteis!

Heloísa disse...

Nina,
Às vezes é mesmo difícil ter tudo de bom por perto. E o difícil é quando se fica dividida.
Beijo.

++ Rodolfo Araújo ++ disse...

A longa ausência dos seus textos está ampla e totalmente desculpada por mais um belíssimo post!

Nina disse...

Ahhh eu acredito que está tudo vazio mesmo, a gente procura o que fazer, mas fica sempre esse vazio.

meus pequeninos estao viajando sozinhos, e eu aqui, num vazio chato :(

Mt bonito seu texto, Nina, apesar de dolorido.

Nina disse...

RMG,

Que comentário bonito e inteligente!

Sim, apesar do espaço que a dor ocupa, há muito de felicidade e presença neste vazio...

BEIJO

Nina disse...

Heloísa,

Pois é...
O difícil é que não estou dividida, e sim impossibilitada por circunstâncias transitórias.
Vai tudo se resolver a contento, creio!

bjo!

Nina disse...

Rodolfo,

Obrigada pelo elogio ao meu texto.
Vindo de você, são ainda mais significativos, admiro muito seu talento!

Nina disse...

Nina,

Você, como mãe, encontrou a dor oculta no meu texto... Espero q seus pequenos logo estejam junto a vc!

Priscila Sérvulo disse...

Nina,
que difícil! mas espero que as circunstâncias provisórias que vc cita logo se resolvam da melhor maneira a deixar vocês felizes e juntinhas.
grande beijo,
Priscila.

Nina disse...

Pri,

Estou contanto - e agindo - para isso!

beijos para vocês, também!

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