"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

DE PEQUENO PRÍNCIPE A GRANDE HOMEM

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

Nunca gostei dessa frase. Ela diz exatamente o contrário do que penso sobre o amor. Amor é liberdade, para si e para a pessoa amada. Cativo é escravo, e não quero aqueles que amo, ou que me amam, presos a mim. Tampouco quero assumir a responsabilidade pela vida alheia, pior ainda, pela eternidade afora... Quanto egoísmo há em amar alguém e entregar a ele a própria vida.

Essa visão de que amar é "pertencer a alguém" é bastante popular, eu sei. Há filmes, livros, poemas, músicas. Eleita "a música da década de 80", a linda melodia de "Every breath you take" do The Police, me causa falta de ar só de imaginar alguém me vigiando a cada vez que eu respiro. A cada vez que eu me movo...O próprio Sting, mais esperto e melhor casado, alguns anos depois cantou: "If you love somebody, set them free" (se você ama alguém, deixe-o livre). Djavan cantou: "vem me fazer feliz porque eu te amo". Para piorar, ainda completa "esqueço que amar é quase uma dor. Só sei viver se for por você." Como assim? Como dizem em inglês, get a life.

Amor - seja por quem for, Deus, pai, mãe, filhos, amigos, amantes, parceiros - é alegria, é doação desinteressada, é compartilhar e principalmente, agregar. Acrescentar descobertas e experiências à vida do outro e à minha. Amor é movimento, seguir em frente, desfrutar o caminho. Cuidar sem vigiar. E não, cativeiro.

Eu amo minha filha, sei que ela me ama. Mas não sou eu a responsável pela felicidade dela, embora seja uma das responsáveis por seu bem-estar, enquanto ela ainda é criança. E a melhor maneira de demonstrar meu amor por ela é ensiná-la a ser livre e a amar a si mesma. Só aquele que encontra a felicidade por si é capaz de dividi-la.

14 comentários:

Anônimo disse...

Nina,
Falou e disse.
Penso exatamente como vc. Amor verdadeiro é aquele desinteressado.
Adoro o Pequeno Principe, mas concordo que, pensando bem, certos conceitos dele são bem equivocados.
Dou o maior valor para amores e amizades gratuitos. São os mais bacanas.
Beijos
Ana Paula.

Alexandre C. Serpa disse...

Concordo 100% (especialmente quando falamos de filhos. Se trabalharmos direito eles nunca ficarão presos a nosso amor!) .... maaaassssss ....

Eu leio a frase de uma forma um pouco diferente::

se você cativou alguém, signfica que esse alguém é que a ama. Se esse alguém a ama, suas ações podem influir na vida desse alguém, daí você ser responsável por aquilo [aquele] que cativas.

Sua responsabilidade reside no fato de você pensar duas vezes antes de fazer o outro sofrer etc etc ...

Simone disse...

Post bom pra pensar.

Gracinha seu blog Nina.. voltarei mais vezes.

Bjs!!!

Danny disse...

Nossa, amei o post.
Concordo plenamente, ser escravos do amor não é saudável, quando depositamos nossa felicidade nas mãos de outra pessoa quase sempre nos frustramos.
Que possamos amar e ser livre e felizes sempre!
Adorei as dicas sobre as brigas de crianças que vc deixou no meu blog.
Bjs flor!

3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Bonito, Nina. Amor tem que ser libertação. Por mais difícil que seja, né?

Beijão,

Bela - La Divorciada

Heloísa disse...

Nina,
Lindo texto.
Concordo com você. Não é possível, nem saudável, um amor que suponha cativeiro. E nem é humano, essa responsabilização pela vida inteira.
Beijos.

Diálogo de Pedras disse...

Muitas vezes já escravizei e fui escravizado em nome do amor.

Hoje, o amor pra mim é compartilhar a vida e não criar expectativas alheias.

Demorou, mas aprendi.

Ótimo post - pra variar!

beijos

Nina disse...

Oi, Ana,

Que bom que gostou do texto. Pois é, acho que o Pequeno Príncipe é um livro lindo, mas ele é uma criança. A gente amadurece e o amor egoísta dá lugar a uma maneira mais madura de amar.

beijo

Oi, Alexandre,

Com certeza, devemos sempre agir com respeito ao outro. Falo disso no meu post de ano-novo, "Intenção e Gesto", sobre tratar as pessoas sempre como fim, e nunca como meio.
Mas os responsáveis últimos por nossa felicidade somos nós mesmos. Como canta Almir Sater,
"cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz". A gente ajuda aqueles que ama, e que nos amam, quando lhes damos espaço para exercer essa capacidade.

beijo pra vc e pra sua família!

Nina disse...

Oi, Simone,

Que bom que gostou!
Volte sempre mesmo.

beijo

Oi, Danny,

Obrigada! Concordo com a palavra que você escolheu, não é "saudável" assumir a responsabilidade pela felicidade alheia, ou depositar a nossa felicidade nas mãos de outra pessoa.
Que bom que gostou do meu comentário.

beijo

Nina disse...

Bela e Ricardo,

Pois é, foi uma caminhada, na verdade, esse desprendimento. Não é fácil, e como você, Roberto, já cometi equívocos. O bom é que aprendi com eles.

beijos pra vocês

Heloísa,

Obrigada pelo elogio. Você é um exemplo de amor para mim!

beijo

Priscila Sérvulo disse...

Nina,
acho que esse é um dos grandes desafios da maternidade... Um aprendizado.
bjs,
Priscila.

Nina disse...

Oi, Pri!

É, por estranho que pareça, a gente também aprende a amar!

"Amar se aprende amando", como disse o poeta.

beijo

Bella disse...

Ah! Você tirou as palavras de minha boca! Também nunca gostei dessa frase! Sempre a achei meio arrogante. Se você cativa algo é porque é doce, leal, mas jamais pode se responsabilizar por quem te cativou. Nem mesmo pelos filhos, embora, como disse, o bem estar deles dependam da gente na infância. Cada pessoa é livre para seguir seu próprio camigo e se magoar aquele que cativou, este, que ama, deve saber perdoar e não agir com rancor.

Van Lucas disse...

Gostei,acredito que o amor tem que dá liberdade para para o outro ir e voltar,pelo amor.

Evanice Lucas

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