"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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sexta-feira, 17 de junho de 2011

SORTE!

Sou uma mulher de sorte.

Mesmo quando tudo dá errado, a vida vira de cabeça para baixo e parece que nunca mais vai voltar ao lugar. Quando estou cansada, cansada, cansada. O dinheiro falta, a compreensão me escapa e é pesado demais dar mais um passo. Só mais um.
Quer saber? Não importa. Porque eu tenho a menininha mais incrível, a filha mais linda. Exatamente como eu desejei e pedi. Que sempre me faz sorrir, que me abraça, e me inunda de felicidade.

É por você, filha, que eu sou a mulher mais sortuda do mundo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"NÃO PRECISO DO FIM PARA CHEGAR"

Tem gente que passa a vida na cidade em que nasceu, casa-se com o primeiro namorado, é aprovada no concurso do Banco do Brasil aos 21 anos e assim segue a vida. Muitas vezes tenho inveja das pessoas feitas de certezas absolutas... Eu estou sempre de mudança, e de tanto deixar coisas e pessoas para trás, tornei-me em pedaços e dúvidas.

E foi assim janeiro, mês de fins, de rompimentos que sei definitivos, mesmo que tenha dito que eu continuo aqui. Mais uma vez, (de) partida.

Amanhã, muda tudo, de novo. Outra tentativa? Outro acerto? Não sei. Sei que para mim é difícil dizer adeus.  Prefiro ir partindo aos poucos, esgarçando-me, até ser como disse Manoel de Barros, poeta maior:

"Do lugar onde estou, eu já fui embora".



Eu Não Sou da Sua Rua
Composição: Branco Mello - Arnaldo Antunes
Eu não sou da sua rua,
Não sou o seu vizinho.
Eu moro muito longe, sozinho.
Estou aqui de passagem.
Eu não sou da sua rua,
Eu não falo a sua língua,
Minha vida é diferente da sua.
Estou aqui de passagem.
Esse mundo não é
Meu, esse mundo não é seu

terça-feira, 26 de outubro de 2010

CONFORTO

Eu, chorando no quarto, não tive tempo de enxugar as lágrimas quando ela entrou. 


Um pouco mais tarde, ela sentiu fortes dores na barriga, e eu, como sempre, a abracei para para "pegar" a doença para mim:

- Não, mamãe, hoje você não precisa pegar. Hoje você já tem o seu dodói. Vamos deitar juntas, que uma faz carinho na outra. Vai passar, vai passar...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

FINS




Tudo acaba, tudo passa.

Minha menina a cada dia se transforma. Agora vai perder o primeiro dente. Um novo marco, outra fase que fica para trás. Não é mais o bebê carequinha, nem a criancinha de cachos. É uma menininha de cabelos lisos e castanhos, que sabe ler, sabe escrever, dorme fora de casa, joga capoeira e, desconfio, descende dos peixes e não, do macaco. Ela mesma não se lembra de quase nada do que se foi. Vê fotos e vídeos de tão pouco tempo atrás e se espanta: "Essa sou eu? Eu estava lá? Eu já fiz isso?". Desembrulha seus dias sempre como um presente maravilhoso. Acorda acreditando em novidades.

Eu também já não sou mais o que fui. Não me reconheço. Mas aqui onde termino, é onde inicio. Tateando, caindo, aprendendo, percebo que o novo não vem sem mudança, sem espaço para chegar. Aquilo que se foi permanece em nós, às vezes como um marco na estrada que não queremos voltar a percorrer, outras como o farol que nos dá a esperança de prosseguir. É preciso esquecer um pouco do que fui para seguir sendo eu mesma, palimpsesto de emoções que se ocultam, mas não se esgotam. 

Tudo se acaba, tudo passa. Mas no fim está o começo.


The Circle of Life 
(Tim Rice/Elton Jonh)


From the day we arrive on the planet
And blinking, step into the sun
There's more to be seen than can ever be seen
More to do than can ever be done


Some say eat or be eaten
Some say live and let live
But all are agreed as they join the stampede
You should never take more than you give


In the Circle of Life
It's the wheel of fortune
It's the leap of faith
It's the band of hope
Till we find our place
On the path unwinding
In the Circle, the Circle of Life


Some of us fall by the wayside
And some of us soar to the stars
And some of us sail through our troubles
And some have to live with the scars


There's far too much to take in here
More to find than can ever be found
But the sun rolling high
Through the sapphire sky
Keeps the great and small on the endless round

quarta-feira, 28 de julho de 2010

AFETO EM FRENTE AO MAR



Minha máquina fotográfica já era. Essa perda me deu o tema do post que pretendia escrever, sobre fotografar, lembranças, momentos importantes... Porém, acontecimentos e sentimentos têm me deixado triste e cansada por esses dias. Vou deixar, ainda uma vez, a música falar por mim. Eu poderia ter escrito essa...

Fotografia




Leoni
Composição: Leoni, Léo Jaime

Hoje o mar faz onda feito criança
No balanço calmo a gente descansa
Nessas horas dorme longe a lembrança
De ser feliz
Quando a tarde toma a gente nos braços
Sopra um vento que dissolve o cansaço
É o avesso do esforço que eu faço
Pra ser feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.
Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz
E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

AS CANÇÕES QUE EU FAÇO

(Recebi um comentario tão bonito em resposta ao meu post "ALENTO" que decidi compartilhar com todos vocês. Obrigada, Roberto, por tão lindas palavras. Você já é um dos meus escritores preferidos!) 


Há quem tenha memórias tão remotas quanto a sua vida intra-uterina, como óvulos ou espermatozóides e, até mesmo, de vidas passadas.

Não sei se admiro ou se tenho medo desse tipo de gente!

Diria que minhas lembranças remotas são bem recentes, daí o meu espanto diante de quem jura ter assistido ao próprio parto ou coisa anterior.

Tenho uma recordação especial de minha infância que me é muito, muito querida e diz muito de mim.

Recordo-me, como se fosse há 15 minutos, que minha mãe me ninava cantando. Chego a ve-la, de bruços, me fazendo carinhos que só mães são capazes e, cantando.

Não sei se era afinada ou não, sei, somente, que o seu timbre me acalmava, aconchegava, me conduzia de volta ao preciso ventre, onde eu estivera protegido de tudo e de todos.

É a recordação mais remota que tenho de minha vida e, confesso, não sei se é uma recordação ou reprodução do que devo ter ouvido ainda criança.

O que importa é que esta cena é real e forte em minha memória. Vejo-me bebê e minha mãe a cantar, entre aconchegos maternos.

A essa altura, imagino a moça grande, de cachos, de mãos postas a indagar: - E daí! o que esse cara quer dizer com essa ladainha?

Antes que a moça crescida, de cachos, recuse o meu comentário, devo esclarecer a razão dessa longa e tediosa introduçào.

Assim como ela, música sempre fez parte de minha vida, e o primeiro episódio de sensibilidade à música se deu com a minha mãe cantando para me ninar.

A verdade é que ela cantava e eu me deliciava até que ela ameaçasse cantar "tristeza não tem fim... felicidade, sim". Bastava isso para que eu me descontrolasse em choro profundo e sentido.

Segundo me lembro ou me contaram, a experiência foi repetida e com os mesmos resultados. Reagia mal a essa música, como reajo até hoje. Não gosto de ouvi-la.

Deus, na distribuição dos talentos, infelizmente, não me deu o de compor, fazer ou tocar música. Reservou para mim o talento de ouvir e de aplaudir quem faz música.

Assim, sempre tive trilha sonora em minha vida. Parece bom, mas não é.

Quem se lembra do álbum de J. Lennon, lançado às vesperas de seu assassinato? Pois é... é um lindo álbum que não consigo mais ouvir, seja pelo que aconteceu a ele, seja pelo fato de ter coincidido com a morte de minha mãe, aquela que me ninava e mimava cantando.

Por outro lado, verdadeiras agressões à arte da música me são caras porque me remetem a situações da puberdade, inesquecíveis.

Podem rir, mas, até hoje, ouvir Loving You (com passarinhos e tudo) me arrepia. Serendipity!

Por outro lado, tristeza ou Pedaço de Mim, na voz de Zizi Possi, me fazem chorar em qualquer momento, situação ou circunstância.

Pedaço de Mim é algo que não ouso arriscar explicar, ou tentar compreender, apenas sinto, e sinto cada verso, cada frase, telvez, pela saudade da metade de mim que jamais conheci.

Por fim, há músicas que tomamos como nossas, que não tem relação com fato algum, apenas tocam o nosso sentir.





segunda-feira, 19 de julho de 2010

ALENTO

Minha vida sempre teve trilha sonora. Nunca ouço música impunemente.

Uma de minhas lembranças mais remotas é de parar de brincar para ouvir música. Criança estranha, gostava de Frank Sinatra, de Bossa Nova. A "Cavalgada das Valquírias" abastecia-me de entusiasmo. "João e Maria" traduzia meu faz de conta.

Fugindo ao clichê, no entanto, nem todos os meus amores tiveram a "nossa" música. Alguns foram cheiro, perfume. Outros, uma determinada hora do dia, ou tato, ou sons outros que não notas musicais. Há um quase-amor, esmaecido, que virou uma canção na luz de fim de tarde de um verão. E o maior de todos tem toda uma trilha sonora, que cresce ainda hoje.

Quando meu tio, irmão mais novo do meu pai, morreu de forma trágica, eu tinha cinco anos e fui, como as outras crianças, "protegida" da verdade, o que não evitou a dor. Confusa, mantida à distância, lembro-me do meu pai chorando e ouvindo música com fone de ouvido. Essa dor foi surda.


Também dói-me a música quando vai além dos sentidos para transformar-se em sentir. Porém, me arrebata, me toma inteira, me alegra, quando me faz acreditar. Serendipity.

Hoje vi minha menina puxar o canto na capoeira. Desafinada como a mãe. Para ela, ainda bebê, fiz uma cançao de ninar. Já coloquei a letra aqui no início do blog, mas hoje tenho a coragem de mostrar que canto para ela, que é todos os sons e todas as notas.



(Fiz esse vídeo alguns dias depois do seu primeiro aniversário. Hoje ela tem seis anos, e é ainda mais bela...)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A DONA DO LABIRINTO

Maze - James Jean

Em uma de nossas conversas que atravessam a madrugada, um querido me sugeriu escrever sobre Ariadne. "Recolha seu novelo, e saia desse labirinto."

É bela a história de Ariadne. Ela amou Teseu à primeira vista, ao vê-lo no palácio do pai, voluntário para enfrentar a morte que parecia certa no labirinto do Minotauro. Bonita, decidida e inteligente, propôs a Teseu uma troca: ela o ensinaria a sair do labirinto, ele a levaria para Atenas para casarem-se. Ele aceitou e recebeu dela uma espada para matar o Minotauro, e um fio para encontrar o caminho de volta do labirinto. Segurando uma das pontas, ela o esperava na saída, quando ele retornou, vitorioso.
Mas Teseu não a amava, e a deixou, adormecida, em uma ilha no caminho de volta para Atenas. Abandonada, só, Ariadne se desespera ao acordar. Tocada por sua tristeza, Afrodite promete a ela um amor imortal. Esse amor materializa-se em Dionísio, que estava na mesma ilha e apaixona-se por Ariadne. Deus do prazer, do vinho, das festas, eles se amam enquanto dura sua vida mortal, numa celebração do amor e da alegria de viver. Após sua morte, o deus transforma a coroa que dera a Ariadne no casamento em uma linda constelação.

Há muitas e belas interpretações sobre esse mito, e meu querido gostaria que eu me lembrasse que é possível refazer nossas escolhas e aceitar os presentes que a vida nos dá. O que é verdade. Mas eu vou além. O que me chama a atenção na história é a presunção inicial de Ariadne, ao acreditar que poderia se fazer correspondida em seu amor por Teseu. Bonita, inteligente, amável, apaixonada, por que estaria ela errada? Porque o amor, como disse o poeta, é dado de graça. Não se troca. Amor é incondicional. Por isso, não condeno Teseu. Talvez ele próprio tenha querido amá-la... E foi ele, afinal, o fio que a conduziu ao amor de Dionísio. 

Somos todos, ao final das contas, condutores e conduzidos, perdidos em algum momento em nossos labirintos, esperando pelo amor que nos guie e nos resgate para a celebração da vida.


As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

RELICÁRIO

Esse é um texto escrito com tinta invisível. Apenas o destinatário tem o calor necessário para decifrar a mensagem. É para ser lido através das palavras, lembrando-se dos sons que substituíram aquilo que seria dito. Abro mão das letras para vestir-me de sentimentos.

Talvez esses espaços em branco venham a ser preenchidos pela felicidade que está por vir.

Talvez o vazio seja uma antecipação do deserto que me espera.

Há só uma coisa que deve ser registrada, gravada, incrustada: 

Seja feliz.



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O SENTIDO DAS COISAS

O tempo passou... E ela fez seis anos. Quando se tem um filho, valem todos os clichês, todas as frases feitas. Porque histórias de amor são sempre semelhantes e universais, só a tristeza é particular.
Estou nesse momento assim. Coletiva e única. Tenho refletido muito, buscado respostas. Sou eu quem está pequena, hoje. E quando seguro minha menina em meus braços, é ela quem me sustenta.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

DREAMCATCHER

Minha menininha está doente.
Nada grave, mas o suficiente. O suficiente para que eu queira que a dor dela seja minha. Para que eu a abrace com força, como se assim, pudesse roubar a febre que lhe furta os pulos e saltos.
Como me assusta a fragilidade dela. E esse medo me despoja um pouco de ternura, sou incisiva ao dar os remédios, ao fazê-la comer o mínimo, ao mantê-la sob o chuveiro para combater a febre. 

E depois a abraço tanto, tanto... Eu ainda mais frágil do que ela. E deitamos assim, juntas, lendo uma história com monstros imaginários, que não me causam sobressaltos como a possibilidade dessa doença boba não ir embora. E então ela dorme, mas eu não. Tenho nos braços o que é mais importante, e velo por ela. Sou a guardiã dos seus sonhos, para manter afastados os pesadelos. E só quando a vejo sorrir, o mundo volta ao seu lugar.

Para ler quando se está doente: Coraline - Neil Gaiman 
Para assistir, também: Coraline - Henry Selick

P.S. Dreamcatcher é um artefato dos índios Ojibwa (norte-americanos e canadenses). É um "filtro de sonhos", que mantém os pesadelos afastados

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A RODA DA FORTUNA

Hoje estou triste porque ninguém nunca me escreveu um poema.

Começo onde termino. Uma vez li esta frase em um livro, e não a esqueci. Estou de volta ao mesmo ponto. Tenho a sensação que minha vida deu um giro de 360º. Volto a ser assombrada por dores antigas, revividas pelo que devia ser novo mas desnudou-se em um lugar já visitado.
Continuo buscando o caminho da mudança, enquanto me esforço para voltar a viver segundo os axiomas que me guiavam. Mas talvez meu conhecimento estivesse apoiado em mentiras sobre a vida e sobre mim mesma. Que sou mais frágil do que pensava ser.

(Contudo, tenho sempre comigo, dentro da carteira, uma carta de amor.)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DE EVA A GEISY

A culpa é sempre das mulheres. Como cantou Rita Hayworth em 1946 no filme Gilda, "put the blame on mame".
Mas estamos em 2009, e a moça do vestido curto foi expulsa da universidade. Em nome da "ética", "dignidade" e ""moralidade". Geisy, com seu vestido rosa, ao mesmo tempo Eva e a maçã dos tempos modernos, expulsa para proteger os outros alunos da sua sexualidade provocadora.

Segundo anúncio publicado em jornais, a direção da universidade alega que "a atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar." O mesmo argumento que estupradores, assassinos em nome da honra, apedrejadores e outros criminosos e tiranos usam há séculos para justificar atrocidades contra mulheres: "Ela provocou".
Ao alegar que o problema foi a atitude da moça, mais que sua roupa, os responsáveis pela universidade parecem se esquecer que os outros alunos, adultos, sãos, poderiam aceitar ou recusar o "oferecimento" da moça, não precisando de proteção contra a sexualidade alheia. Protegida deveria ter sido a moça contra os insultos e agressões que sofreu. De homens e mulheres, também incomodadas - ameaçadas?

Quando escolhemos uma roupa para vestir, passamos uma mensagem. Devemos, portanto, ter o cuidado de transmitir aquilo que desejamos, seja ao usar minissaia ou burca. No caso da Geyse, a atitude e as roupas estavam em sintonia. Uma moça que se acha bonita, segura do seu poder de atração, que se veste dessa forma. Eu acho que ela está certa. Quem se sente ameaçado por ela deve procurar em si as causas desse desconforto. Talvez não tenha a mesma segurança que ela em relação ao seu próprio corpo. Ou, como se viu, não saiba controlar seus impulsos.

Espero que esse não seja o fim desse caso e que os agressores e a universidade sejam punidos por tanto sexismo e preconceito. Mais ainda, espero que ao crescer minha menina não seja prisoneira do seu corpo e refém da vontade alheia.

(Quando eu tinha uns 16, 17 anos, tive um vestido bem parecido com o da Geysi. Vermelho. Fazia o maior sucesso!)

UPDATE: O Reitor da UNIBAN informou que revogou a decisão do conselho que expulsou Geisy e dará "melhor encaminhamento à decisão."

Excelente texto:


Are you decent? trecho do filme Gilda

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

PELO DIREITO DE SER DIFERENTE

Hoje eu estou indignada. Muito.

Eu ensino minha menina que devemos fazer aos outros aquilo que queremos que nos façam. Eu mesma tento a cada dia respeitar as escolhas e o espaço alheios. Sonho com um mundo mais tolerante.
E ontem uma notícia me tirou o fôlego. Uma aluna da UNIBAN foi ofendida e segundo consta, ameaçada de estupro, porque foi à faculdade vestida de minissaia e se portou de forma "provocativa". Os vídeos foram retirados da internet, mas logo outros são postados. Mostram a moça saindo escoltada pela polícia enquanto outros alunos observam, riem, tiram fotos no corredor lotado. Ninguem parece manifestar qualquer solidariedade. Aliás, nos diversos veiculos de mídia que divulgaram a notícia, chovem comentários preconceituosos, muitos dizendo que "ela provocou e mereceu".

Existem países em que as mulheres devem andar cobertas. Em outros, meninas são mutililadas para não sentirem prazer sexual. Até mesmo nos países escandinavos, que atingiram os mais altos índices de participação feminina no mercado de trabalho e na política, aumentam os casos de violência doméstica. E no mundo ocidental, a mulher se vê cada vez mais presa na armadilha da eterna juventude e beleza a todo custo. É uma coisificação da imagem feminina que me preocupa pela sua escalada crescente. E assisto com tristeza a cumplicidade feminina em aceitar esse papel tão pequeno e árido. Meninas que se vestem como mulheres, mulheres que se vestem como meninas. No entanto, embora eu ache que os caminhos do despertar do desejo são tanto mais interessantes quando mais privados e individualizados, acho que todos tem o direito de se vestirem como quiser. Ainda mais em um ambiente adulto.

Espero que minha filha cresça de forma a se manifestar contra a unanimidade burra em casos como esse. E que saiba que o legal do mundo não é que somos todos iguais. O legal é que somos todos diferentes.

Para saber mais (não deixe de clicar nos links):

http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb/2009/10/29/uniban-se-pronuncia-sobre-video-de-aluna-hostilizada/ (matéria da Época sobre o caso)

http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/06/experimentos-em-psicologia-a-unanimidade-burra-de-solomon-asch.html (A Unanimidade Burra de Solomon, da imperdível série Experimentos em Psicologia do Blog Não Posso Evitar)

http://www.bullying.com.br/ (site sobre bullying)

http://www.riocomgentileza.com.br/ (Esse é para lembrar que Gentileza gera Gentileza)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O VERDADEIRO SEGREDO

Hoje minha menina chegou até mim trazendo nas mãos um papel rosa bem dobrado.
Disse-me para abrir que ali dentro havia um segredo.
Abri. Nada havia no papel.
Ela então falou:
- O segredo é "nada". O segredo é o amor, e ele está dentro de você.


(Quem quiser me enviar bons pensamentos, vibrações, orações, preces ou mesmo um colo, estou aceitando!)

domingo, 6 de setembro de 2009

MAS AS COISAS FINDAS...

Poema lindo, que serve para todos os tipos de amores.
De amantes, de amigos, de pais e de filhos.
Amores vividos, amores nunca findos. Amores que ficam.

MAS AS COISAS FINDAS, MUITO MAIS QUE LINDAS, ESSAS FICARÃO
Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

domingo, 9 de agosto de 2009

AUSÊNCIA

Entre meus livros - e filmes - preferidos, está "Fim de Caso" (The end of the affair), de Graham Greene. É uma obra muito bonita e também triste e eu gosto da maneira como Greene aborda a questão religiosa. Há no livro uma frase que me veio à mente nos últimos dias:
" People can love each other without seeing each other, can't they? (...)" ou "As pessoas podem amar sem se ver, não é?(...)"

Deixando de lado o livro e o filme (recomendo ambos), ando às voltas com esta questão. Sim, é possível amar sem ver, mas de pertinho é bem melhor! As pequenas alegrias do convívio diário trazem aos relacionamentos uma cumplicidade que a distância não permite. Gostaria que meus amores estivessem todos perto o batante para que um telefonema fosse o suficiente para alcançar e chegar. Quem se ama, queremos ao alcance dos olhos, da mão, de todos os cinco sentidos, enfim! E a saudade? Ah, como dói a saudade!

Desta vez foram duas semanas. Longe da minha menina. Nos falamos todos os dias pelo telefone. Eu a vi pela webcam e não pude arrumar seu cabelinho desalinhado. Algumas vezes, ela chorou (e eu também).
Sua vozinha me contava coisas que eu não vivi ao lado dela e foi uma delícia escutar a sua versão dos fatos mais importantes do cotidiano. Não sei qual foi o noticiário local nesses dias, mas soube quais foram as brincadeiras mais divertidas, os amigos que apareceram em casa e como a gatinha e a cachorra passaram seus dias. Também soube que ela foi dormir com meu pai e gostou do sabor da pasta de dentes.
A ela também não contei dos lugares em que estive, do filme a que assisti, dos dias de sol iluminando lugares lindos. Não contei da lua cheia brilhando sobre o mar. Mas contei, a cada dia, um detalhe da surpresa que ela iria ganhar quando eu chegasse. Brincamos de adivinhar, fizemos cócegas uma na outra à distância e contamos "1, 2, 3 e já!" para desligarmos juntas o telefone.
Fui feliz nesses dias, apesar da falta que ela me fez. E já sinto saudades do que agora está longe.
O vazio tem ocupado muito espaço em minha vida ultimamente.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Farol

Viajamos na noite estrelada.
Aqui e ali, vê-se a terra ferida. Placas na estrada exibem nomes que evocam a recente tragédia das chuvas.
A viagem é longa, mais que o normal. E aos poucos, minha menina e eu vamos nos aproximando de nossa nova vida.
Estão sendo dias que para ela parecem férias. Mas de vez em quando vejo uma sombra em seu olhar. Ela ainda está confusa e no telefone pede para o pai vir visitá-la no "dia da família", como chamávamos os finais de semana.
Eu e ela tentamos nos adaptar a uma nova rotina, tão diferente. Eu quero manter nossos hábitos e mostrar a ela que os nossos princípios devem ser válidos em qualquer lugar e situação. Não esta sendo fácil, porém.
Na noite estrelada, porém escura, é o rosto sereno da minha menina de cachos que ilumina o meu caminho.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Não é adeus, apenas até logo

Sexta-feira foi o último dia da minha menina na escola. Com a separação, nós duas vamos nos mudar para outra cidade.

Gosto bastante desta escola, que não é perfeita, mas tem o que para mim é mais importante: valores similares aos meus. A alimentação é saudável. As turmas são pequenas, o que eu acho que ajuda a evitar o bullying. A direção da escola tem o grande talento de saber escolher as professoras. De forma que no tempo que passou na escola, minha menina teve três ótimas educadoras que são também excelentes pessoas.


Na Semana da Criança, cada sala apresentou para as outras uma peça. Minha menina foi a Menina dos Cachos Dourados (da história dos Três Ursos). Ela adorou ficar no palco a maior parte do tempo! E gostou mais ainda porque naquele dia ela voltou a ter cachos, graças ao baby liss. E foi não só para mim, mas para todos, minha menina de cachos mais uma vez.

Assim como minha filha se tornou amiga dos colegas de classe, eu também fiquei amiga dos pais. E nosso novo caminho começa um pouco vazio, sem eles.


Em seu último dia, ela foi vestida de Tinkerbell(Sininho). É sua personagem favorita no momento. Gentilmente, a mãe de um dos amiguinhos mandou um bolo, que ela e os colegas confeitaram juntos. Ela também ganhou alguns presentes e um cartão. E fez um lindo book of the year, com o desenho da professora e dos colegas, que ilustram este post. Interessante que ela desenhou também a amiguinha que deixou a escola em junho.

Para ela, foi um pouco de festa. E no último momento, descendo as escadas, quem chorou fui eu...


Para saber mais:


http://www.dltk-teach.com/rhymes/goldilocks_story.htm

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Presentes, princípios e valores

Estou tendo problemas com o presente que demos à minha menina do Dia da Criança. O brinquedo não funciona como deve. Pior que não é defeito apenas do que compramos, é um erro de projeto, mesmo.

Desde domingo passado este presente tem sido motivo de desencanto para ela. É uma situação bastante delicada, pois envolve também os princípios e atitudes que ensinamos. Não mentir, cumprir o que promete, fazer sempre o melhor possível, não magoar os outros... Tudo isto está sendo questionado pela minha filha em relação ao ocorrido. Quando ela finalmente entendeu que o brinquedo não funciona como no comercial da TV e NUNCA irá funcionar, a tristeza e decepção foram sem tamanho...
Eu não compro brinquedos de camelô. Não compro DVDs piratas. Dou preferências à empresas que tenham políticas sociais e ambientais. O brinquedo em questão tem selo do INMETRO e a empresa é reconhecida pela Fundação Abrinq. Mas quem trabalha com crianças, trabalha com mais que qualidade. Trabalha com sonhos. Os cuidados devem ser muitos maiores!
Como este é um blog anônimo, não acho ético revelar aqui o nome da empresa e do brinquedo. Estou há quase 10 dias em negociações com a empresa para chegar a uma solução. Recebi algumas propostas ridículas. Mas acho que o caso se encaminha para a solução que acho correta: devolução do dinheiro (e do brinquedo). Graças, principalmente, à intervenção da ABRINQ, a quem denunciei o ocorrido. Também fiz denúncia ao CONAR, já que o que é anunciado não corresponde à verdade.
Minha menina chegou a dizer que "não é certo enganar as crianças". Não é mesmo.
Você tem razão mais uma vez, filha.
***
Agora vou contar um caso inverso. Um caso de respeito ao consumidor e preocupação com o público infantil. Neste caso, faço questão de contar o nome da empresa: O BOTICÁRIO
Anos atrás, eu passava no rostinho da minha menina, que ainda tinha cachos, o bloqueador solar infantil da marca. Por descuido meu, acabei deixando um pouco do produto entrar no olhinho dela.
Lavei bastante com água e soro fisiológico, mas como o olho continuava bastante irritado, liguei para o número do SAC para perguntar se havia alguma outra providência recomendada. Liguei sem maiores pretensões.
Recebi O MELHOR ATENDIMENTO DO MUNDO. A pessoa que me atendeu tinha total autonomia. Ela mesmo resolveu o problema rapidamente e acompanhou o caso até o fim.
A empresa fez questão que eu levasse minha filha ao oculista. Pagaram todas as despesas com remédios (colírio). A funcionária que me atendeu ligou durante uma semana para saber como minha criança estava. E ainda se ofereceram para analisar o produto ou trocá-lo.
Depois de 15 dias, recebi uma carta com todas as informações do atendimento. Uma carta pessoal, e não padronizada.
Veja bem, tudo aconteceu por um descuido MEU. E nem foi nada grave. Mas O Boticário demonstrou que o respeito ao consumidor realmente é um valor importante para a marca.
E ganhou ao menos duas consumidoras fiéis pelo resto da vida.
RECOMENDO MUITO:
Para denunciar:

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