"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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terça-feira, 9 de abril de 2013

SEMENTE

Quando comecei a escrever o blog, ela era uma menininha só com dentes de leite.
Hoje eu a levei à médica, porque apareceu um carocinho e dores no peito. Não era nada. Ou é tudo. Ela cresceu, simples assim.
Telarca, me disse a doutora. Minha menina segue saudável e firme no caminho de crescer e ser a mulher forte e independente que eu desejo que ela seja. Segue no caminho de ser o que ELA vai querer ser.
E enquanto eu, em segredo, já sinto saudades da criança que está ainda à minha frente, ela se olha no espelho, linda, ansiosa, confiante.
- Mas filha, por que você está tão feliz?
- Mãe, agora eu tenho certeza que vou ser igual à você!
E eu choro.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

MAIS DO MESMO

A cidade onde moro é cortada por um rio. Todos os dias, para ir e voltar do trabalho, atravesso uma ponte sobre ele. É um rio de águas escuras, barrentas. Ainda assim, dia a dia me encanto com seus pássaros, suas margens, as mudanças causadas pela luz do sol. 
Ao por do sol, ele é sempre belo. Não resisto: faço, ao celular, fotos quase diárias do rio que imita o céu. As fotos, confesso, são ruins e pouco diferem entre si. Que me importa? Esse ritual tolo revela muito de mim. Aquilo que me encanta é belo, e nunca me cansa. Provoca sempre a sensação de primeira vez. Arrebata-me! Encontro sempre o novo no que amo, e desafia-me que seja sempre igual e nunca o mesmo.

Gosto de descobrir o desconhecido que já conheço.


quinta-feira, 31 de março de 2011

A DANÇA

"Este é o dia mais feliz da minha vida!"
Já ouvi isso muitos vezes. Acompanhada por gargalhadas, pulos e palmas, essas declarações me mostram que minha menina é feliz.

Estávamos estudando quando começou a chover. Dessa vez, era uma tempestade. Raios, trovões e recorde de chuva. O barulho das pedrinhas me alertou, e eu a chamei para ver a novidade. Na varanda, nem precisamos chegar até o portão, o gelo empurrado pelo vento caía aos montes perto de nós. Ela recolheu um, outro, encantada com a primeira vez em que pegou granizo com as mãos. Entrei por uns minutos, e logo ouvi sons diferentes: era ela, que atraída pelas águas, pulava nas poças. Olhou-me entre desafiadora e tímida. Não pude resistir, e a incentivei a continuar. 

E ela, dançando, estendeu sua infância até me encontrar.


Este é o dia mais feliz da minha vida.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

PARA FICAR LINDO

Ontem ela foi à capoeira com meus primos. Ao chegar em casa, veio feliz me contar:
"Mãe, olhei agora no céu e vi direitinho o trenó do Papai Noel e as renas! O Natal está mesmo chegando".

Ver coisas assim é só para quem é especial, mas ouvi-las também é um presente. Minha menina fala coisas lindas, surpreendentes. Às vezes registro essa sabedoria no tiwtter e no facebook, mas as redes sociais são efêmeras...  Para perpetuar  aquilo que mais me tocou nesse ano, segue uma coletânea do melhor de 2010:

♥ Primeira frase que minha filha escreveu sozinha: "Mãe eu te amo” ... e ela completou "de paixão".
♥ Levando minha filha pra escola, ela vira pra mim e diz: "mãe, a vida é boa, não é?"
♥ "Mãe, já sei o que eu vou fazer quando crescer! Construir uma máquina do tempo pra ir te conhecer quando criança”.
♥ Eu estava ouvindo "Todo amor que houver nessa vida" e ela me disse: "nossa, mãe, mas você não pode querer tudo pra você, todo mundo quer amor!"
♥ Ela começou a me contar as preferências culinárias dela e foi ordenando: primeira, segunda, terceira, quarta, quinta, sexta e “sábada”.
♥ Dia desses me contou, com cara de nojo, que lhe ofereceram doce de "palmilha"...
♥ Eu para ela: "Você me ama?" Ela: "Amo!" Eu: "E nunca vai me deixar?" Ela: "Ah, isso eu já não sei...”
♥ Minha filha para mim: "mãe, que cheiro lindo!".
♥ "Mãe, sabe por que eu demoro a escovar os dentes? Porque eu converso com a escova.”
♥ Minha filha me perguntou de manhã como seria meu dia. Ao ouvir a resposta, disse: "Nossa, mãe, como você é corrente!"
♥ Essa foi no dia do concurso de Miss Universo. Ela me falou, inconformada: "mas, mãe, você não vai participar?”
♥ "Quando fazemos o bem, Papai do céu nos dá uma recompensa. Mas não é em coisa, como algumas pessoas acham. Ele nos joga amor."
♥ Contei algo, e ela: "mãe, já formei um vidinho do youtube na minha cabeça”.
♥ Após observar atentamente meu ritual de banho, óleo, creme, perfume: "nossa, mãe, pensava que você tinha nascido macia e cheirosa”.
‎♥ "Mãe, por que precisa falar tutu de feijão se não existe tutu de outra coisa? Não dá pra falar só tutu pra economizar falada?”
♥ Minha preferida (e que fez feliz, por instantes, alguém doce que partiu): ela me pediu para pintá-la de verde, arrumar uma latinha e levá-la à Praça para que ela possa imitar um SAPO e ganhar um dinheirinho.

♥ "Para ficar lindo, tem que prestar atenção nos detalhes. Se não, fica só bonito." 

sábado, 21 de agosto de 2010

AMOR (ES)

(Clique aqui para conhecer a história da amoreira.)


Colhendo amoras.



Batendo claras em neve (sim, à mão...)



Misturando a massa.



Cobrindo o bolo com geléia das amoras.



Primeiro bolo da minha menina. Quer um pedaço?

domingo, 15 de agosto de 2010

NA RODA DA VIDA



Ano passado, foi a apresentação de balé. Roupas delicadas, ambiente refinado. Minha menina gostou de colocar roupinha de "boneca", de se maquiar. Gostou dos preparativos. Na apresentação, era importante que todas estivessem iguais, fazendo os mesmos movimentos. Platéia lotada de famílias orgulhosas. Um espetáculo para os que assistiam.

Esse ano, batizado na capoeira. Em poucos minutos, estava pronta. Calça e camiseta brancas, largas, confortáveis. O batizado foi na Academia. Música ao vivo, cantada por todos, tradicional. Muitos alunos, muitos professores, alguns mestres. Mas pouca platéia. Na roda, alegria de quem se apresentava. Um aluno e um mestre, iguais naquele momento do jogo. Dialogando em seus movimentos, um tentando surpreender o outro. Quando alguém faz algo inesperado, é aplaudido. Em volta, outros alunos e mestres não perdiam um movimento. A música marcando o ritmo, todos cantando. Um espetáculo para os que participaram.



Fico feliz que minha filha prefira aquilo que faz seus olhos brilharem mais do que os de quem assiste. Pois também na vida temos a escolha de sermos originais ou iguais. Fazer o espetáculo para a platéia, ou para nós e nossos parceiros. Olho no olho. Porém, sem nunca se esquecer, como se diz na capoeira: "quem está de fora, está vendo".


"Que Deus ilumine teus passos e te proteja na grande roda da vida!"
(Escrito no certificado de batismo dela)

sábado, 7 de agosto de 2010

AONDE QUER QUE EU VÁ, LEVO VOCÊ NO OLHAR

"Há tanta suavidade em nada se dizer, e tudo se entender."
(Fernando Pessoa)

Uma imagem vale mais que mil palavras? Hum, não sei. Como dizia um professor de redação, demonstre essa frase em uma imagem!

Mas sei que há gestos que dizem muito, e vão além. Da distância, do tempo, das palavras. Expressam, em sua delicadeza, o sentimento que se declara, ainda que não se tenha experimentando toda as possibilidades, toda a plenitude do que é desejado, mas não, possível. Ainda.

Já posso novamente registrar os momentos importantes da minha vida. Dessa vez, faltam, a mim, as palavras que pudessem expressar o tanto de alegria e felicidade que experimentei com o presente que recebi. Porém, sei o que senti, o que sinto, o que levo sempre junto a mim. Agora, outros olhos estarão sempre comigo.

Eis a janelinha da minha  menina. E posso mostrar aqui porque ganhei uma máquina fotográfica nova. Obrigada, tanto, sempre!


A vida é agora, mas é também o que se foi, e o que virá.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TREINO


Ela veio e disse:
- Mãe, eu já nadei bastante com bóia para treinar. Se eu tirar eu consigo nadar sozinha.

Eu, meio com medo, vigiando de perto, deixei. E não é que ela foi? Nadou sozinha, engoliu água, mas não desistiu. Desde aquela tarde, ela não colocou mais as bóias (e eu não consegui mais fechar os olhos para tomar sol...)

Eu também sou uma bóia na vida dela. Sei que chegará o dia em que ela irá mergulhar sozinha e nadar em seus próprios mares.

E então, eu serei o seu porto.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

UM POEMA PARA MIM

Até chorei...
Nos comentários do meu texto anterior, ganhei um poema todo meu, feito pela linda (por dentro e por fora) Débora do 3 x 30 - Solteira, Casada, Divorciada.
Uma poesia bonita e verdadeira, convidando a viver de maneira plena e a dar espaço ao inesperado e às pequenas coisas (que são as mais importantes).
Mereceu um post!
Obrigada, Débora, por tanta gentileza! Continue assim. O-Negai Shimasu!

Menina

Poesia é o que tá lá fora
Longe do mundo das letras
O que não se diz em palavras
Um beijo roubado
Um olhar apaixonado
A gargalhada da sua menina de cachos
(Ou ela a conversar com o vento)
Um bom prato de comida
Um tombo no mar
O rir da vida

Se ainda assim
Queres um versinho
Te mando essa coisa estranha
Mas repleta de carinho

(Débora)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

COMIDA PREFERIDA: MINHOCA FRITA

Dia desses, saindo com a minha menina de cachos da escola, encontramos meu pai. Bem próximo a onde ela estuda, há um Restaurante Vegetariano com tendências boêmias. As cervejas de diversas procedências atraem um público não tão interessado em vida saudável e meu pai chegava para uma happy hour. Claro que ela correu para junto do avô e nós duas nos integramos à turma.
Sendo um restaurante que não faz pratos com produtos de origem animal, os petiscos fogem do tradicional. O dono sugeriu, pra começar, um tal "torresmo vegetariano", feito com gergelim e não-sei-mais-o-quê. Quando o aperitivo chegou à mesa, parecia, na verdade, minhocas fritas. E foi isso que dissemos, de brincadeira, à minha menina. E não é que ela não só acreditou, como comeu e adorou? Gostou tanto que foi à cozinha pedir ao "tio" mais uma porção.

Além de engraçado, achei legal esse lado gourmet destemido dela. Eu sempre a ensinei a experimentar, mas não pensei que ela fosse capaz de ir tão longe! E chegando em casa, minha filha foi logo anunciando:

- Agora minha comida preferida não é mais camarão. É minhoca frita!

Que ela continue assim, sem medo de tentar novas experiências. Pois hoje foi ela quem me lembrou que podemos ser surpreendidos com algo muito bom justamente de onde menos se espera.

E da próxima vez que a vida me oferecer algo estranho, vou arriscar experimentar....

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Gol!

Domingo fomos a um jogo de futebol.

Eu, minha menina, minha sobrinha mais velha e meu afilhado. Fiquei muito feliz em compartilhar este momento especial com pessoas que eu amo tanto. Minha filha mais que querida, minha sobrinha que me ensinou como é bom ser mãe, meu afilhado que eu vejo pouco, mas amo de longe. Filho da amiga que tem sido ao longo da vida a irmã que eu escolhi.

Foi uma manhã de sol e muitos gols. Pena que nem todos nossos... Foi um empate com gosto de derrota para o nosso time, que jogou em casa.

Mas para as crianças foi tudo de bom! Com pipoca, Guarah (não é guaraná!), pastel... hum! E muitos amigos comemorando e torcendo juntos, em paz.

Foi a primeira vez que minha menina foi a um estádio e não entendeu muito bem o jogo, mas observou bastante. Quase comemorou o gol do adversário, assustou-se com a comemoração dos nossos gols e no final estava quase dormindo...

Mas chegando em casa, ao contar para as gêmeas sobre o passeio, falou sobre o que mais a impressionou: o jogador que foi expulso. Segundo ela, porque não soube brincar e derrubou o amigo.

Mais uma lição: quem quer vencer passando rasteira no outro, acaba ficando de fora. Assim no futebol, como na vida...

sábado, 15 de novembro de 2008

Depois da tempestade

Como é forte e simbólica a imagem do sol que surge após a tempestade...

Faz tempo que chove aqui. Dia desses, final de tarde, parou de chover e saiu o sol. Corri para a janela e lá estava:
Um arco-íris!

Tirei fotos e apressei-me para ir buscar minha menina mais cedo, para vermos juntas coisa tão linda! Mas não deu, quando cheguei à rua, ele já tinha ido.
O sol continuava, porém. E parecia que todas as pessoas sentiam-se como eu. Junto com a umidade, havia também no ar a esperança...

Peguei minha filha e no caminho de volta, ensinei a ela os versos de uma canção:

The colors of a rainbow
so pretty in the sky
Are also on the faces
of people going by
I see friends shaking hands
sayin' "how do you do?"
They're really sayin'
"I love you"


Enquanto o sol se punha, chegamos em casa cantando. A mãozinha dela na minha. Sem perceber que sou eu quem me apóio nela...


What a wonderful world...

domingo, 21 de setembro de 2008

Viagem de trem - 2

(continuação do post anterior)
Dentro do trem, tudo é novidade! As máquinas fotográficas não param.

Atrás de mim, um homem filma tudo. Aliás, filmou sem parar a viagem inteira. Infelizmente, acho que ninguém irá aguentar ver o filme todo, longuíssimo...Chato!

Minha menina pula de banco em banco, ora conosco, ora com a teacher, ora com os amigos... Um conjunto regional entra e toca algumas músicas. Mas logo o balanço suave e o barulhinho ritmado começam a fazer efeito. Ela, que dorme no carro em qualquer passeio que dure mais que alguns minutos, começa a se encostar, os olhinhos lutam para ficarem abertos. Ela fala:

- Quanto mato, né, mamae?

E dorme.

Realmente, pela janela passam lindas paisagens verdes, meio encobertas pela neblina. Nem parece final de setembro! Está um dia típico de inverno e ao passarmos lentamente pela cidadezinha no mais alto da serra, parece que o trem nos levou para o passado, em outro país... Tudo está envolvido pela névoa branca, não há carros nas ruas e as poucas pessoas que passam estão com pesadas roupas de inverno. Enquanto o trem passa apitando, todas acenam e sorriem. Das casas, saem crianças com bochechas rosadas de frio, que pulam dando tchau!

O trem deixa a cidade e continua sua viagem por entre a natureza. Passamos por pontes e túneis.

Minha menina dorme...

Perto do meio-dia, chegamos à nossa parada para o almoço. Meio desorientada, minha filha acorda, olha em volta, sorri...

O almoço é em um salão comunitário, à sombra da torre de uma igrejinha. Bonito cenário. Mas a comida, bem ruinzinha, é o único ponto negativo do passeio.
Minha menina quer ir ao banheiro, a fila é enooooorme! Ela faz xixi no murinho e fica bem feliz por mais esta quebra de rotina. Quanta aventura!
O trem apita três vezes. Hora de voltar!
Desta vez minha menina vai bem acordada, aproveita as curvas e túneis, o amigo, a teacher. Os adultos se encantam alternadamente com a linda paisagem que corre pela janela e com as crianças dentro do trem.
Muitas pessoas estão à beira da estrada vendo o trem passar.
Adeus, adeus...
E logo chegamos, de volta ao ponto de partida... Todos felizes, com um brilho de infância no olhar.
A volta para casa é bonita e tranquila, em meio à neblina da estrada. Levamos a teacher para casa, minha menina quase chora...
Foi tudo tão bom! E o que vai ficar na lembrança da minha menina com certeza será terno. Talvez ela se lembre mais de a professora ter dormido em casa, de fazer xixi no muro, da rosca imensa... Mas misturada à estas lembranças, estará o balanço do trem.
E envolvendo tudo e todos, como a bruma, o amor.
(Para saber mais:

Viagem de trem - 1

Falei para minha menina que íamos passear em algo que ela nunca tinha "andado" antes. Pensando que ela iria acertar na hora e ficar muito feliz:
- Já sei, mãe! Vamos passear de helicóptero!
- Não, querida, de trem!
- Ah....

Pois é, o suspense acabou tirando um pouco da graça da surpresa. Eu não imaginei que avião e helicóptero fossem categorias diferentes...

Mas fomos ao nosso passeio de trem, e foi tão bom! Eu tenho as melhores lembranças desses passeios, na infância íamos sempre de Pindamonhangaba até Campos do Jordão. E ainda tive a sorte de fazer alguns passeios entre cidades em linhas regulares, que funcionavam paralelas aos ônibus e infelizmente se acabaram...
Foi tudo novidade para minha menina! Começou com a professora querida dormindo em casa, o que resultou em grande prestígio entre os amigos na escola. A teacher foi conosco, e como íamos sair cedo e ela mora longe, foi a solução mais prática. E também emocionante para minha filha! Deixamos a chave para ela na portaria (tivemos um compromisso) e um lindo desenho feito pela minha filha na porta do apartamento, antecipando a alegria do dia seguinte.
Quando chegamos em casa, a professora já dormia. Minha menininha olhava a porta do quarto com grandes olhos esperançosos... Mas soube esperar, e antes do sol nascer do dia seguinte, foi acordar nossa companheira de viagem. Que parecia tão feliz quanto ela!
A viagem foi longa até a cidade de destino. O sol nasceu lindo no horizonte sobre o mar, mas logo começou a chover fraco. Na subida da serra, as flores e as árvores mostravam-se ainda mais verdes e lindas e em certos momentos a neblina que descia me lembrava como eu gostava de procurar anjos quando dirigíamos nas nuvens.
Chegamos cedo. A velha estação ferroviária só nossa. Parecia triste, com tantos trens abandonados. Mas a Maria Fumaça do nosso passeio reluzia!
Minha menina, que dormiu a viagem inteira, estava com fome. Eu, ela, o pai e a professora fomos a pé até o centro da cidadezinha, lojas ainda abrindo, tomar café da manhã na padaria. Autorizada a pedir o que quisesse, escolheu uma rosca imensa, coberta de creme amarelinho. Não conseguiu chegar até o fim, mas o que não coube na barriguinha encheu por muito tempo seus olhos de felicidade!
De volta à estação, quanta gente! De todas as idades, de todos os lugares, em busca da delícia efêmera de um passeio de trem. Entre tantos, nos encontramos com o amiguinho de escola, uma prima e seus pais, como combinado. Ela e o amigo não se cansaram de mostrar tudo a teacher, orgulhosos da inversão de papéis.
O apito avisa: é hora de partir.
Os vagões mostram a idade, mas também beleza. Somos todos crianças nesta hora, unidos pela expectativa da partida.
Lentamente, o trem deixa a estação.
(continua no próximo post)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Lições

Hoje pela primeira vez não levei minha menina até a sala de aula. Fiquei no portão.
Não foi uma decisão antecipada, estávamos um pouco atrasadas e não quis entrar e atrapalhar, pois as crianças já haviam todas ido para a classe. Além do mais, eu não resisto a uma conversinha com a teacher... Então eu disse:
- Hoje você sobe sozinha, tá, filha?
E ela foi. Me deu um "grudinho de bico", um tchau desajeitado entre bolsas e o Urso, e foi.
Ao vê-la se afastar, feliz e autoconfiante, me deu uma tristeza... Uma vontade de tocar a campainha, entrar e seguir com minha filha.
Porque preciso dela para encontrar o meu caminho.

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