"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

DESOLAÇÃO


Fui dormir às 5 da manhã porque estava sozinha e tenho medo da casa vazia. Com minha menina fora, fico desabitada. 
Acordei cedo e despertei para a tragédia dos jovens mortos no incêndio na boate em Santa Maria. 
Não há reparação possível para a morte de um filho. No olhar de todas as pessoas que encontro, vejo o mesmo entendimento e o mesmo medo. A dor da perda insuprível, pode ser expressada? 
Meu desespero é mudo. Passei o dia no silêncio do luto.
Minha filha voltou para casa ao entardecer. Para os pais de mais de 200 jovens, é a noite eterna.



Funeral Blues
W H Auden

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come. 

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves. 

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

DICOTOMIA


Além da tristeza, tragédias me dão o sentimento de urgência.
E se não couber tanto amor? E se não houver tempo para tanta vida? 

Nesse momento, calma e paciência se fazem necessárias. É a pausa. Mas então vem esse susto, que traz consigo a vontade insatisfeita de abraços e pertencimentos. Estreito minha menina nos braços, e meu coração se alarga de esperas. 

O mar que existe dentro de mim se derrama.

(Enquanto isso, o céu se alegra ao receber Gabriela entre seus anjos mais belos.)

http://www.youtube.com/watch?v=XU6UdVI9B7I

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ESTE BLOG ESTÁ DE LUTO PELA MORTE DE D. ZILDA ARNS

Tenho pouquíssimos ídolos. Na maioria, gente comum que fez a diferença na vida de pessoas comuns, ao agir de maneira incomum. Pessoas capazes de inspirar e multiplicar o bem, na mais ampla acepção da palavra. Betinho foi um deles. D. Zilda Arns, outra.
Brasileira incomparável, incansável em seu trabalho sério e exemplar à frente da Pastoral da Criança. Ressaltando que a Pastoral da Criança está acima e além de diferenças religiosas.

Falando sobre a mãe, Nelson Arns deu ao jornal "O Globo" uma declaração que, creio, resume quem foi D. Zilda Arns. Para ele, ela cumpriu sua missão e morreu fazendo o que gostava:

- Arriscaria dizer que, se ela soubesse que, indo para o Haiti, iria morrer,mas salvar vidas, ela iria.

A Pastoral da Criança precisa sempre de doações e voluntários, ajude:
Se tiver problemas de acesso, tente:
No susto do luto e na pressa da homenagem, faltaram-me palavras. Um amigo enviou-me o link de um texto que diz tudo o que eu gostaria de dizer sobre essa mulher de sorriso sempre aberto. Leiam o texto, no blog do Mario Viana, dramaturgo e roteirista:

Update:
Contei a história de Zilda Arns e da Pastoral da Criança para minha menina, e ela decidiu doar todo o dinheiro do seu cofrinho para a obra.


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