"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

DICOTOMIA


Além da tristeza, tragédias me dão o sentimento de urgência.
E se não couber tanto amor? E se não houver tempo para tanta vida? 

Nesse momento, calma e paciência se fazem necessárias. É a pausa. Mas então vem esse susto, que traz consigo a vontade insatisfeita de abraços e pertencimentos. Estreito minha menina nos braços, e meu coração se alarga de esperas. 

O mar que existe dentro de mim se derrama.

(Enquanto isso, o céu se alegra ao receber Gabriela entre seus anjos mais belos.)

http://www.youtube.com/watch?v=XU6UdVI9B7I

sexta-feira, 17 de junho de 2011

SORTE!

Sou uma mulher de sorte.

Mesmo quando tudo dá errado, a vida vira de cabeça para baixo e parece que nunca mais vai voltar ao lugar. Quando estou cansada, cansada, cansada. O dinheiro falta, a compreensão me escapa e é pesado demais dar mais um passo. Só mais um.
Quer saber? Não importa. Porque eu tenho a menininha mais incrível, a filha mais linda. Exatamente como eu desejei e pedi. Que sempre me faz sorrir, que me abraça, e me inunda de felicidade.

É por você, filha, que eu sou a mulher mais sortuda do mundo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"NÃO PRECISO DO FIM PARA CHEGAR"

Tem gente que passa a vida na cidade em que nasceu, casa-se com o primeiro namorado, é aprovada no concurso do Banco do Brasil aos 21 anos e assim segue a vida. Muitas vezes tenho inveja das pessoas feitas de certezas absolutas... Eu estou sempre de mudança, e de tanto deixar coisas e pessoas para trás, tornei-me em pedaços e dúvidas.

E foi assim janeiro, mês de fins, de rompimentos que sei definitivos, mesmo que tenha dito que eu continuo aqui. Mais uma vez, (de) partida.

Amanhã, muda tudo, de novo. Outra tentativa? Outro acerto? Não sei. Sei que para mim é difícil dizer adeus.  Prefiro ir partindo aos poucos, esgarçando-me, até ser como disse Manoel de Barros, poeta maior:

"Do lugar onde estou, eu já fui embora".



Eu Não Sou da Sua Rua
Composição: Branco Mello - Arnaldo Antunes
Eu não sou da sua rua,
Não sou o seu vizinho.
Eu moro muito longe, sozinho.
Estou aqui de passagem.
Eu não sou da sua rua,
Eu não falo a sua língua,
Minha vida é diferente da sua.
Estou aqui de passagem.
Esse mundo não é
Meu, esse mundo não é seu

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PALIMPSESTO

Eu amo o cheiro das noites de verão. Cheiro da terra que libera o calor guardado durante o dia: de maneira preguiçosa enquanto a noite cai, ou violentamente sob a chuva. O verão é a minha estação, é a que constrói  minhas memórias afetivas. Basta o perfume da dama-da-noite para eu voltar à infância, onde cheiros, luzes e sons se misturam e sempre é o eterno pôr do sol de férias na praia ao mesmo tempo em que espio a tempestade da janela mais alta junto com minha mãe.




Minha menina vai fazer sete anos e espero que essas sejam as férias sobre as quais suas memórias serão construídas. Tivemos férias incríveis, nós duas junto a amigos queridos e generosos. Férias de ir à praia todos os dias, aprendendo com o mar que é sempre o mesmo e nunca igual. Férias de sol e águas transparentes, de caldos e capotes, de nadar sem roupa na chuva. Férias de pular no colchão, de dormir de cansaço, de Morango, de velhos sabores. Férias de aprender a fazer castelos de areia e descobrir que eles não duram, mas há sempre material para uma nova construção. Férias de passar a noite toda acordada conversando com quem já não está. Férias de café da manhã na cama, comida maravilhosa feita pelos amigos e do cachorro-quente mais caro do mundo! Férias de conhecer e reencontrar o Rio de Janeiro e criar novo significado para praia do Leblon.







E voltar para casa... Voltar e tentar fazer um ano verdadeiramente novo. Mudar a rota. Hoje, deitada na piscina com minha filha, o verão à nossa volta, olhando ora as nuvens, ora as estrelas, achei um novo norte.

"Mãe, as estrelas, mesmo quando se escondem, estão sempre ali para brilhar."



domingo, 15 de agosto de 2010

NA RODA DA VIDA



Ano passado, foi a apresentação de balé. Roupas delicadas, ambiente refinado. Minha menina gostou de colocar roupinha de "boneca", de se maquiar. Gostou dos preparativos. Na apresentação, era importante que todas estivessem iguais, fazendo os mesmos movimentos. Platéia lotada de famílias orgulhosas. Um espetáculo para os que assistiam.

Esse ano, batizado na capoeira. Em poucos minutos, estava pronta. Calça e camiseta brancas, largas, confortáveis. O batizado foi na Academia. Música ao vivo, cantada por todos, tradicional. Muitos alunos, muitos professores, alguns mestres. Mas pouca platéia. Na roda, alegria de quem se apresentava. Um aluno e um mestre, iguais naquele momento do jogo. Dialogando em seus movimentos, um tentando surpreender o outro. Quando alguém faz algo inesperado, é aplaudido. Em volta, outros alunos e mestres não perdiam um movimento. A música marcando o ritmo, todos cantando. Um espetáculo para os que participaram.



Fico feliz que minha filha prefira aquilo que faz seus olhos brilharem mais do que os de quem assiste. Pois também na vida temos a escolha de sermos originais ou iguais. Fazer o espetáculo para a platéia, ou para nós e nossos parceiros. Olho no olho. Porém, sem nunca se esquecer, como se diz na capoeira: "quem está de fora, está vendo".


"Que Deus ilumine teus passos e te proteja na grande roda da vida!"
(Escrito no certificado de batismo dela)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

AFETO EM FRENTE AO MAR



Minha máquina fotográfica já era. Essa perda me deu o tema do post que pretendia escrever, sobre fotografar, lembranças, momentos importantes... Porém, acontecimentos e sentimentos têm me deixado triste e cansada por esses dias. Vou deixar, ainda uma vez, a música falar por mim. Eu poderia ter escrito essa...

Fotografia




Leoni
Composição: Leoni, Léo Jaime

Hoje o mar faz onda feito criança
No balanço calmo a gente descansa
Nessas horas dorme longe a lembrança
De ser feliz
Quando a tarde toma a gente nos braços
Sopra um vento que dissolve o cansaço
É o avesso do esforço que eu faço
Pra ser feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.
Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz
E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

AS CANÇÕES QUE EU FAÇO

(Recebi um comentario tão bonito em resposta ao meu post "ALENTO" que decidi compartilhar com todos vocês. Obrigada, Roberto, por tão lindas palavras. Você já é um dos meus escritores preferidos!) 


Há quem tenha memórias tão remotas quanto a sua vida intra-uterina, como óvulos ou espermatozóides e, até mesmo, de vidas passadas.

Não sei se admiro ou se tenho medo desse tipo de gente!

Diria que minhas lembranças remotas são bem recentes, daí o meu espanto diante de quem jura ter assistido ao próprio parto ou coisa anterior.

Tenho uma recordação especial de minha infância que me é muito, muito querida e diz muito de mim.

Recordo-me, como se fosse há 15 minutos, que minha mãe me ninava cantando. Chego a ve-la, de bruços, me fazendo carinhos que só mães são capazes e, cantando.

Não sei se era afinada ou não, sei, somente, que o seu timbre me acalmava, aconchegava, me conduzia de volta ao preciso ventre, onde eu estivera protegido de tudo e de todos.

É a recordação mais remota que tenho de minha vida e, confesso, não sei se é uma recordação ou reprodução do que devo ter ouvido ainda criança.

O que importa é que esta cena é real e forte em minha memória. Vejo-me bebê e minha mãe a cantar, entre aconchegos maternos.

A essa altura, imagino a moça grande, de cachos, de mãos postas a indagar: - E daí! o que esse cara quer dizer com essa ladainha?

Antes que a moça crescida, de cachos, recuse o meu comentário, devo esclarecer a razão dessa longa e tediosa introduçào.

Assim como ela, música sempre fez parte de minha vida, e o primeiro episódio de sensibilidade à música se deu com a minha mãe cantando para me ninar.

A verdade é que ela cantava e eu me deliciava até que ela ameaçasse cantar "tristeza não tem fim... felicidade, sim". Bastava isso para que eu me descontrolasse em choro profundo e sentido.

Segundo me lembro ou me contaram, a experiência foi repetida e com os mesmos resultados. Reagia mal a essa música, como reajo até hoje. Não gosto de ouvi-la.

Deus, na distribuição dos talentos, infelizmente, não me deu o de compor, fazer ou tocar música. Reservou para mim o talento de ouvir e de aplaudir quem faz música.

Assim, sempre tive trilha sonora em minha vida. Parece bom, mas não é.

Quem se lembra do álbum de J. Lennon, lançado às vesperas de seu assassinato? Pois é... é um lindo álbum que não consigo mais ouvir, seja pelo que aconteceu a ele, seja pelo fato de ter coincidido com a morte de minha mãe, aquela que me ninava e mimava cantando.

Por outro lado, verdadeiras agressões à arte da música me são caras porque me remetem a situações da puberdade, inesquecíveis.

Podem rir, mas, até hoje, ouvir Loving You (com passarinhos e tudo) me arrepia. Serendipity!

Por outro lado, tristeza ou Pedaço de Mim, na voz de Zizi Possi, me fazem chorar em qualquer momento, situação ou circunstância.

Pedaço de Mim é algo que não ouso arriscar explicar, ou tentar compreender, apenas sinto, e sinto cada verso, cada frase, telvez, pela saudade da metade de mim que jamais conheci.

Por fim, há músicas que tomamos como nossas, que não tem relação com fato algum, apenas tocam o nosso sentir.





segunda-feira, 19 de julho de 2010

ALENTO

Minha vida sempre teve trilha sonora. Nunca ouço música impunemente.

Uma de minhas lembranças mais remotas é de parar de brincar para ouvir música. Criança estranha, gostava de Frank Sinatra, de Bossa Nova. A "Cavalgada das Valquírias" abastecia-me de entusiasmo. "João e Maria" traduzia meu faz de conta.

Fugindo ao clichê, no entanto, nem todos os meus amores tiveram a "nossa" música. Alguns foram cheiro, perfume. Outros, uma determinada hora do dia, ou tato, ou sons outros que não notas musicais. Há um quase-amor, esmaecido, que virou uma canção na luz de fim de tarde de um verão. E o maior de todos tem toda uma trilha sonora, que cresce ainda hoje.

Quando meu tio, irmão mais novo do meu pai, morreu de forma trágica, eu tinha cinco anos e fui, como as outras crianças, "protegida" da verdade, o que não evitou a dor. Confusa, mantida à distância, lembro-me do meu pai chorando e ouvindo música com fone de ouvido. Essa dor foi surda.


Também dói-me a música quando vai além dos sentidos para transformar-se em sentir. Porém, me arrebata, me toma inteira, me alegra, quando me faz acreditar. Serendipity.

Hoje vi minha menina puxar o canto na capoeira. Desafinada como a mãe. Para ela, ainda bebê, fiz uma cançao de ninar. Já coloquei a letra aqui no início do blog, mas hoje tenho a coragem de mostrar que canto para ela, que é todos os sons e todas as notas.



(Fiz esse vídeo alguns dias depois do seu primeiro aniversário. Hoje ela tem seis anos, e é ainda mais bela...)

EU GUARDO EM MIM TANTAS CANÇÕES

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A DONA DO LABIRINTO

Maze - James Jean

Em uma de nossas conversas que atravessam a madrugada, um querido me sugeriu escrever sobre Ariadne. "Recolha seu novelo, e saia desse labirinto."

É bela a história de Ariadne. Ela amou Teseu à primeira vista, ao vê-lo no palácio do pai, voluntário para enfrentar a morte que parecia certa no labirinto do Minotauro. Bonita, decidida e inteligente, propôs a Teseu uma troca: ela o ensinaria a sair do labirinto, ele a levaria para Atenas para casarem-se. Ele aceitou e recebeu dela uma espada para matar o Minotauro, e um fio para encontrar o caminho de volta do labirinto. Segurando uma das pontas, ela o esperava na saída, quando ele retornou, vitorioso.
Mas Teseu não a amava, e a deixou, adormecida, em uma ilha no caminho de volta para Atenas. Abandonada, só, Ariadne se desespera ao acordar. Tocada por sua tristeza, Afrodite promete a ela um amor imortal. Esse amor materializa-se em Dionísio, que estava na mesma ilha e apaixona-se por Ariadne. Deus do prazer, do vinho, das festas, eles se amam enquanto dura sua vida mortal, numa celebração do amor e da alegria de viver. Após sua morte, o deus transforma a coroa que dera a Ariadne no casamento em uma linda constelação.

Há muitas e belas interpretações sobre esse mito, e meu querido gostaria que eu me lembrasse que é possível refazer nossas escolhas e aceitar os presentes que a vida nos dá. O que é verdade. Mas eu vou além. O que me chama a atenção na história é a presunção inicial de Ariadne, ao acreditar que poderia se fazer correspondida em seu amor por Teseu. Bonita, inteligente, amável, apaixonada, por que estaria ela errada? Porque o amor, como disse o poeta, é dado de graça. Não se troca. Amor é incondicional. Por isso, não condeno Teseu. Talvez ele próprio tenha querido amá-la... E foi ele, afinal, o fio que a conduziu ao amor de Dionísio. 

Somos todos, ao final das contas, condutores e conduzidos, perdidos em algum momento em nossos labirintos, esperando pelo amor que nos guie e nos resgate para a celebração da vida.


As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

ESQUINAS

Quando eu era criança, não existia celular e as pessoas de seis anos podiam andar por aí sem a companhia de adultos e sem hora para voltar. Minha brincadeira preferida chamava-se "quarteirão maluco". Era um sair caminhando a esmo pelas ruas, até ter a sensação de estar perdida. Então, dobrava-se uma esquina e o mundo que eu conhecia estava ali, de volta.

Nesses dias doídos de agora, lembrei-me que a vida, ela também, está cheia de esquinas. Logo ali, eu sei, vou alcançar o gesto e o jeito que me traga a felicidade de volta. Vou deixar de pensar que a vida é o que acontece do outro lado e vou eu mesma, impaciente, pegá-la com as mãos e lambuzar-me de alegria.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O OUTRO LADO

Trago comigo paisagens internas. 

A cidade em que passei boa parte da minha infância é dividida pela linha do trem e pelo rio que a corta. É também cercada de serras. Para chegar ao mar, é preciso atravessá-las.
Assim também minha vida pode ser dividida em linhas imaginárias que cruzei. Algumas vezes voltei, outras não. Lembro-me do dia em que a ponte mais bonita e antiga da cidade partiu-se ao meio e caiu. Eu também tive esse momento em que não foi mais possível voltar atrás porque não havia mais o caminho. Aquela que fui já não estava lá.

Agora, há montanhas dentro de mim. Não sei o que se oculta do outro lado, e ainda não decidi se quero cruzá-las e avistar o horizonte sem fim, ou me conformar com o lado de cá, seguro e sem surpresas. Há um certo cansaço em se reinventar constantemente, mas a conformidade sempre me pareceu uma espécie de derrota.

Porém, não sou montanha, sou oceano. E a vida me navega.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

DE PEQUENO PRÍNCIPE A GRANDE HOMEM

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

Nunca gostei dessa frase. Ela diz exatamente o contrário do que penso sobre o amor. Amor é liberdade, para si e para a pessoa amada. Cativo é escravo, e não quero aqueles que amo, ou que me amam, presos a mim. Tampouco quero assumir a responsabilidade pela vida alheia, pior ainda, pela eternidade afora... Quanto egoísmo há em amar alguém e entregar a ele a própria vida.

Essa visão de que amar é "pertencer a alguém" é bastante popular, eu sei. Há filmes, livros, poemas, músicas. Eleita "a música da década de 80", a linda melodia de "Every breath you take" do The Police, me causa falta de ar só de imaginar alguém me vigiando a cada vez que eu respiro. A cada vez que eu me movo...O próprio Sting, mais esperto e melhor casado, alguns anos depois cantou: "If you love somebody, set them free" (se você ama alguém, deixe-o livre). Djavan cantou: "vem me fazer feliz porque eu te amo". Para piorar, ainda completa "esqueço que amar é quase uma dor. Só sei viver se for por você." Como assim? Como dizem em inglês, get a life.

Amor - seja por quem for, Deus, pai, mãe, filhos, amigos, amantes, parceiros - é alegria, é doação desinteressada, é compartilhar e principalmente, agregar. Acrescentar descobertas e experiências à vida do outro e à minha. Amor é movimento, seguir em frente, desfrutar o caminho. Cuidar sem vigiar. E não, cativeiro.

Eu amo minha filha, sei que ela me ama. Mas não sou eu a responsável pela felicidade dela, embora seja uma das responsáveis por seu bem-estar, enquanto ela ainda é criança. E a melhor maneira de demonstrar meu amor por ela é ensiná-la a ser livre e a amar a si mesma. Só aquele que encontra a felicidade por si é capaz de dividi-la.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ELA DANÇA

“Eu só acreditaria em um Deus que soubesse dançar”.
(Friedrich Nietzsche)

Vou buscá-la na escola e pergunto:
- Com quem você brincou hoje?
E ela, sorrindo, feliz:
- Com ninguém, mãe, sozinha.
- Sozinha?! Mas por que sozinha?
Ainda sorrindo, responde, distraída pela joaninha que tenta pegar no chão:
- Ué, mãe! Ninguém quis brincar minha brincadeira, brinquei sozinha!

Como a resposta "sozinha" se repetiu mais algumas vezes, aproveitei a reunião de fim de ano para conferir com a professora. Que me contou, encantada, que de fato, às vezes minha menina de cachos passa o recreio só e feliz:
- Ela gosta de cantar. E dançar. Se ninguém quer dançar com ela, ela dança sozinha.

Realmente, minha filha raramente tem os dois pés no chão ao mesmo tempo! E sua presença nunca é silenciosa. Mesmo quando dorme, ela fala e ri. Porém, sabe ficar só, sem estar solitária. Adora brincar com outras crianças, mas é capaz de inventar seus próprios jogos. Ela cria sua própria canção.

Olhar para ela me faz lembrar que nem sempre teremos parceiros para dançar conosco. E que haverá sempre alternância de ritmos, de timbres. Às vezes, o volume estará tão baixo, que há que se concentrar para ouvir... Mas não é por isso que devemos desistir da dança. O importante é continuar a ouvir a música da vida.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

BEING BORING

Setembro não foi um mês fácil. A inspiração para novos textos está muito melancólica. Todavia, eu acredito no lema que ensinei à minha menina de cachos: viver é muito bom!
Encerro, portanto o mês de setembro com uma música. Não é, talvez, uma obra que será eterna e sei que o pop não tem a beleza da música clássica, do jazz, da bossa nova e de tantas canções que ouço e ainda irei ouvir e compartilhar com minha pequena. Mas essa é uma das músicas que eu mais gosto, e minhas predileções por música, livros, filmes, transcendem a qualidade e acabam sendo muito pessoais. Nesse caso, ela é especial porque, primeiro, foi inspirada em uma frase dita por Zelda Fitzgerald, esposa do escritor que eu mais gosto, F. S. Fitzgerald. Outra coisa que acho importante a respeito dessa canção é que a dupla é gay. E se tem algo que quero ensinar à minha filha, é a tolerância e o respeito às diferenças individuais.
A letra da música fala da passagem do tempo, de perdas, mas também de conquistas. E fala especialmente de amizade, que é um tipo superior de amor.
Aos meus amigos, portanto!




(recomendo que procurem e assistam ao video original, que foi dirigido pelo fotográfo Bruce Weber e é belíssimo.)

Para saber mais: http://www.10yearsofbeingboring.com/

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE GRIPE SUÍNA

Minha menina de cachos e as gêmeas vieram para casa cantando uma nova música que aprenderam na escola:

"Sem abraço,
sem beijinho,
Sem aperto de mão.
Isto é apenas
Uma proteção"

Poderia ser engraçado, mas é triste...

domingo, 23 de agosto de 2009

A FILHA QUE EU SEMPRE QUIS TER

Só quem tem (ou teve) criança em casa pode verdadeiramente compreender o verso:
"Hoje eu quero a paz de crianças dormindo"
Porque criança é um nunca cessar de atenção, ruídos, sustos e alegrias. Minha menina de cachos está o tempo todo se movimentando. Até televisão ela assiste ora de cabeça pra baixo, ora pulando, ora correndo...Acho que vem do contraste o absoluto encanto que sinto ao vê-la dormir tão serena.
Quando dormimos juntas, ela gosta que eu segure o seu pezinho. E quando ela está acordada e pensa que eu estou dormindo, me faz carinhos no rosto e cabelos, assim como eu faço para que ela durma. Se ela pensa que acorda antes de mim, beija meu rosto com muito carinho, cheia de cuidados para não me despertar.
Ela dorme. E eu posso sentir o seu cheirinho de criança feliz. Observar seus traços perfeitos (para quem nunca viu, acredite: minha filha é linda!). Nestes momentos de quietude, existem em mim paz e felicidade. Mas nada me causa mais júbilo do que as noites em que sou acordada por suas gargalhadas. Ela ri em seus sonhos, e eu sei então que devo estar no caminho certo...
(Sempre choro ao ouvir essa música:)


terça-feira, 7 de julho de 2009

"AS COISAS LINDAS SÃO MAIS LINDAS QUANDO VOCÊ ESTÁ"


Neste final de semana fui a um casamento.
A cara dos noivos, como tem que ser. Muito bonito, e também inusitado. Teve até votos de "sexo sem pudores" e um beijo gay no meio da pista de dança, já tarde da noite. Algumas pessoas ficaram chocadas, outras surpresas, outras, ainda, acharam tudo muito normal.

É muito bonito quando família e amigos se reúnem para desejar felicidades a um casal. Tenho a certeza que tantas vibrações positivas acabam, sim, acrescentando ao menos um pouquinho a mais de alegria à vida do novo par. A maior responsabilidade é deles, mas tanta gente junta querendo o bem algum resultado positivo há de dar...Eu fiquei contente por estar lá, entre tanta gente querida, partilhando comida, bebida, música e risos.

No fim da festa, minhas sobrinhas gêmeas de seis anos conversavam. A loira diz:

- Sabia que os números são infinitos? Infinito é coisa que nunca acaba, como o amor.

A morena, assertiva:

- Ah, não! Como o amor, não! O amor, às vezes acaba...

Minha menininha de cachos não se ligou muito na cerimônia ou ponderou sobre o amor. Quando perguntei sobre o que ela mais gostou, respondeu prontamente: da piscina e de brincar! E me perguntou se poderá levar a cestinha com as alianças quando eu me casar, visto que ela foi dama de honra em outra ocasião e gostou bastante! Como deve ser aos cinco anos de idade, não está ainda interessada em romances.

Mas eu sou mais complicada que minha menina. Menos romântica que minha sobrinha loira, tendo a concordar com a morena. E me peguei, mais uma vez, pensando nas belas palavras de São Paulo sobre o amor, lidas pela irmã da noiva na cerimônia:

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

Devia ser simples, o amor... Mas não é! Não é fácil, nem perfeito e nem sempre feliz. Mas é bom, ah, se é! O amor é sempre o todo, inteiro. Pleno ao se bastar em si mesmo. Porque não se deve amar esperando retribuição, embora, contraditoriamente, eu não acredite em amor não correspondido. Relacionar-se é sempre uma troca.
Amar verdadeiramente é mais raro do que deveria ser. Mas por isso mesmo, merece todo o cuidado e vale sempre a pena ser vivido plenamente.
"Tarefa pra gente grande, tanto quanto pode ser o coração de quem ama".



terça-feira, 30 de junho de 2009

THE BEST IS YET TO COME

A música é antiga, mas eu tenho uma alma velha...
E Frank Sinatra é uma de minhas lembranças mais antigas de infância.

The best is yet to come - eu acredito!

(Aliás, são essas as palavras gravadas no túmulo de Sinatra).


"Out of the tree of life, I just picked me a plum
You came along and everything started to hum
Still its a real good bet, the best is yet to come
The best is yet to come, and baby wont it be fine
You think you've seen the sun, but you aint seen it shine"


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