"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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sexta-feira, 19 de abril de 2013

SFOGARSI


É quando se vêm à tona que surge o risco de se afogar. 

Sorvo o ar e me invade a vida. Havia luz à superfície e, por um breve instante, fui tentada pelo pressentimento da cumplicidade duradora. Mas ouvi o alerta e recuo, me entregando toda. Sei da fascinação do mistério, contudo, pressinto o perigo e esgoto-me toda em um dia.

Escondo-me novamente nas palavras. Aqueles que são oceano nunca deixam de sentir o gosto de sal.   


domingo, 5 de fevereiro de 2012

"A ÚNICA RIQUEZA É VER"

Foi aniversário dela. De presente, dei a ela uma viagem. Aliás, essa é uma combinação nossa que já dura alguns anos.
O que é efêmero, permanece. Assim creio.
Serão dela, para sempre, o mar sem fim, o sol, as ondas,os golfinhos, a chuva, a emoção da tirolesa. Vai perdurar a noite em que mostrei a ela o Cruzeiro do Sul e as Três Marias, só nós duas, o céu e o oceano. Ela vai continuar sendo Michael Jackson, andando de bonde e na corda bamba. Estaremos juntas, e com  os amigos. Sendo felizes.
Assim foi, assim é. Tudo maior do que os olhos vêem, do tamanho que a vista e o amor alcançam.
Um tempo que ela já definiu melhor do que eu:
"Mãe, por que tem dia que são muitos?"

(Mais de nós aqui: Blog da Vovó...mas não só )




quinta-feira, 17 de novembro de 2011

MAIS DO MESMO

A cidade onde moro é cortada por um rio. Todos os dias, para ir e voltar do trabalho, atravesso uma ponte sobre ele. É um rio de águas escuras, barrentas. Ainda assim, dia a dia me encanto com seus pássaros, suas margens, as mudanças causadas pela luz do sol. 
Ao por do sol, ele é sempre belo. Não resisto: faço, ao celular, fotos quase diárias do rio que imita o céu. As fotos, confesso, são ruins e pouco diferem entre si. Que me importa? Esse ritual tolo revela muito de mim. Aquilo que me encanta é belo, e nunca me cansa. Provoca sempre a sensação de primeira vez. Arrebata-me! Encontro sempre o novo no que amo, e desafia-me que seja sempre igual e nunca o mesmo.

Gosto de descobrir o desconhecido que já conheço.


sexta-feira, 18 de março de 2011

INTIMIDADE

O silêncio confortável é o maior grau de intimidade que se pode ter com alguém. Quando se chega a esse ponto, de se entender sem palavras, de permitir ao outro ser dono dos seus pensamentos, se alcançou o amor tranquilo.
Um blog também pode ser feito de silêncios, acho. Já estamos juntos há algum tempo, e já sabem que eu me calo, mas volto. Está tudo bem à minha volta. Saúde, emprego, vida que segue. Mas dentro de mim é o oceano, sempre. Que às vezes se derrama, outras se recolhe.
Não estou longe, estou aqui. Estou aqui, mas estou longe.

Lado a lado, em silêncio, prosseguimos nossa conversa.


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PALIMPSESTO

Eu amo o cheiro das noites de verão. Cheiro da terra que libera o calor guardado durante o dia: de maneira preguiçosa enquanto a noite cai, ou violentamente sob a chuva. O verão é a minha estação, é a que constrói  minhas memórias afetivas. Basta o perfume da dama-da-noite para eu voltar à infância, onde cheiros, luzes e sons se misturam e sempre é o eterno pôr do sol de férias na praia ao mesmo tempo em que espio a tempestade da janela mais alta junto com minha mãe.




Minha menina vai fazer sete anos e espero que essas sejam as férias sobre as quais suas memórias serão construídas. Tivemos férias incríveis, nós duas junto a amigos queridos e generosos. Férias de ir à praia todos os dias, aprendendo com o mar que é sempre o mesmo e nunca igual. Férias de sol e águas transparentes, de caldos e capotes, de nadar sem roupa na chuva. Férias de pular no colchão, de dormir de cansaço, de Morango, de velhos sabores. Férias de aprender a fazer castelos de areia e descobrir que eles não duram, mas há sempre material para uma nova construção. Férias de passar a noite toda acordada conversando com quem já não está. Férias de café da manhã na cama, comida maravilhosa feita pelos amigos e do cachorro-quente mais caro do mundo! Férias de conhecer e reencontrar o Rio de Janeiro e criar novo significado para praia do Leblon.







E voltar para casa... Voltar e tentar fazer um ano verdadeiramente novo. Mudar a rota. Hoje, deitada na piscina com minha filha, o verão à nossa volta, olhando ora as nuvens, ora as estrelas, achei um novo norte.

"Mãe, as estrelas, mesmo quando se escondem, estão sempre ali para brilhar."



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

FOCO

O Marcelo Pereira de Carvalho, meu amigo talentoso, esteve viajando pela Nova Zelândia e tirou fotos incríveis. Entre tantas, uma me chamou a atenção pela escolha técnica que ele fez. Uma paisagem maravilhosa, lago azul, montanhas, picos nevados... E ele decidiu-se por destacar singelas flores amarelas. Escolheu o primeiro plano. 

Lake Hawea, Nova Zelândia, por Marcelo Pereira de Carvalho

No meio de tantas imagens lindas, essa voltou à minha mente várias vezes. Bela metáfora da vida. Escolhas. Foco. Podemos decidir fixar nosso olhar no horizonte distante, visualizar o futuro que não chegou. Ou podemos prestar atenção na beleza por vezes oculta do momento presente.
Tenho entendido que quem se entrega a devaneios não vive, que se deixar levar é uma forma de escolha, passiva, que nos rouba a autonomia. A espera do por vir não pode se estender indefinidamente. Os desejos convergentes se ajustam, é no ponto de fuga que aprofundamos a verdade.
Paradoxal que pareça, é o olhar para o agora, o cuidado na escolha de hoje, que vão nos aproximar do horizonte. As flores perecem, mas as montanhas continuarão ali, a espera de serem conquistadas. 

Sim, há essa dor, esse aperto no peito. O espanto dos olhos que não mais reconhecem o mundo. Há o vazio, o cansaço. A espera. À espera. Mas há, também, a recusa. Destino de outsider, não se conformar. Senhora dos meus labirintos, recuo e avanço, capaz, ainda, de me surpreender... E sigo a passos tortos, sem nada mais buscar, confiando ser encontrada.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CONTOS DE FADAS


Meus pais foram liberais dos anos 70 e queriam dar a mim e a minha irmã a liberdade de escolhermos nossa religião quando crescêssemos, de forma que não nos batizaram. Isso desencadeou uma "conspiração" familiar, que levou meus avós paternos a nos batizarem "às escondidas" e escolherem eles mesmos nossos padrinhos.


Coube-me como padrinho meu avô. Figura masculina mais importante da minha infância, ele sempre foi tanto que o status de padrinho nada lhe acrescentou. Minha madrinha era quieta, uma dessas tias solteironas e beatas. O único brinquedo que me recordo de ganhar dela foi uma lanterninha verde, que aliás, nunca funcionou. No entanto, ela me deu aulas de catecismo, me ensinou algumas orações e, principalmente, sempre mandava rezar uma missa em minha intenção nos meus aniversários e Natal. Ela faleceu faz alguns anos e desconfio que essas missas e suas orações me fazem muita falta...

Minha irmã teve como padrinhos um casal de parentes, ele irmão da minha avó, creio. O tio faleceu logo, mas a tia era figura encantadora. Naquele tempo, crianças podiam andar na rua sozinhas e sem dizer aonde iam, e desde os meus 8 anos, eu ia muitas vezes à casa dela. Sobradinho pequeno, dois andares de cômodos enfeitados, quarto com sacada.... Parecia uma casinha de bonecas, e eu ficava horas, em paz, brincando com um caixinha de botões e bijuterias.  Essa tia querida era dessas poucas pessoas que encontramos durante a vida na companhia de quem nos sentimos confortáveis no silêncio.

Em uma de minhas última visitas a ela, cheguei como sempre de surpresa, sem avisar. Havia com ela um rapaz bem novo, sobre a mesa um bolo e champagne, e ela, muito feliz, me disse:

- que bom que você veio, será a única convidada do nosso casamento.

Comi o bolo, brinquei, conversamos, me despedi com naturalidade, e ainda hoje fico feliz por saber que minha reação deva tê-la deixado feliz. Claro que quando cheguei na casa dos meus avós com a "novidade" do casamento, fui informada que não deveria mais ir lá por motivos morais que não me recordo, já que não devo ter prestado atenção na hora. Meus pais não endossaram a proibição, e fui ainda à casa dela, agora deles, mais algumas ocasiões, até que ela se mudou de cidade devido à pressão e preconceito. Tive poucas notícias dela, até sua morte, mas soube que foi feliz.

Essa madrinha da minha irmã deu a ela em um aniversário um livro que me pareceu, então, o mais lindo do mundo: A Sereiazinha, de Hans Christian Andersen. Meus contos de fadas preferidos são de Andersen: além desse, A Rainha da Neve e Os Cisnes Selvagens. E ainda uma menção honrosa para A Pequena Vendedora de Fósforos e O Rouxinol.

O conto de Andersen nada tem a  ver com o desenho da Disney, muito bonitinho, mas sem a profundidade do original. Coloquei a história, com alguma adaptação, no post abaixo. Acho que é um tanto triste pelos padrões atuais, e sempre achei que foi-lhe exigido demasiado sacrifício. Mas encantei-me desde sempre com a pequena sereia que sente-se deslocada no mundo que conhece, enfrenta o perigo e a dor em busca do que almeja e ama desejando que o outro seja feliz.


quarta-feira, 28 de julho de 2010

AFETO EM FRENTE AO MAR



Minha máquina fotográfica já era. Essa perda me deu o tema do post que pretendia escrever, sobre fotografar, lembranças, momentos importantes... Porém, acontecimentos e sentimentos têm me deixado triste e cansada por esses dias. Vou deixar, ainda uma vez, a música falar por mim. Eu poderia ter escrito essa...

Fotografia




Leoni
Composição: Leoni, Léo Jaime

Hoje o mar faz onda feito criança
No balanço calmo a gente descansa
Nessas horas dorme longe a lembrança
De ser feliz
Quando a tarde toma a gente nos braços
Sopra um vento que dissolve o cansaço
É o avesso do esforço que eu faço
Pra ser feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.
Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz
E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.


terça-feira, 6 de julho de 2010

UNPLUGGED


Arrumando as malas para viajar para as montanhas de Minas com minha filha e minha mãe, separei livro, notebook, internet portátil. Mas na hora de fechar as malas, deixei tudo isso de lado. Eu precisava de um tempo assim, de olhar para dentro de mim e para fora, para a vida real. Dias inteiros de olhos nos olhos e não nas letras, sem refúgios escapistas. E lá fomos nós, logo após a derrota do Brasil para a Holanda.
Foram 3 dias maravilhosos em Gonçalves/MG. Dias de ser mãe e de ser filha. Em uma cidadezinha  de morros e cercada de montanhas, bem como gosto. Mais importante, estivemos rodeadas de novos amigos. Fomos a um casamento único, daqueles de dar lágrimas nos olhos. Ainda mais especial porque a celebrante foi a minha mãe, escolhida pelos noivos, encantadora em suas palavras. E tudo estava lindo, pensado e feito com carinho. Eu há tempos queria conhecer o Kitanda Brasil, um restaurante que tem a alma da sua dona e os sabores da terra cultivada com amor. Eu, como sempre, logo comecei a fotografar tudo, desde os preparativos e... Minha máquina fotográfica pifou. Mistério das Minas Gerais...Muita energia, talvez... Ainda tentei usar o celular, mas não é que a bateria acabou após algumas fotos? Foi mesmo uma viagem para ficar eternizada lá onde ficam as coisas boas, na lembrança, e não escondida na memória do computador.
Minha menina foi um encanto. Ela cada vez me surpreende mais com sua sabedoria. Pensei tolamente que seria uma ótima oportunidade para conversar com ela sobre diferenças, já que havia muita coisa inusitada, pessoas diferentes. Porém, é ela quem sempre me ensina que somos todos iguais. Ela sequer estranhou o cardápio. Ao contrário, enquanto algumas crianças escapavam da festa para comer PF na praça, ela me pediu pra voltar para almoçar o menu degustação no dia seguinte. E lá fomos nós, cometer a quase heresia de comer com pressa o que é feito para ser apreciado devagar... Contudo, inesquecível. O Kitanda já está entre meus lugares preferidos de todo o mundo.

Voltei pra casa para enfrentar uma segunda-feira difícil, fortalecida pela minha pequena gourmet, que não se cansa de me mostrar que a vida é para ser saboreada. Com calma.



Reparou que tudo esse coador individual? Coisas do Kitanda...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

DE PEQUENO PRÍNCIPE A GRANDE HOMEM

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

Nunca gostei dessa frase. Ela diz exatamente o contrário do que penso sobre o amor. Amor é liberdade, para si e para a pessoa amada. Cativo é escravo, e não quero aqueles que amo, ou que me amam, presos a mim. Tampouco quero assumir a responsabilidade pela vida alheia, pior ainda, pela eternidade afora... Quanto egoísmo há em amar alguém e entregar a ele a própria vida.

Essa visão de que amar é "pertencer a alguém" é bastante popular, eu sei. Há filmes, livros, poemas, músicas. Eleita "a música da década de 80", a linda melodia de "Every breath you take" do The Police, me causa falta de ar só de imaginar alguém me vigiando a cada vez que eu respiro. A cada vez que eu me movo...O próprio Sting, mais esperto e melhor casado, alguns anos depois cantou: "If you love somebody, set them free" (se você ama alguém, deixe-o livre). Djavan cantou: "vem me fazer feliz porque eu te amo". Para piorar, ainda completa "esqueço que amar é quase uma dor. Só sei viver se for por você." Como assim? Como dizem em inglês, get a life.

Amor - seja por quem for, Deus, pai, mãe, filhos, amigos, amantes, parceiros - é alegria, é doação desinteressada, é compartilhar e principalmente, agregar. Acrescentar descobertas e experiências à vida do outro e à minha. Amor é movimento, seguir em frente, desfrutar o caminho. Cuidar sem vigiar. E não, cativeiro.

Eu amo minha filha, sei que ela me ama. Mas não sou eu a responsável pela felicidade dela, embora seja uma das responsáveis por seu bem-estar, enquanto ela ainda é criança. E a melhor maneira de demonstrar meu amor por ela é ensiná-la a ser livre e a amar a si mesma. Só aquele que encontra a felicidade por si é capaz de dividi-la.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

INTENÇÃO E GESTO

Eu nunca fiz promessas de Ano Novo. Procuro, claro, traçar meus objetivos e determino o melhor caminho para alcançá-los.Todavia, eu acredito na ação e não, na intenção.

Minha vida não é exemplo para ninguém... Sou insegura, hesito bastante antes de uma decisão, paradoxalmente tenho um tanto de auto-indulgente...Contudo, quando quero mudar alguma coisa, mudo já. Nunca na segunda-feira. Nunca no ano que vem.

Quase sempre eu me calo mais do que falo, pois procuro viver sob a máxima de jamais lançar uma promessa em vão. Principalmente nas relações pessoais, persigo essa fidelidade entre palavras e sentimentos. Comprometo-me com aquilo que digo, transfiguro promessas em gestos. Ensino minha menina a ter também esse cuidado. Muitas vezes, ao ser repreendida, ela logo diz:
-Mamãe, eu juro que nunca mais faço isso.
E eu respondo: Só jure aquilo que você sabe que vai cumprir. E lembre-se que palavras não importam, o que importa é o que você faz.
Talvez no fim das contas, eu faça menos do que poderia. Até por excesso de cautela. Mas assumo as conseqüências e procuro agir de forma a que confiar em mim seja possível. Afinal, eu sei o quanto dói descobrir que a distância entre a intenção e o gesto não foi percorrida.

Embora aos tropeços, procuro seguir o princípio moral de Kant que diz:
"Age de tal maneira que trates a humanidade, na tua pessoa ou na de outrem, sempre e simultaneamente como fim e nunca apenas como meio."
Outro conceito que persigo é o da compaixão. Acho que este é um sentimento tão belo quanto o amor. Não confundir com piedade, que pressupõe um olhar de superioridade em relação ao sofrimento alheio. Ter compaixão é compartilhar o sofrimento do outro, sem julgar as razões alheias, sem preconceitos. Esse é meu grande desafio, a meta de crescimento espiritual que ainda não consegui atingir, mas busco. Não somente ver a todos como iguais, mas ser capaz de verdadeiramente colocar-se no lugar do outro. Como disse Buda: " Vosso sofrimento é o meu sofrimento, vossa felicidade é a minha felicidade".
É essa, então, minha mensagem de final de ano. O mantra da compaixão:

OM MANE PADME HUM

O Ano Novo não muda nada. Quem muda somos nós.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

UM POEMA PARA MIM

Até chorei...
Nos comentários do meu texto anterior, ganhei um poema todo meu, feito pela linda (por dentro e por fora) Débora do 3 x 30 - Solteira, Casada, Divorciada.
Uma poesia bonita e verdadeira, convidando a viver de maneira plena e a dar espaço ao inesperado e às pequenas coisas (que são as mais importantes).
Mereceu um post!
Obrigada, Débora, por tanta gentileza! Continue assim. O-Negai Shimasu!

Menina

Poesia é o que tá lá fora
Longe do mundo das letras
O que não se diz em palavras
Um beijo roubado
Um olhar apaixonado
A gargalhada da sua menina de cachos
(Ou ela a conversar com o vento)
Um bom prato de comida
Um tombo no mar
O rir da vida

Se ainda assim
Queres um versinho
Te mando essa coisa estranha
Mas repleta de carinho

(Débora)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

PARATY

E então, nós fomos.
Eu, ela e meu pai.
Levei minha menina para conhecer a cidade que mais me encanta. Paraty. Gosto tanto, que tenho ciúmes do sucesso ("hype" - detesto essa palavra) que a cidade anda fazendo....Escolhi um final de semana espremido entre um Festival e um feriado, mas ainda assim, a cidade estava cheia e em obras, Mas linda como sempre.
Minha lembrança mais antiga de infância é de Paraty. Lembro-me que dormia e que a água invadiu a barraca onde estávamos. Alguém me acordou, me pegou no colo. Havia a luz da lua e de risos. Contaram-me que quando isso aconteceu, eu tinha apenas um ano de idade.
Paraty me encanta porque é bela nos detalhes. É tanta beleza por todos os lados, que arrebata. Conversei muito com minha menina, aproveitando-me das belas metáforas que a cidade oferece. Falei a ela do Caminho do Ouro, expliquei o que é uma baía (a mais bela baía do mundo!), contei sobre Amyr Klink, falei sobre âncoras e velas... Até o calçamento pé-de-moleque da cidade foi um ensinamento, porque a melhor forma de caminhar sobre ele, é pelo meio - fugir dos extremos. Além do quê, ele nos obriga a caminhar com calma, e quem anda devagar, vê a beleza do caminho.
Gostei muito de reencontrar uma querida amiga, que reconstruiu a vida com muito sucesso em Paraty. Mulher guerreira, decidida. As amizades verdadeiras não se alteram com o tempo, e conversamos acompanhadas por um bom vinho enquanto minha menina se deliciava com o melhor sorvete do mundo. E antes de dormir, ela me olhou com os olhos brilhantes e falou: "este é o dia mais feliz da minha vida!".
Já havíamos estado em Paraty, eu e minha filha, mas ela não se lembrava. Essa reapresentação das duas - a cidade e a menina - e ainda junto com meu pai, foi também, para mim, um marco. O início de uma nova etapa. Permanecerão agora no passado, como lembranças, coisas findas que eu estava trazendo comigo. Aquilo que foi bonito, ficará, como Paraty, como um lugar a ser ser visitado. Talvez eu more lá um dia. Mas hoje, devo retornar e arrumar a minha casa.
Eu amo o mar. Essa ligação com o mar, minha menininha também tem. Saímos para passear de barco e quando olhei, ela estava com os braços e boca abertos para o vento. Disse-me:
- "mãe, estou comendo esse gosto de mar!"

É assim que quero ir de encontro à vida. De braços abertos, com todos os sentidos despertos, pronta para devorar a felicidade.


Para saber mais:

http://www.paraty.com.br/

http://viajeaqui.abril.com.br/indices/edicoes/conteudo_239811.shtml

http://www.viajenaviagem.com/2007/06/paraty-por-christopher-hitchens

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

BEING BORING

Setembro não foi um mês fácil. A inspiração para novos textos está muito melancólica. Todavia, eu acredito no lema que ensinei à minha menina de cachos: viver é muito bom!
Encerro, portanto o mês de setembro com uma música. Não é, talvez, uma obra que será eterna e sei que o pop não tem a beleza da música clássica, do jazz, da bossa nova e de tantas canções que ouço e ainda irei ouvir e compartilhar com minha pequena. Mas essa é uma das músicas que eu mais gosto, e minhas predileções por música, livros, filmes, transcendem a qualidade e acabam sendo muito pessoais. Nesse caso, ela é especial porque, primeiro, foi inspirada em uma frase dita por Zelda Fitzgerald, esposa do escritor que eu mais gosto, F. S. Fitzgerald. Outra coisa que acho importante a respeito dessa canção é que a dupla é gay. E se tem algo que quero ensinar à minha filha, é a tolerância e o respeito às diferenças individuais.
A letra da música fala da passagem do tempo, de perdas, mas também de conquistas. E fala especialmente de amizade, que é um tipo superior de amor.
Aos meus amigos, portanto!




(recomendo que procurem e assistam ao video original, que foi dirigido pelo fotográfo Bruce Weber e é belíssimo.)

Para saber mais: http://www.10yearsofbeingboring.com/

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE GRIPE SUÍNA

Minha menina de cachos e as gêmeas vieram para casa cantando uma nova música que aprenderam na escola:

"Sem abraço,
sem beijinho,
Sem aperto de mão.
Isto é apenas
Uma proteção"

Poderia ser engraçado, mas é triste...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Quando não estamos juntas

Não só os momentos que vivo com minha menina constroem a nossa história. Aqueles em que estamos separadas também.

Adoro nossos momentos antes de dormir, quando ela me conta sobre o seu dia na escola, sobre suas brincadeiras e descobertas.
E eu também gosto de contar para ela sobre os momentos bons que eu tenho quando não estamos juntas.
Quero lhe contar sobre como é bonita a luz do sol sendo filtrada pelas folhas das árvores. Contar sobre a paisagem que vejo pela janela. Dizer o quanto gosto de viajar ouvindo música, e quais são as músicas que gosto.
Como é bom ter amigos de verdade e poder contar com eles.
Bom jogar conversa fora e dar risada.
Bom trabalhar e ver o resultado.
Bom ser livre.
Mas o melhor da minha vida, neste momento, é voltar para casa e encontrar minha filha!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Festa!

Minha menina cresceu.
Fez cinco anos este mês, e sábado foi a festinha dela.

No dia do aniversário fiz uma "festa do pijama", ela e a gêmeas de roupa de dormir. Comemos pipoca, carolinas e bolo. Elas adoraram!

E neste fim de semana, festa com a família e amigos queridos.
Aqui faz muito calor e o dia estava particularmente quente. O evento foi em uma chácara da família, e enquanto eu e minha tia querida arrumávamos a decoração da fada Sininho e suas amigas, minha filha e as primas aproveitaram o dia para nadar.
Na hora da festa, estava tudo lindo - e simples. Nada de bexigas - pedido da aniversariante. Tudo sem exagero, mas na medida para receber a família e amigos mais chegados.
Minha menina linda estava feliz e ela e as crianças brincaram bastante, usaram muito a imaginação, correram, inventaram... Eu fiz questão de não alugar nenhum daqueles brinquedos em que as crianças passam longos minutos esperando na fila para depois brincarem de maneira solitária. Queria crianças de todas as idades brincando juntas, interagindo. E deu certo! Minha pequena que está crescendo teve um dia muito feliz e uma festa como tinha imaginado, comeu suas delícias favoritas (o bolo no meu colo), brincou e compartilhou sua felicidade.

Esta festa vai ficar para sempre na minha memória, porque para realizá-la muita gente me ajudou. Eu estou trabalhando muito, o dinheiro está apertado. Então contei com uma rede de pessoas queridas - minha irmã, minha mãe minhas tias e tios, primos, amigos que ficaram o dia e a noite enrolando docinhos... Enfim, cada um deu a mim e a minha filha um presente que não tem preço.
Eu pude fazer pouco, comparado com o tanto que me ajudaram. Mas bordei o vestido que minha menina usou, e meu amor estava junto dela o tempo todo. O vestido cheio de brilho ajudou a iluminá-la ainda mais no seu dia especial!

E no dia da festa, o Pai de todos nós também nos presenteou com um dia lindo e sem chuva, afastando as nuvens e temporais que têm desabado diariamente por aqui.
Que assim seja também a vida de todos nós, e que embora as tempestades caiam, que o sol brilhe sempre nos momentos importantes, iluminando para sempre nosso trajeto e nossa memória.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Não é adeus, apenas até logo

Sexta-feira foi o último dia da minha menina na escola. Com a separação, nós duas vamos nos mudar para outra cidade.

Gosto bastante desta escola, que não é perfeita, mas tem o que para mim é mais importante: valores similares aos meus. A alimentação é saudável. As turmas são pequenas, o que eu acho que ajuda a evitar o bullying. A direção da escola tem o grande talento de saber escolher as professoras. De forma que no tempo que passou na escola, minha menina teve três ótimas educadoras que são também excelentes pessoas.


Na Semana da Criança, cada sala apresentou para as outras uma peça. Minha menina foi a Menina dos Cachos Dourados (da história dos Três Ursos). Ela adorou ficar no palco a maior parte do tempo! E gostou mais ainda porque naquele dia ela voltou a ter cachos, graças ao baby liss. E foi não só para mim, mas para todos, minha menina de cachos mais uma vez.

Assim como minha filha se tornou amiga dos colegas de classe, eu também fiquei amiga dos pais. E nosso novo caminho começa um pouco vazio, sem eles.


Em seu último dia, ela foi vestida de Tinkerbell(Sininho). É sua personagem favorita no momento. Gentilmente, a mãe de um dos amiguinhos mandou um bolo, que ela e os colegas confeitaram juntos. Ela também ganhou alguns presentes e um cartão. E fez um lindo book of the year, com o desenho da professora e dos colegas, que ilustram este post. Interessante que ela desenhou também a amiguinha que deixou a escola em junho.

Para ela, foi um pouco de festa. E no último momento, descendo as escadas, quem chorou fui eu...


Para saber mais:


http://www.dltk-teach.com/rhymes/goldilocks_story.htm

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