"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

Eu gostava muito de carnaval quando criança, especialmente porque saíamos de São Paulo para a casa dos meus avós. Gostava das fantasias e especialmente do ritual de fantasiar-se, de como minha mãe cuidava de mim e de minha irmã, nos maquiava. Mas no salão do clube eu ficava sempre um tanto tímida, eu gostava de dançar, de brincar, porém não de me exibir.

Minha menina é tão diferente de mim! Este ano ela aproveitou o carnaval como nunca! Minha família reuniu-se em uma chácara na zona rural da cidade, que ela adora. Mas ela pediu para ficar e ir brincar o carnaval. E como ela se divertiu! Fez amigos, dançou, jogou confetes. E me surpreendeu logo no primeiro dia, quando viu a banda tocando e pediu pra subir no palco. Eu, meio descrente, disse:

- Se tiver como, pode ir.

E não é que ela descobriu como subir, e foi? Dançou lá em cima sozinha, depois com várias adolescentes, mas só ela de criança. E nos outros 2 dias de carnaval, fez a mesma coisa, subiu ao palco para pular sozinha com os músicos. Na terça-feira, finalmente, várias outras crianças se animaram e subiram também, e ela ficou toda contente.

Achei tão bonita essa auto-confiança dela. Espero que seja sempre assim, que ela acredite que pode fazer, e mais ainda, que pode se mostrar como é na frente de outras pessoas, porque será aprovada. E olha que, pra ser sincera, ela não leva o menor jeito pro samba...

Esse carnaval dediquei quase exclusivamente a ela, tivemos muitos momentos juntas, muitas conversas só de nós duas. Paradoxalmente é triste não ter com quem dividir esses momentos. É uma delícia observar o quanto ela cresceu, como aprendeu tanto e me ensina mais ainda. Fantasiada, maquiada ou de máscara, ela é sempre a mesma, preserva sua essência e age com verdade e espontaneidade. Esse carnaval me mostrou, através da alegria de minha menina, que as máscaras que devemos temer são as que se ocultam e não, as que se mostram.


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