"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

O OUTRO LADO

Trago comigo paisagens internas. 

A cidade em que passei boa parte da minha infância é dividida pela linha do trem e pelo rio que a corta. É também cercada de serras. Para chegar ao mar, é preciso atravessá-las.
Assim também minha vida pode ser dividida em linhas imaginárias que cruzei. Algumas vezes voltei, outras não. Lembro-me do dia em que a ponte mais bonita e antiga da cidade partiu-se ao meio e caiu. Eu também tive esse momento em que não foi mais possível voltar atrás porque não havia mais o caminho. Aquela que fui já não estava lá.

Agora, há montanhas dentro de mim. Não sei o que se oculta do outro lado, e ainda não decidi se quero cruzá-las e avistar o horizonte sem fim, ou me conformar com o lado de cá, seguro e sem surpresas. Há um certo cansaço em se reinventar constantemente, mas a conformidade sempre me pareceu uma espécie de derrota.

Porém, não sou montanha, sou oceano. E a vida me navega.

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