"É a vida, mais que a morte, a que não tem limites."

sexta-feira, 19 de junho de 2009

EXPECTATIVAS


Nunca quis alguém pra suprir minhas expectativas. Estava em busca do encanto de descobrir necessidades que nem eu soubesse que tenho.
Não espero nada. Quero ser surpreendida. Olhar para ele e reconhecer não a mim, mas o outro. Amar as diferenças. Para construir juntos um plano de vida que se amolde ao novo de cada dia.
Sendo dois, mantendo a nossa individualidade, o que nos une é o que temos de único.
Juntos, estamos em equilíbrio
Pois é no outro que vou encontrar aquilo que não existe em mim.

MÁSCARAS

Olhando a foto de minha filha e seus colegas de classe, o que me encanta são as diferenças. Cabelos de todas as cores e tipos. Diferentes tons de pele e de formas de corpo. Cada criança diferente da outra, reconhecível em sua individualidade. Por que crescemos e queremos nos tornar iguais? Os esterótipos de beleza são vazios porque lhes falta o encanto do único.

Em casa, são três crianças quase da mesma idade. Todas lindas. Uma, loira de olhos azuis. Rosada e lânguida. Outra (gêmea dessa!), tem os cabelos e olhos pretos, a estrutura sólida. Minha menina tem os cabelos e olhos castanhos e é atlética e cheia de energia. Todas são e se reconhecem lindas. No entanto, já começam a perceber a uniformidade entediante do mundo dos adultos, a pressão pelo ser igual através do consumo. Minha atenção é toda no sentido de evitar que minha filha linda e única cresça buscando padrões impostos por quem não sabe nada daquilo que a faz especial.

Mas não quero proteger minha criança somente da máscara exterior dos padrões de beleza. Quero que ela cresça segura de suas opiniões, de seus valores, e aprenda a se mostrar ao mundo de cara limpa. Saiba se expressar com verdade e ter orgulho de quem é e de seu caminho. E mais ainda, aprenda a reconhecer e descartar as máscaras alheias.

(Esse post foi inspirado pelo texto abaixo, escrito por um homem muito talentoso, verdadeiro e especial naquilo que tem de único:

Nunca gostei e sempre tive medo de palhaço e de Papai Noel. Mais tarde, descobri que sentia o mesmo em relação a Carnaval. No período cruel da afirmação, da ditadura da adolescência, sofri o desconforto dos estereótipos. Hoje, aliviado, vejo que tinha razão: na verdade, não gosto mesmo é de máscaras, menos ainda, de quem se esconde por trás delas! )

sexta-feira, 5 de junho de 2009

HERANÇA

Meus defeitos são maiores e mais numerosos que minhas virtudes. Por isso, desejo que minha menina seja (muito) melhor do que eu.

Mas há algo que eu gostaria que ela herdasse de mim: a capacidade de acreditar, sempre! Sou incuravelmente otimista. Amo a vida em seus pequenos detalhes, e uma borboleta que passa é capaz de desviar minha atenção do mais insolúvel dos problemas. Eu jamais pensei "ah, eu era feliz e não sabia"... Porque cada instante me é precioso e procuro não desperdiçar a oportunidade de dizer a quem me é querido: eu amo você!

Sim, eu sou intensa e sofro infinitamente...por breves instantes. Jamais uma tristeza ocupa todos os meus pensamentos. Vejo oportunidades nos problemas e acredito em milagres. Tenho fé, sempre!

Lembre-se assim de mim, filha! Sorrindo, e acreditando. E não confie em que lhe disser que amar faz sofrer. Ame, ame sempre, e muito. Amigos, família, seu trabalho, um parceiro. Deus. A vida!
Não há limites para quem não se impõe limites!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tão longe, tão perto

Faz bem pouco tempo, eu sabia exatamente quantas horas eu havia passado longe da minha filha em seus quase cinco anos de vida.
Faz bem pouco tempo, eu havia dormido longe dela apenas uma vez. Faz bem pouco tempo, eu sabia o que havia acontecido em cada minuto do seu dia. Faz bem pouco tempo, ela era a única razão da minha felicidade.
Faz bem pouco tempo, porque havia colocado sobre os ombros pequenos da minha menina toda a minha vida, eu não era uma boa mãe.

Agora, há dias em que só nos vemos à noite. Eu já viajei sem ela, e foi muito bom. Ela dorme longe de mim às vezes, e gosta. Ela se troca sozinha. Já não sei mais tudo sobre ela. Hoje, ela é a melhor parte da minha vida, e eu da dela. Mas eu sei que ela não é um pedaço meu.
E por isso, agora nós duas podemos ser inteiras.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Pipas no céu de abril

Céu azul.
Deitada na rede, observo, à luz da luminosidade de abril, minha menina na piscina.
Ela e as gêmeas brincam, no mundo à parte que as crianças felizes sabem construir. De vez em quando, ela me olha e sorri.

A localização privilegiada da chácara onde estamos permite ver ao longe a Basílica Nacional. A Mãe nos observa e cuida de nós à distância, assim como eu faço com minha filha. Amar é isso: cuidado, mas com liberdade.

No alto, bailam pipas coloridas. E penso que é assim minha relação com minha criança: quero impulsioná-la para que ela voe cada vez mais alto. Livre, feliz. Mas ainda ligada à mim. Por um fio delicado, sutil, quase invisível. Mas que saberá guiá-la e orientá-la vida afora.

O Amor. Simples assim.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

De pai para filha

Segue lindo texto que fui autorizada a postar no blog. Palavras de um pai para sua filha.
O autor me é muito, muito querido...

"TEMPO

Logo, logo, você se ocupará de um conceito que, no momento, não lhe despertará atenção: o da relatividade. Uma nova dimensão será acrescentada àquelas que você percebe naturalmente e nem se dá conta: o tempo! Chegará o momento em que vai perceber que é inútil medi-lo, quantificá-lo, qualificá-lo, exceto para aprender a lidar com ele conceitualmente.

TEMPO NUNCA É DEMAIS, POUCO OU BASTANTE. TAMBÉM NÃO É PASSADO, PRESENTE OU FUTURO. TEMPO É! Isso mesmo: É!, sempre É! Assim, o meu tempo não se confunde com o seu que também não se confunde com o de ninguém, mesmo que coexistam. Nesse contexto quero dizer que SER SIGNIFICA ENTENDER O TEMPO. Portanto, não adie seus sonhos, planos e projetos por causa do abstrato e falso conceito de que o tempo possa ser fracionado e NÃO SEJA MENOS DO QUE O TEMPO LHE PERMITE SER.

Sinto imensamente a sua falta. Gostaria de tê-la por uns instantes para aquietar meu coração, confortar o meu espírito e "lembrar" que fui merecedor de um PRESENTE que me desperta para outra dimensão - esta sim! - de difícil compreensão racional, lógica. Olho para você e vejo um MILAGRE, como quem vê uma nuvem ou uma rocha e não se surpreende. Esse é o lado perfeito da fé: crer e prescindir de indagação."

segunda-feira, 16 de março de 2009

Quando não estamos juntas

Não só os momentos que vivo com minha menina constroem a nossa história. Aqueles em que estamos separadas também.

Adoro nossos momentos antes de dormir, quando ela me conta sobre o seu dia na escola, sobre suas brincadeiras e descobertas.
E eu também gosto de contar para ela sobre os momentos bons que eu tenho quando não estamos juntas.
Quero lhe contar sobre como é bonita a luz do sol sendo filtrada pelas folhas das árvores. Contar sobre a paisagem que vejo pela janela. Dizer o quanto gosto de viajar ouvindo música, e quais são as músicas que gosto.
Como é bom ter amigos de verdade e poder contar com eles.
Bom jogar conversa fora e dar risada.
Bom trabalhar e ver o resultado.
Bom ser livre.
Mas o melhor da minha vida, neste momento, é voltar para casa e encontrar minha filha!

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